Questão
ID 199365Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Metáfora
Ano: 2022 Banca: IFPI - Instituto Federal do Piauí Órgão: Instituto Federal do Piauí
O primeiro livro de cada uma de minhas vidas
Perguntaram-me uma vez qual fora o primeiro livro de minha vida. Prefiro falar do primeiro livro de cada uma das minhas vidas. Busco na memória e tenho a sensação quase física nas mãos ao segurar aquela preciosidade: um livro fininho que contava a história do patinho feio e da lâmpada de Aladim. Eu lia e relia as duas histórias, criança não tem disso de só ler uma vez: criança quase aprende de cor e, mesmo quase sabendo de cor, relê com muito da excitação da primeira vez. A história do patinho que era feio no meio dos outros bonitos, mas quando cresceu revelou o mistério: ele não era pato e sim um belo cisne. Essa história me fez meditar muito, e identifiquei-me com o sofrimento do patinho feio – quem sabe se eu era um cisne?
Quanto a Aladim, soltava minha imaginação para as lonjuras do impossível a que eu era crédula: o impossível naquela época estava ao meu alcance. A ideia do gênio que dizia: pede de mim o que quiseres, sou teu servo – isso me fazia cair em devaneio. Quieta no meu canto, eu pensava se algum dia um gênio me diria: “Pede de mim o que quiseres”. Mas desde então revelava-se que sou daqueles que têm que usar os próprios recursos para terem o que querem, quando consegue.
LISPECTOR, Clarice. O primeiro livro de cada uma de minhas vidas (Fragmento). In: LISPECTOR, Clarice. Aprendendo a Viver. Rio de Janeiro: Rocco, 2004. Disponível em: https:// www.rocco.com.br/pnld2018/aprendendoaviver/docs/ trecho_aprendendo_a_viver.pdf. Acesso em: 10 jul. 2022.
Em “[...] quem sabe se eu era um cisne.”, constata-se a presença de uma metáfora, como recurso estilístico do texto. Essa mesma figura de linguagem está presente em: