Questão 1810278

Língua Portuguesa · 2014

Questão

ID 1810278

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Emprego do Pronome Indefinido

Ano: 2014 Banca: Fundação CESGRANRIO Órgão: Financiadora de Estudos e Projetos


Texto I

NARRAR-SE

Sou fã de psicanálise, de livros de psicanálise,
de filmes sobre psicanálise e não pretendo desgrudar
o olho da nova série do GNT, Sessão de Terapia,
dirigida por Selton Mello. Algum voyeurismo nisso?
5 Total. Quem não gostaria de ter acesso ao raio-x
emocional dos outros? Somos todos bem resolvidos
na hora de falar sobre nós mesmos num bar, num
almoço em família, até escrevendo crônicas. Mas,
em colóquio secreto e confidencial com um terapeu-
10 ta, nossas fraquezas é que protagonizam a conversa.

Por 50 minutos, despejamos nossas dúvidas,
traumas, desejos, sem temer passar por egocêntri-
cos. É a hora de abrir-se profundamente para uma
pessoa que não está ali para condenar ou absolver, e
15 sim para estimular que você escute atentamente a si
mesmo e assim consiga exorcizar seus fantasmas e
viver de forma mais desestressada. Alguns pacientes
desaparecem do consultório logo após o início das
sessões, pois não estão preparados para esse en-
20 frentamento.

Outros levam anos até receber alta. E há os que
nem quando recebem vão embora, tal é o prazer
de se autoconhecer, um processo que não termina
nunca. Desconfio que será o meu caso. Minha psi-
25 canalista um dia terá que correr comigo e colocar um
rottweiler na recepção para impedir que eu volte. Já
estou bolando umas neuroses bem cabeludas para o
caso de ela tentar me dispensar.

Analisar-se é aprender a narrar a si mesmo. Pa-
30 rece fácil, mas muitas pessoas não conseguem falar
de si, não sabem dizer o que sentem. Para mim não
é tão difícil, já que escrever ajuda muito no exercício
de expor-se. Quem escreve está sempre se delatan-
do, seja de forma direta ou camuflada. E como temos
35 inquietações parecidas, os leitores se identificam:
“Parece que você lê meus pensamentos”. Não raro,
eles levam textos de seus autores preferidos para as
consultas com o analista, a fim de que aqueles escri-
tos ajudem a elaborar sua própria narrativa.

40 Meus pensamentos também são provocados por
diversos outros escritores, e ainda por músicos, jor-
nalistas, cineastas. Esse intercâmbio de palavras e
sentimentos ajuda de maneira significativa na nossa
própria narração interna. Escutando o outro, lendo o
45 outro, se emocionando com o outro, vamos escre-
vendo vários capítulos da nossa própria história e
tornando-nos cada vez mais íntimos do personagem
principal – você sabe quem. [...]

MEDEIROS, Martha. Revista O Globo. Rio de Janeiro, 07 out. 2012. Adaptado.


Texto II

EU

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

5 Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
10 Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

ESPANCA, Florbela. Livro de Mágoas. Lisboa: Editorial Estampa, s/d.

Tanto no Texto I quanto no Texto II, o recurso linguístico que tem diretamente a ver com o tema discutido é o uso de

Alternativas da questão 1810278
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