Questão
ID 1941545Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Reorganização e Reescrita de Orações e Períodos
Ano: 2019 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de Sapucaia do Sul
Instrução: As questões de números 34 a 40 podem referir-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
Davi Lago
- Os dados de 2016 revelam que o brasileiro lê em média 2,43 livros por ano. O baixo
- índice de leitura é uma de nossas mazelas históricas e aponta para o empobrecimento dos
- debates brasileiros. Por óbvio, o repertório amplo de leituras contribui para o amadurecimento do
- espírito crítico do cidadão. O que é a realidade senão a leitura que fazemos dela?
- Conforme a pesquisa, entre as principais motivações que impulsionam os leitores
- brasileiros estão: o gosto pela leitura (25%), atualização cultural (19%), distração (15%),
- motivos religiosos (11%), crescimento pessoal (10%), exigência escolar (7%) e atualização
- profissional ou exigência do trabalho (7%). Todas essas motivações integram o papel civilizador
- da leitura. Já a primeira razão apresentada pelos leitores como obstáculo para o aumento da
- leitura é a falta de tempo (43%).
- De fato, ler não é tão simples. Ler não é uma atividade passiva, estática, mas dinâmica.
- Do mesmo modo que uma biblioteca não é um mero depósito silencioso de livros. Na leitura há o
- cruzamento de dois mundos e a possibilidade de se perceber as coisas através de outro ponto de
- vista. Um livro é um mundo: o mundo de leituras de seu autor dialogando com o mundo do
- leitor. Por isso, a leitura nunca será igual para dois leitores. Este processo é, sobretudo,
- civilizador. Como afirmou Mario Vargas Llosa quando recebeu o prêmio Nobel de Literatura em
- 2010: “um mundo sem literatura se transformaria num mundo sem desejos, sem ideais, sem
- desobediência, um mundo de autômatos privados daquilo que torna humano um ser humano: a
- capacidade de sair de si mesmo e de se transformar em outro, em outros, modelados pela argila
- dos nossos sonhos”.
- Sem dúvida, o Brasil avançou muito nos últimos trinta anos em termos de cidadania. A
- garantia dos direitos do cidadão foi uma preocupação central na elaboração da Constituição
- Federal de 1988. Nossa Carta Magna eliminou, por exemplo, um grande obstáculo à
- universalidade do voto, tornando-o facultativo aos analfabetos. Também conseguimos reduzir os
- números do analfabetismo: em 1991 a taxa de brasileiros com mais de 15 anos de idade
- analfabetos era de 19,7%, número reduzido para 7,2% em 2017, conforme dados do IBGE.
- Trinta anos depois da promulgação da Constituição, temos muitos eleitores, mas ainda
- carecemos de leitores. Ler é viver e conviver, é um esforço em compreender o outro. Com mais
- leitura a sociedade brasileira tecerá sua multiplicidade mais civilizadamente.
Fragmento adaptado. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/blog/matheus-leitao
Considere as seguintes propostas de alteração no texto:
I. A substituição de ‘autômatos’ (l. 18) por ‘autônomos” não implicaria alteração semântica no período, visto que o vocábulo atende pela dupla grafia.
II. O uso ‘se tornar’ em lugar de ‘se transformar’ (l. 19) manteria a relação sintática e semântica estabelecida no período.
III. A substituição de ‘nos últimos trinta anos’ (l. 21) por ‘no último triênio’ não provocaria nenhuma alteração no período.
IV. O deslocamento do pronome oblíquo que ocorre na linha 24 para imediatamente antes do verbo que o tem como complemento implicaria erro no que diz respeito à sintaxe de colocação.
V. A supressão do vocábulo ‘mais’ (l. 28 e 29) implicaria alteração semântica no período.
Quais estão corretas?