Questão
ID 199330Disciplina: Língua Portuguesa
Assuntos: Adjunto Adnominal Versus Complemento Nominal, Perífrase
Ano: 2022 Banca: IFPI - Instituto Federal do Piauí Órgão: Instituto Federal do Piauí
Leia o excerto da crônica “Meu reino por um pente”, de Paulo Mendes Campos, e analise que tipo de narrador está presente na história.
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Chego em casa com os meus pentes e os distribuo a mancheias. Dois para você, quatro para você – segundo o temperamento e a distração de cada um. Aviso a todos que vou colocar um no armário do quarto, um no banheiro, um em cada mesa de cabeceira, dois na minha gaveta. Terminada essa operação ostensiva, fico malicioso e furtivo; secretamente, vou escondendo outros pentes por todos os cantos e recantos, debaixo do colchão, no alto de um móvel, atrás do exemplar dos ‘Suspiros Poéticos e Saudades’. Em seguida, reúno solenemente toda a família, inclusive o Poppy, tiro do bolso um pente singular, o mais ordinário encontrável na praça, e digo: “Este é o meu pente; este ninguém usa; neste, sob pretexto algum, ninguém toca! Estão todos de acordo? Ou algum dos presentes deseja fazer alguma objeção?” Estão todos de acordo.
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(Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/meu-reino-por-um-pentecronica-de-paulo-mendes-campos/. Acesso em: 9 jul. 2022).
Leia o poema “Congresso internacional do medo”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão.
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Congresso internacional do medo
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1 Provisoriamente não cantaremos o amor,
2 que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
3 Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
4 não cantaremos o ódio, porque este não existe,
5 existe apenas o medo, nosso pai e nosso
6 companheiro,
7 o medo grande dos sertões, dos mares, dos
8 desertos,
9 o medo dos soldados, o medo das mães, o
10 medo das igrejas,
11 cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos
12 democratas,
13 cantaremos o medo da morte e o medo de
14 depois da morte.
15 Depois morreremos de medo
16 e sobre nossos túmulos nascerão flores
17 amarelas e medrosas.
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(ANDRADE, Carlos Drummond de. Obra Completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 2002.)
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Analise as afirmações sobre o poema e assinale a alternativa CORRETA.
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I. O título do poema sugere que o “medo” está em todas as partes e em todos os lugares. Essa dimensão se acentua no emprego dos termos que podem ser entendidos ora como adjuntos adnominais, ora como complementos nominais, causando uma ambiguidade de sentido que expande o sentido do substantivo “medo”. De fato, ao se referir ao “medo dos soldados” (linha 9), podemos entender como: o medo que os soldados têm (adjunto adnominal), ou como: o medo que os soldados causam (complemento nominal).
II. Quando o poeta refere-se a “Igrejas” (linha 10), “Sertões” (linha 7), “Mares” (linha 7) e “Desertos” (linha 8), verificamos a figura de linguagem metonímia, ou seja, as palavras destacadas podem simbolizar o lugar ou as pessoas que estão no lugar.
III. Na expressão “depois morreremos de medo” (linha 15), o termo “de medo” é classificado como adjunto adverbial de causa.
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É CORRETO o que se afirma em