Questão
ID 1766977Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Possibilidades de Paralelismo
Ano: 2014 Banca: FCC - Fundação Carlos Chagas Órgão: Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul
Atenção: Para responder às questões de números 1 a 5, considere o texto abaixo, de Hélio Schwartsman.
Fotos, macacos e deuses
1 SÃO PAULO − Segundo a Wikipedia, o direito au-
toral do autorretrato, o "selfie" para usar o termo da
moda, que uma macaca fez com o equipamento que
furtara de um fotógrafo pertence ao animal. A dis-
5 cussão surgiu porque David Slater, o dono da máquina,
pedira aos editores da enciclopédia que retirassem a
imagem por violação de direitos autorais.
Como piada, a argumentação da Wikipedia fun-
ciona bem. Receio, porém, que essa linha de raciocínio
10 deixe uma fronteira jurídica desguarnecida. Se os di-
reitos pertencem à macaca, por que instrumento legal
ela os cedeu à enciclopédia?
Não são, entretanto, questiúnculas jurídicas que
eu gostaria de discutir aqui, mas sim a noção de auto-
15 ria. Obviamente ela transcende à propriedade do equi-
pamento. Se a foto não tivesse sido tirada por uma ma-
caca, mas por um outro fotógrafo com a máquina de
Slater, ninguém hesitaria em creditar a imagem a esse
outro profissional.
20 Só que não é tão simples. Imaginemos agora que
Slater está andando pela trilha e, sem querer, deixa
seu aparelho cair no chão, de modo que o disparador é
acionado. Como que por milagre, a máquina registra
uma imagem maravilhosa, que ganha inúmeros prê-
25 mios. Neste caso, atribuir a foto a Slater não viola nos-
sa intuição de autoria, ainda que o episódio possa ser
descrito como uma obra do acaso e não o resultado de
uma ação voluntária.
A questão prática aqui é saber se o "selfie" da
30 macaca está mais para o caso do fotógrafo que usa a
máquina de outro profissional ou para o golpe de sorte.
E é aqui que as coisas vão ficando complicadas. Fazê-lo
implica não só decidir quanta consciência devemos atri-
buir à símia mas também até que ponto estamos dispos-
31 tos a admitir que nossas vidas são determinadas pelo
aleatório. E humanos, por razões evolutivas, temos
verdadeira alergia ao fortuito. Não foi por outro motivo
que inventamos tantos panteões de deuses.
(Folha de S.Paulo, A2 opinião, 09/08/2014)
Fazê-lo implica não só decidir quanta consciência devemos atribuir à símia mas também até que ponto estamos dispostos a admitir que nossas vidas são determinadas pelo aleatório.
O trecho destacado acima recebeu formulações alternativas, abaixo transcritas. A única que prejudica o sentido original é: