Questão
ID 1785749Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Antônimos
Ano: 2026 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de Flores da Cunha
Culpa: não sinta muito
Por Martha Medeiros
- A culpa não desgruda. Terminou com alguém que ainda o amava? Culpa. Foi indiferente
- à dor do outro (ou, pior, indiferente às suas conquistas)? Que feio. Não estava ao lado dos seus
- pais em seus momentos finais? Perdeu a conexão com os filhos? Acontece, mas o remorso não
- quer saber de explicação.
- Sejam físicas ou espirituais, nossas ausências, mesmo involuntárias, nos corroem vida
- afora. E nem falei das culpas que nos autoinfligimos por termos cedido __ covardia, ao invés
- de tomar a decisão que mudaria nossa história.
- É mais fácil ser inimigo de si mesmo do que chutar o balde e magoar dois ou três, se bem
- que a culpa não escolhe lado neste caso. É o clássico “se correr o bicho pega, se ficar o bicho
- come”.
- Uns 15 anos atrá...., li um pequeno e ótimo livro sobre o assunto, chamado O sentimento
- de culpa, de Paulo Sergio Guedes e Julio Walz (edição dos autores). Eles me fizeram entender
- a onipotência que sustenta essa relação credor/devedor, e que a verdadeira libertação está em
- se responsabilizar pelos seus atos, sem martirizar-se.
- Sentir-se culpado é um desperdício de energia que é recompensado, incon....ientemente,
- pela importância que estamos nos dando. Ainda assim, de vez em quando, me pego
- alimentando esse monstro chamado culpa, que ataca principalmente as relações familiares,
- onde estão aqueles de quem mais cobramos e a quem mais devemos.
- São muitas promessas feitas em nome de um afeto obrigatório e pretensamente
- indestrutível. Maridos e mulheres são induzidos a manter a eternidade de um laço que, com o
- passar dos anos, pode afrouxar, sem que tenha havido má-fé de nenhuma das partes – por
- que se culpar?
- Pais e filhos têm seus direitos e deveres atravessados pelo que nunca pode ser previsto:
- os desvios naturais de rota e o livre arbítrio de cada um, que muitas vezes destoa do que se
- espera. A culpa nem sempre nasce de uma ação incorreta ou maldosa: ela quase sempre nos
- invade por não termos conseguido realizar o que o outro espera de nós.
- Por isso, mais uma vez, a amizade se destaca em sua nobreza. Ninguém culpa um amigo
- que foi morar em outro país ou que fica muito tempo sem dar notícias: não há abandono nem
- e....pectativas a atender; é um gostar-se sem exclusividade nem contrato. Se acaso as
- afinidades se desfizerem, nem assim colocaremos o dedo na cara do amigo: aceita-se em paz
- os humores do destino. Amigos não embaçam: desatam nós com habilidade e dormem bem
- ___ noite. Raramente dão motivos para a insônia alheia. Já as culpas geradas pelo parentesco
- tornam-se existenciais e crescem como tumores.
- Por dar a esse monstro insaciável o nome de amor, não temos coragem de fazer o que
- se deve: deixar ___ culpa morrer de fome.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2026/05/culpa-nao- sinta-muito-cmokq8t0o01do0123loqadbtf.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa INCORRETA em relação à palavra “indiferente”, presente no trecho a seguir, retirado do texto.
“Foi indiferente à dor do outro (ou, pior, indiferente às suas conquistas)?”