Questão
ID 1897953Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Derivação Sufixal
Ano: 2016 Banca: Legalle Concursos Órgão: Prefeitura Municipal de Júlio de Castilhos
Para responder às questões de números 01 a 10, leia o texto de Pablo Morenno, publicado no jornal Zero Hora.
A MULHER CRUCIFICADA
o atualiza e o explicita, o traduz e o contemporiza. O processo simbólico é o mesmo, por exemplo, quando se representa Jesus como negro, como índio, como cigano, ou como gaúcho. Mas __ , nesses casos, poucos se ofendem? __ o desconforto causado não é pela representação em si da crucificação. Isso acontece na Sexta-feira Santa, em filmes, peças teatrais, sem alvoroço. A "ofensa" é porque os ofendidos não acham digno o corpo sobre a cruz, uma vez que "impuro". E blasfêmia. se --- visão sobre Jesus dos homens de seu tempo. Ele era impuro, vivia com impuros (prostitutas, leprosos, cobradores de impostos). Jesus várias vezes enfrentou a ideia de impureza nos meios religiosos da época. Mas um relato me parece especial: quando trouxeram até ele uma prostituta para ser apedrejada. Quem não tiver pecado algum atire a primeira pedra. E cada um, começando pelos mais velhos, largou a sua pedra e foi embora. Os que trouxeram a mulher queriam salvar a religião do que achavam ser uma ofensa a princípios religiosos. Jesus demonstra que o tempo do apedrejamento já tinha passado. A Lei exigia outra interpretação. A cena na Paulista não foi um protesto. Foi uma denúncia, e como "instalação" artística cumpriu seu papel de causar desconforto. Porém, o desconforto não tem de ser com a instalação em si, um simulacro, mas contra aquilo do qual ela é metonímia: a violência real sofrida pelos gays. Sou cristão, católico praticante, e não me senti ofendido, mas incomodado. Não com a cena. Mas __ acusam seus realizadores pelo mesmo pecado que levou Jesus --- crucificação: blasfêmia.
A palavra "apedrejada" é formada por: