Questão 1895582

Língua Portuguesa · 2014

Questão

ID 1895582

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Análise das estruturas linguísticas do texto

Ano: 2014 Banca: UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina Órgão: Universidade Federal de Santa Catarina


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Texto 2

Cabecinhas feitas

Aos pais que se preocupam com o tempo que o filho passa na frente do computador, um

aviso: a coisa só tende a piorar. E isso pode ser bom. Educadores e profissionais da área de

tecnologia do mundo todo estão empenhados em uma cruzada para dar uma utilidade prática ao

fascínio da meninada por smartphones, tablets e laptops, e um dos caminhos são as aulas de

programação ministradas desde a mais tenra idade. A ideia é que crianças e adolescentes dominem

pelo menos uma linguagem dos códigos e, em vez de simplesmente usar o que já vem pronto no

computador, aprendam a pôr a máquina a seu serviço.

Embora pesquisas de maior calibre ainda estejam em curso, a experiência já sinaliza que o

exercício intelectual envolvido nesse aprendizado ajuda a desenvolver o raciocínio lógico e a

capacidade de resolver problemas. Um dos estudiosos da área, o polonês Jakub Lacki, técnico da

seleção de informática de seu país, enfatiza que, se bem administradas, as lições de programação

podem dar um impulso naquilo que é mais essencial à vida escolar: “O exercício de conversa com o

computador ajuda a sedimentar o conhecimento e a refletir sobre o que se aprende”.

Mesmo que ainda se debata como e quando os algoritmos devem entrar na vida da garotada,

ganha força a teoria que compara o ensino da programação ao de uma língua estrangeira: quanto

mais cedo, maior a capacidade de absorção. Mas que fique claro para pais que esperam milagres de

seus pequenos gênios: aos 5 anos, ninguém vai escrever códigos de verdade, tarefa que exige uma

maturidade intelectual que se pronunciará só lá pelos 10, 11 anos. O que os mais novinhos assimilam

é o abecê mais básico, conhecimento que provavelmente lhes dará mais traquejo para aprender o

que virá depois.

Muitas rodas de educadores são entusiastas da ideia de introduzir a linguagem dos códigos

que o computador entende na grade de matérias obrigatórias desde o jardim de infância. Do outro

lado do debate, há quem critique acrescentar mais essa obrigação à vida da meninada. Sobre um

ponto todos concordam: para iniciar-se no universo dos códigos, é preciso ter a ferramenta adequada

e, para a maioria, uma boa orientação – seja ela na escola ou em casa. Está comprovado que nos

bancos escolares a exploração dos códigos só dá certo mesmo se o professor souber se portar como

uma espécie de regente da investigação digital.

Se bem guiada, a garotada nascida e criada na era digital tem tudo para desenvolver as

habilidades latentes em sua geração. O aprendizado do algoritmo na escola pode contribuir ainda

para apagar duas imagens recorrentes: a de que a ciência da computação, tão crucial para o futuro, é

uma matéria indecifrável para os comuns mortais e a de que o menino ou a menina versado nessa

arte é um ser desinteressante e esquisito. Em outras palavras: o coding como segunda língua

universal dos jovens será a vingança dos nerds.

BORGES, Helena. Cabecinhas feitas. Veja, n. 17, p. 96-97, abr. 2014. [Adaptado]



Em relação ao Texto 2, assinale a alternativa CORRETA, conforme a norma padrão escrita.

Alternativas da questão 1895582
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