Questão 186365

Língua Portuguesa · 2015

Questão

ID 186365

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2015 Banca: IBGP - Instituto Brasileiro de Gestão e Pesquisa Órgão: Prefeitura Municipal de Lagoa Santa


TEXTO 1


Casa segura para idosos


(Por Marco Antônio Veado*


[1º§] O desenvolvimento de vacinas, a maior conscientização a respeito de uma boa alimentação e da prática regular de exercícios físicos e, principalmente, os avanços tecnológicos da medicina levaram ao aumento da longevidade da população brasileira, o que faz com que, cada vez mais, tenhamos a oportunidade de tratar o idoso em nossos hospitais. No Brasil, os idosos correspondiam a 4, 2% da população em 1950; já no ano de 2000, representavam 8, 6% e, em 2020, deverão corresponder a 14%. Comumente os idosos chegam para nosso atendimento principalmente como vítimas de quedas. A osteoporose, tão comum nessa etapa da vida, facilita sobremaneira a ocorrência de fraturas, mesmo nos traumas triviais, acontecidos em suas próprias residências. São comuns as fraturas ao nível do ombro, punho, coluna e fêmur, que necessitam, muitas vezes, de tratamento cirúrgico, com suas previstas e sérias complicações. Em 2011, desenvolvemos um trabalho sobre as fraturas do fêmur do idoso, que mostrou a importância dessa fratura, associada com alta mortalidade (25%) e perda funcional (30%) em um ano, com apenas 40% dos idosos ficando totalmente independentes nas atividades de vida diária após a fratura.

[2º§] O idoso atual tem um perfil bem diferente do idoso do passado. Aquela pessoa que ficava em casa de pijama e chinelos não mais representa o idoso atual, felizmente, hoje, mais envolvido em atividades físicas e sociais. Mas, apesar de todo esse avanço, continua grande a preocupação com as quedas nesse grupo etário. São várias as situações em que o idoso corre o risco de quedas. A tonteira ao se levantar devido à hipotensão postural é um exemplo: nunca se deve levantar rapidamente, é melhor permanecer sentado na cama por alguns segundos antes de ficar de pé. O déficit visual, a fraqueza muscular, calçados inadequados, tapetes escorregadios e mobílias mal posicionadas são outras causas comuns de quedas. Além dessas causas, também é frequente a perda do equilíbrio, devido ao efeito de medicamentos usados para dormir e aos ambientes mal iluminados.

[3º§] A Sociedade Brasileira de Ortopedia publicou, algum tempo atrás, um manual com importantes recomendações e detalhada especificação do mobiliário, para aumentar a segurança e o conforto do idoso dentro da sua própria casa. Importante reforçar que o idoso nunca deve estar sozinho, pois uma situação emergencial pode ocorrer a qualquer momento.

[4º§] A casa deve ser bem iluminada, evitando-se o piso liso e apresentando marcações nos caminhos, inclusive na parte externa. A sala de jantar e de visitas devem ser pintadas com cores claras e sempre com muita luz. Poltronas e sofás são extremamente importantes, por serem lugares onde o idoso vai passar a maior parte do seu tempo. Devem ser confortáveis, fáceis de levantar e de sentar, com assento firme e com braços. Normalmente, devem-se evitar tapetes e fios de telefone soltos pela casa nas áreas de passagem. Extremamente perigoso é andar de meia, fato comum no ambiente doméstico. Sempre se deve optar por pisos antiderrapantes e luz noturna nas áreas de circulação.

[5º§] No quarto de dormir, o leito deve ter uma altura que permita ao idoso apoiar os pés no chão, quando sentado na beira da cama. A mesa de cabeceira deve ter sempre as bordas arredondadas, fixas na cama ou na parede, para evitar deslocamento, caso a pessoa se apoie no móvel para se levantar. Um relógio digital, com números grandes, copos de plástico, telefone com números de auxílio, e um interruptor de luz de fácil acesso aumentam a segurança e o conforto do nosso idoso. Uma cadeira ou poltrona no quarto facilita o calçar das meias e sapatos.

[6º§] Recomendação especial é feita sobre os banheiros, local frequente de quedas, devido aos pisos escorregadios, e ao menor tamanho dos ambientes. A instalação de barras fixadas nas paredes, junto aos boxes e sanitários, também é fundamental. O fechamento do box nunca deve ser de vidro, preferindo uma porta de correr ou mesmo as cortinas plásticas. As fraturas do idoso são consideradas um problema de saúde pública em nosso país, devido à gravidade e às catastróficas consequências, devendo merecer total atenção de nossos governantes. País desenvolvido é aquele que cuida de suas crianças sem, entretanto, negligenciar os idosos.


*Especialista em cirurgia do ombro do Hospital Mater Dei, professor emérito da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais Fonte: Jornal Estado de Minas, 14/06/2015 - Caderno Opinião - texto adaptado.


Texto 3


A saúde da leitura


Por Luís Giffoni*


[1°§] A leitura deveria ser uma questão de saúde pública. Estudos realizados em vários países provaram que ela é um santo remédio para a cabeça: quem lê tende a chegar à velhice menos propenso à doença de Alzheimer. Outras pesquisas, feitas na Universidade Stanford, na Califórnia, mostraram que os neurônios envolvidos na leitura, quando exercitados com obras de ficção, como romances e contos, mantêm a aprendizagem intacta ao longo da vida. Livro significa musculação para os neurônios. Livro devorado, neurônio sarado. Além disso, os leitores assíduos apresentam maior confiança no relacionamento. O motivo é simples: o cérebro não distingue muito bem a literatura da realidade. Assim, mistura as tramas fictícias e os eventos verdadeiros enquanto absorve a diversidade de personagens, enredos e visões de mundo encontradas na literatura. Por fim, por meio do conhecimento adquirido, desenvolve a mente e o senso crítico. Uma curiosidade: a televisão não oferece esses benefícios. Ela entra por um olho e sai pelo outro.

[2º§] Os neurocientistas também constataram que a emoção precede a razão. Em outras palavras, quem possui maior experiência com as emoções raciocina melhor. E o que são os romances senão pílulas concentradas de emoção? Como se não bastassem tantas vantagens, na Universidade Tufts, nos Estados Unidos, uma pesquisadora confirmou que a leitura cria vias expressas no cérebro, através das quais os impulsos eletroquímicos circulam em velocidade de Fórmula 1. Posto de outra forma, quem lê raciocina mais rápido.

[3º§] Apesar de santo remédio, no Brasil, a leitura anda doente, nas últimas. Uma avaliação da UNESCO com estudantes de 66 países de todos os continentes colocou-nos entre os doze piores na capacidade de compreensão de texto. Nós, que chegamos a ser a sexta economia do mundo, lemos no nível das regiões mais subdesenvolvidas. Nossa nota não passou de 2 em 6. Quem se saiu melhor foram os chineses de Xangai, onde o governo encara a leitura com a devida seriedade e a considera uma questão econômica: sem bons leitores, o crescimento não se sustenta. De fato, a leitura é, também, uma questão econômica, como já demonstraram os sul-coreanos com sua histórica arrancada para o desenvolvimento. Ainda não aprendemos a lição. Pior para nós.

[...]

[4º§1 Num mundo cada vez mais competitivo, quem conhece mais leva a melhor. O conhecimento passa pela leitura, pela intimidade com a literatura, com a língua, com a capacidade de captar as nuances de um texto, perceber ironias, concordar ou discordar diante das ideias apresentadas. Na leitura se fundem a saúde, a economia, o entretenimento, a sabedoria. Bill Gates, numa famosa frase, disse que seus filhos teriam computadores, mas antes teriam livros. Disse mais: sem eficiente leitura, não se escreve a própria história. [...]

Leitura beneficia o cérebro

[5º§] [...] A revista Science, editada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência, publicou, em 2013, uma pesquisa que comprova, uma vez mais, a influência das obras de ficção no desempenho da teoria da mente, isto é, quem tem o costume de ler bons romances tende a melhor interpretar o estado mental de outras pessoas, sobretudo quando envolve características afetivas. Em outras palavras, a leitura de ficção ajuda o funcionamento do cérebro. Chegaram a dizer que ela permite ler a mente alheia, o que é um exagero. Detalhe curioso: um best-seller não produz resultado tão bom quanto uma obra literária de qualidade, com personagens complexas, analisadas em profundidade.

[6º§] Diversos estudos mostram que a leitura de ficção também acelera os circuitos cerebrais e prolonga a sobrevida de informações. Um deles indica que a fantasia trazida pela leitura - e o consequente aumento da densidade linguística que romances, contos e poemas oferecem - tende a prevenir problemas mentais na velhice, como a doença de Alzheimer. Outro detalhe curioso: quanto mais cedo lermos e cultivarmos a fantasia, melhores as chances de não ficarmos gagás. [...]

[7º§] Enquanto isso, no Brasil, insistimos em, cada vez mais, ler menos ficção. Menos e mal. Não custa repetir que, na mais recente comparação de capacidade de leitura feita pela UNESCO, entre mais de sessenta países, nós ficamos entre os doze piores, atrás do Chile, do Uruguai, do México e da Colômbia. O melhor desempenho veio dos chineses de Xangai. Lá existe a certeza de que a leitura e o progresso caminham juntos.

[8º§] Pouco tempo atrás, um político me confessou não entender o porquê de tanto barulho em tomo da má performance brasileira no ranking mundial de leitores, se a maioria dos pais de alunos das escolas públicas está satisfeita com o nível do ensino. A desculpa é perversa, com o aluno e com o país. Transforma projeto de poder em projeto para a nação. Seria o mesmo que não se importar em adicionar um veneno à merenda escolar que só vá surtir efeito daqui a trinta anos.

[9º§] Ler entretém, instrui, faz refletir, expõe nossas virtudes e limitações. Forma, em longo prazo, melhores cidadãos, conscientes de direitos e deveres. Além disso, cada vez mais, neurocientistas revelam que as obras de ficção têm a extraordinária capacidade de moldar, de preservar e de trabalhar com o cérebro. Leitura é musculação para os neuromos. Boa, barata, divertida, sem contraindicação. Não existe melhor remédio para a cabeça. Admite automedicação e receita de amigos. Leitura é uma questão de saúde pública. Só precisamos descobrir a pólvora.


*Luís Giffoni é escritor texto disponível em: http://observatoriodaimprensa.eom.br/armazem-literario/_ed813 _a_saude_ da_leitura, reproduzido d'O TREM ltabirano n º 108, agosto de 2014), acesso em 05/06/2015 - fragmento de texto adaptado.


No confronto entre os textos 1 e 3, observa-se que


I. ambos os textos propõem uma abordagem relacionada à saúde pública.

II. o texto 3 corrobora a perspectiva sobre o idoso, presente no texto 1.

III. o texto 3 extrapola a temática apresentada no texto 1.


Está(ão) CORRETA(s) a(s) afirmativa(s)

Alternativas da questão 186365
Pular para o conteúdo principal