Questão 1996211

Língua Portuguesa · 2018

Questão

ID 1996211

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2018 Banca: IBADE - Instituto Brasileiro de Apoio e Desenvolvimento Executivo Órgão: Prefeitura Municipal de Ji-Paraná


Texto para responder às questões de 53 a 60.

Escrever

Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva.

Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.

Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.

Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a “coisa” vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiro escrever e outro, podem-se passar anos.

Me lembro agora com saudade da dor de escrever livros.

Clarice Lispector. A descoberta do mundo, 1999. (Adaptado)



Sobre o texto, pode-se afirmar que:

I. a autora embebe-se em frases ininteligíveis que transcendem as palavras e as frases.

II. a palavra representaria um obstáculo, uma “maldição”, seria também a única saída, a própria “salvação”.

III. o ato de escrever é um gesto inevitável que está acima da vontade e das preferências pessoais do autor.

Está correto apenas o que se afirma em:

Alternativas da questão 1996211
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