Questão 2032638

Sociologia (Ciências Sociais) · 2017

Questão

ID 2032638

Disciplina: Sociologia (Ciências Sociais)

Assunto: Hannah Arendt

Ano: 2017 Banca: IFPE - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco


Leia o TEXTO 15 para responder às questões de 31 a 34.

TEXTO 15

O TRABALHO NA BALANÇA DOS VALORES

  1. Em A condição humana, [Hanna] Arendt retoma a distinção grega das três
  2. atividades fundamentais: labor, trabalho e ação. O labor é a atividade que corresponde
  3. ao processo biológico do corpo do homem pela sobrevivência, com o fim de
  4. manutenção e reprodução da vida. O modelo é o do camponês sobre o arado, o trabalho
  5. na terra. Ressalta a passividade dessa forma de atividade humana submissa aos ritmos da
  6. natureza, às estações, à intempérie, às forças incontroláveis. O produto desse esforço é
  7. perecível, embora dele dependa a vida de quem trabalha, por isso não é um trabalho
  8. livre. A condição humana do labor é a vida.
  9. Por outro lado, o trabalho propriamente dito, que corresponde à poiesis grega,
  10. significa fazer, fabricação, criação de um produto por técnica ou arte, e corresponde ao
  11. artificialismo da existência humana. Poiesis é a obra da mão humana e dos instrumentos
  12. que a imitam. O modelo é o do escultor; por seu resultado concreto, o fazer do artista
  13. adquire a qualidade da permanência e torna-se presença no mundo, para além da vida de
  14. seu produtor. A mundanidade é a condição humana do trabalho.
  15. Por sua vez, a ação ou praxis se exerce diretamente entre os homens, sem a
  16. mediação das coisas nem da matéria. Não apresenta um produto concreto, portanto, não
  17. possui a permanência da fabricação. É o domínio da atividade em que o instrumento é o
  18. discurso, a voz e a palavra do homem. Corresponde à condição humana da pluralidade e
  19. realiza a liberdade.
  20. Arendt também analisa a marca da cultura judaica e cristã na concepção
  21. ocidental da condição humana, em cujos entrelaçamentos se mantiveram a primazia da
  22. teoria sobre a atividade e o menosprezo do trabalho manual. Na tradição judaica, o
  23. trabalho se apresentava como castigo, meio de expiação do pecado original, labuta
  24. penosa a qual o homem foi condenado. Nos primeiros tempos do cristianismo, o
  25. trabalho continuou a ser visto como punição, embora servindo à saúde do corpo e da
  26. alma. Nos mosteiros medievais, devia ser alternado com a oração e limitar-se à
  27. satisfação das necessidades básicas da comunidade.

(ALBORNOZ, Suzana. O trabalho na balança dos valores (trecho adaptado). Revista Cult. São Paulo, v. 139, n. 9. 2009)



TEXTO 13

OS INSTITUTOS FEDERAIS:

UMA REVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA

  1. O Governo Federal, através do Ministério da Educação (MEC), acaba de criar um
  2. modelo institucional absolutamente inovador em termos de proposta político-pedagógica:
  3. os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Estas instituições têm suas
  4. bases em um conceito de educação profissional e tecnológica sem similar em nenhum
  5. outro país. São 38 institutos, com 314 campi espalhados por todo o país, além de várias
  6. unidades avançadas, atuando em cursos técnicos (50% das vagas), em sua maioria na
  7. forma integrada com o ensino médio, licenciaturas (20% das vagas) e graduações
  8. tecnológicas, podendo ainda disponibilizar especializações, mestrados profissionais e
  9. doutorados voltados principalmente para a pesquisa aplicada de inovação tecnológica.
  10. [...] A estrutura multicampi e a clara definição do território de abrangência das ações dos
  11. Institutos Federais afirmam, na missão destas instituições, o compromisso de intervenção
  12. em suas respectivas regiões, identificando problemas e criando soluções técnicas e
  13. tecnológicas para o desenvolvimento sustentável com inclusão social. Na busca de
  14. sintonia com as potencialidades de desenvolvimento regional, os cursos nas novas
  15. unidades deverão ser definidos através de audiências públicas e de escuta às
  16. representações da sociedade.
  17. Na necessária articulação com outras políticas sociais, os Institutos Federais
  18. devem buscar a constituição de Observatórios de Políticas Públicas, tornando-as objetos
  19. de sua intervenção através das ações de ensino, pesquisa e extensão articulada com as
  20. forças sociais da região. É neste sentido que os Institutos Federais constituem um espaço
  21. fundamental na construção dos caminhos com vista ao desenvolvimento local e regional.
  22. Para tanto, devem ir além da compreensão da educação profissional e tecnológica como
  23. mera instrumentalizadora de pessoas para ocupações determinadas por um mercado
  24. Na proposta dos Institutos Federais, agregar à formação acadêmica a preparação
  25. para o trabalho (compreendendo-o em seu sentido histórico, mas sem deixar de firmar o
  26. seu sentido ontológico) e discutir os princípios das tecnologias a ele concernentes dão luz
  27. a elementos essenciais para a definição de um propósito específico para a estrutura
  28. curricular da educação profissional e tecnológica. O que se propõem é uma formação
  29. contextualizada, banhada de conhecimentos, princípios e valores que potencializam a
  30. ação humana na busca de caminhos mais dignos de vida. [...]
  31. Inicia-se a construção de uma instituição inovadora, ousada, com um futuro em
  32. aberto e, articulando-se com as redes públicas de educação básica, capaz de ser um centro
  33. irradiador de boas práticas. Os centros federais de educação tecnológica (CEFET’s), as
  34. escolas agrotécnicas federais e as escolas técnicas vinculadas às universidades que
  35. aceitaram o desafio desaparecem enquanto tal para se transformarem nos campi
  36. espalhados por todo o país, fiadores de um ensino público, gratuito, democrático e de
  37. excelência. Com os Institutos Federais iniciamos uma nova fase, abandonando o hábito
  38. de reproduzir modelos externos e ousando a inovar a partir de nossas próprias
  39. características, experiências e necessidades.

(PACHECO, Eliezer. Os Institutos Federais: uma revolução na educação profissional e tecnológica (Trecho). Brasília: MEC/SETEC. 2010. Disponível em <>. Acesso em 16/10/2016)

Relacionando o TEXTO 13 com o TEXTO 15, assinale a alternativa INCORRETA.

Alternativas da questão 2032638
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