Questão 1988612

Língua Portuguesa · 2022

Questão

ID 1988612

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Texto Dissertativo-expositivo

Ano: 2022 Banca: FAURGS - Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Órgão: Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul


Instrução: A questão 16 refere-se aos textos 1 e 2.

  1. A hipótese dominante na medicina social até
  2. meados dos anos 1970 era de que a elevação da renda
  3. e a saída da pobreza assegurariam boas condições de
  4. saúde aos indivíduos. A partir de 1985, alguns traba-
  5. lhos passaram a admitir que o impacto das condições
  6. socioeconômicas seria mais amplo, isto é, seus efeitos
  7. não apareceriam apenas sob condições adversas,
  8. associados ___ pobreza, mas também sob condições
  9. socioeconômicas mais favoráveis. Por exemplo, a
  10. mortalidade tende a decrescer sistematicamente _____
  11. melhoram as condições socioeconômicas, aferidas por
  12. indicadores de escolaridade, ocupação ou renda, utili-
  13. zados via de regra como marcadores intercambiáveis.
  14. Discussão semelhante vem ocorrendo acerca da
  15. relação entre diferenças raciais, étnicas e de gênero, e
  16. condições de saúde. O caso dos Estados Unidos, onde
  17. os negros apresentam taxas de mortalidade mais altas
  18. para praticamente todas as principais causas de morte,
  19. tornou-se emblemático. A partir de meados dos anos
  20. 1990, em paralelo aos estudos que analisavam ___
  21. condições de saúde partindo de atributos individuais
  22. (renda, educação, ocupação, cor/raça, idade, gênero),
  23. ganharam importância os estudos que destacavam os
  24. efeitos da desigualdade interna aos países, estados ou
  25. cidades sobre a saúde dos indivíduos. Estudos sobre os
  26. Estados Unidos demonstraram que populações que
  27. moram em áreas de maior desigualdade de renda vivem
  28. menos, independentemente da renda dessas áreas. As
  29. características da área de residência seriam melhores
  30. preditores das taxas de morbidade e mortalidade dos
  31. indivíduos do que suas características socioeconômicas.
  32. Assim, os determinantes sociais da saúde ganharam
  33. espaço no debate sobre os mecanismos que associam
  34. determinantes econômicos, psicológicos, culturais, com-
  35. portamentais e biológicos às condições de saúde dos
  36. indivíduos.
  37. Paralelamente, as relações entre sistemas de saúde,
  38. gasto em saúde e condições de saúde ganharam
  39. importância. Um estudo comparando as províncias
  40. canadenses constatou clara associação entre menor
  41. gasto em saúde e maiores taxas de mortalidade infantil
  42. e decréscimo na expectativa de vida. Outro estudo
  43. analisou a relação entre gasto público em saúde e
  44. condições de saúde em setenta países, em economias
  45. em desenvolvimento ou em transição e concluiu que as
  46. condições de saúde dos países pobres são significati-
  47. vamente piores do que as dos não pobres; que os
  48. primeiros são mais beneficiados pelo gasto público em
  49. saúde; e que esse efeito é reforçado pela escolaridade
  50. e pelo crescimento econômico.

Adaptado de: ARRETCHE, Marta (org.). Trajetórias das desigualdades: como o Brasil mudou nos últimos cinquenta anos. São Paulo: Editora da Unesp, 2015.

  1. Nos últimos tempos, uma doença dos olhos vinha
  2. me incomodando além da conta, de maneira que ler se
  3. tornava muito difícil. E tudo se agravava quando tinha
  4. que revisar meus textos, pois, além dos problemas de
  5. vista, minha grafia se tornava cada vez pior. Eram
  6. garranchos que eu _____ podia entender e que não
  7. ousava enviar para o Ministério ou para os editores.
  8. Nos bons tempos, era Carolina, com a paciência de
  9. sempre, quem me passava tudo a limpo, mas, agora,
  10. com os males dela, não tinha coragem de lhe pedir uma
  11. coisa dessas. Foi, então, que tive a ideia de testar o
  12. Hermenegildo. Trepado numa escada, ele arrumava os
  13. tomos de uma enciclopédia nas alturas de uma estante.
  14. – Hermenegildo, venha cá um instante.
  15. Ele desceu, limpando as mãos no pano de espanar.
  16. – Pois não, Sr. Machado.
  17. – Como é o seu cursivo?
  18. – O meu cursivo? – perguntou, coçando a cabeça.
  19. – Sim, a sua letra.
  20. – Acredito que não seja ruim, Sr. Machado.
  21. – Então, escreva alguma coisa aí – disse, esten-
  22. dendo-lhe um pedaço de papel e uma pena, para
  23. avaliar o seu cursivo.
  24. Ele pensou um pouco e redigiu. Peguei a folha de
  25. papel e vi que ele havia escrito versos de “Navio
  26. negreiro”, de Castro Alves.
  27. – Ah, então, gosta de poesia? – admirei-me, ao ver
  28. que ele reproduzia de cor os versos.
  29. – Gosto muito, Sr. Machado.
  30. Vi que ele tinha um belo cursivo, o que o tornava
  31. muito capaz de passar a limpo o documento.
  32. – Tenho uma tarefa para você. Vá até a sala de
  33. jantar, sente-se e copie isto para mim. Faça com
  34. capricho, mas lembre que tenho um pouco de pressa.
  35. Meia hora depois, ele voltava com o documento,
  36. copiado sem nenhum erro, em que tive apenas que
  37. apor minha assinatura.
  38. – Meus parabéns, Hermenegildo!
  39. – Obrigado, Sr. Machado. Quando precisar, é só
  40. falar – disse, com satisfação.
  41. – Não tenha dúvidas, logo, logo, precisarei de novo
  42. de seus préstimos.
  43. De fato, vinha elaborando um romance, _____ Esaú
  44. e Jacó, e as dificuldades com a minha letra impediam-me
  45. que trabalhasse a contento com a revisão. _______,
  46. ficava empacado numa página, por conta dos garranchos
  47. que rabiscara e que não conseguia, de forma alguma,
  48. traduzir. Tomei uma decisão: seria o Hermenegildo a
  49. passar a limpo as páginas de Esaú e Jacó. Foi o que lhe
  50. propus uns dias depois:
  51. – Queria que fosse passando a limpo este meu
  52. romance – e completei com uma risada: – Como
  53. poderá ver, está quase ilegível.

Adaptado de: GOMES, Álvaro Cardoso. Memórias póstumas de Machado de Assis. São Paulo: FTD, 2014.



Assinale a alternativa correta.

Alternativas da questão 1988612
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