Questão
ID 1772731Disciplina: Sociologia (Ciências Sociais)
Assunto: Cibercultura e Internet
Ano: 2015 Banca: AMEOSC - Associação dos Municípios do Extremo Oeste de Santa Catarina Órgão: Prefeitura Municipal de São Miguel do Oeste
(Texto)
Na sala de medicamentos de um hospital desconhecido, o paciente se preparava para receber
as injeções. Então, começam-se os gritos. O sofrimento do sujeito vai além das dores causadas
pela agulha. É perturbador. Seria um surto psicológico? "Não massageia não, hein. Não
massageia não, senão fica roxo", disse a mesma profissional, ignorando o desespero do
5 doente, de quem gargalha do sofrimento. Suficientemente chocante, a cena silenciou todos os
presentes numa "sala" de WhatsApp. O vídeo foi enviado por um jovem profissional de saúde,
que o compartilhou com um aviso: "É isto que eu tenho que aturar em hospital".
O ambiente online modificou relações sociais, transformando qualquer pessoa não só em
público como produtor de conteúdo. Se no passado apenas assistíamos a programas de
10 televisão, hoje podemos criar programas sobre o que assistimos. E com as redes sociais, esse
antigo público viu uma plataforma de difusão das suas ideias.
Mas, enquanto tem gente que ganha fama se expondo, outros preferem se promover pela
exposição alheia. E a necessidade por atenção vira crime. "Falta legislação no Pais que trate de
crimes digitais", considera a advogada especialista em Direito Penal e professora da Faculdade
15 de Direito de são Bernardo, Célia Nilander. "Junto com a internet vieram situações novas e o
Código Penal não tem leis especificas." Segundo a advogada, cada violação é enquadrada em
categorias diferentes. O vídeo em questão envolve crime contra a honra, mas as violações na
internet englobam muito mais: preconceito, crime de ameaça, difamação e calúnia. E as penas
variam entre três meses e dois anos de reclusão ou pagamento de multa. A advogada também
20 avisa: "Quem compartilha conteúdo criminoso é punido do mesmo modo que seu autor".
O sociólogo Sergio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC, diz que os crimes
digitais são extensões da criminalidade já existente, por isso devem se enquadrar no Código
Penal. O estudioso afirmou que a internet não é a grande vilã: "A internet não cria um cenário
de crimes, mas sim um cenário de interações". Questionado sobre o que um cidadão deve
25 fazer ao receber um vídeo discriminatório, Sergio recomendou a procura por entidades
defensoras dos direitos humanos. "É Importante recorrer aos órgãos responsáveis: a
Defensoria Pública do seu estado ou a Secretaria Nacional de Direitos Humanos".
(Adaptado de Rafael Revadam - Extraído de Brasil Post -13/11/2015)
Em relação às ideias do texto, analise as proposições e assinale a alternativa correta:
I. O vídeo divulgado pelo Whatsapp tratava-se de uma encenação de artistas.
II. A internet é também uma plataforma de divulgação de ideias.
III. São considerados crimes os atos de preconceito e discriminação mesmo que praticados “online”.
IV. A internet não é a responsável pelos abusos cometidos no ambiente “online”, ela apenas aumenta a propagação dos ocorridos.