Questão 1811077

Língua Portuguesa · 2024

Questão

ID 1811077

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2024 Banca: IBPTEC - Instituto Brasileiro de Pesquisa Tecnologia Ensino e Ciência Órgão: Prefeitura Municipal de Lagarto


TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 11 A 15

A Flor e a Náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,

vou de branco pela rua cinzenta.

Melancolias, mercadorias espreitam-me.

Devo seguir até o enjoo?

Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:

Não, o tempo não chegou de completa justiça.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações

e espera.

O tempo pobre,

o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.

O sol consola os doentes e não os renova.

As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas

sem ênfase.

(...)

Uma flor nasceu na rua!

Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do

tráfego.

Uma flor ainda desbotada

ilude a polícia, rompe o asfalto.

Façam completo silêncio, paralisem os negócios,

garanto que uma flor nasceu.

(...)

(ANDRADE, Carlos Drummond de. A Rosa do Povo. 1ª ed. — São Paulo: Companhia das Letras, 2012. )



De que maneira o eu lírico questiona a eficácia de suas ações e reflexões no trecho: "Devo seguir até o enjoo? Posso, sem armas, revoltar-me?"

Alternativas da questão 1811077
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