Questão 196562

Língua Portuguesa · 2024

Questão

ID 196562

Disciplina: Língua Portuguesa

Assuntos: Orações Coordenadas Aditivas, Orações Subordinadas Adjetivas Explicativas

Ano: 2024 Banca: CESPE CEBRASPE - Centro de Seleção e de Promoção de Eventos UnB Órgão: Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande


Canção para os fonemas da alegria

Thiago de Mello


Peço licença para algumas coisas.

Primeiramente para desfraldar

este canto de amor publicamente.


Sucede que só sei dizer amor

quando reparto o ramo azul de estrelas

que em meu peito floresce de menino.


Peço licença para soletrar,

no alfabeto do sol pernambucano,

a palavra ti-jo-lo, por exemplo,


e poder ver que dentro dela vivem

paredes, aconchegos e janelas,

e descobrir que todos os fonemas


são mágicos sinais que vão se abrindo

constelação de girassóis gerando

em círculos de amor que de repente

estalam como flor no chão da casa.


Às vezes nem há casa: é só o chão.

Mas sobre o chão quem reina agora é um homem

diferente, que acaba de nascer:


porque unindo pedaços de palavras

aos poucos vai unindo argila e orvalho,

tristeza e pão, cambão e beija-flor,


e acaba por unir

a própria vida

no seu peito partida e repartida

quando afinal descobre num clarão


que o mundo é seu também, que o seu trabalho

não é a pena que paga por ser homem,

mas um modo de amar — e de ajudar


o mundo a ser melhor. Peço licença

para avisar que, ao gosto de Jesus,

este homem renascido é um homem novo:


ele atravessa os campos espalhando

a boa-nova, e chama os companheiros

a pelejar no limpo, fronte a fronte,


contra o bicho de quatrocentos anos,

mas cujo fel espesso não resiste

a quarenta horas de total ternura.


Peço licença para terminar

soletrando a canção de rebeldia

que existe nos fonemas da alegria:


canção de amor geral que eu vi crescer

nos olhos do homem que aprendeu a ler.


Thiago de Mello. Faz escuro mas eu canto. São Paulo: Global Editora, 2017.


Julgue os itens que se seguem, relativos à análise linguística do poema precedente.

No trecho, “quando afinal descobre num clarão / que o mundo é seu também, que o seu trabalho / não é a pena que paga por ser homem” (último verso da oitava e primeiro e segundo versos da nona estrofe), identificam-se tanto o processo de subordinação quanto o de coordenação entre orações.

Alternativas da questão 196562
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