Questão 1766972

Língua Portuguesa · 2014

Questão

ID 1766972

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Ambiguidade

Ano: 2014 Banca: FCC - Fundação Carlos Chagas Órgão: Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul


Atenção: Para responder às questões de números 6 a 15, considere o texto abaixo, conferência pronunciada por Joaquim Nabuco a 20 de junho de 1909 na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos.

1 Viajando uma vez da Europa para o Brasil, ouvi o

finado William Gifford Palgrave, meu companheiro de me-

sa, escritor inglês muito viajado no Oriente, perguntar ao

comandante do navio que vantagem lhe parecia ter

5 advindo da descoberta da América. Por sua parte, não

lhe ocorria nenhuma, salvo, apenas, o tabaco. Foi a pri-

meira vez que ouvi exprimir essa dúvida, mas anos de-

pois vim a comprar um velho livro francês, de um Abbé

Genty, livro intitulado: L’Influence de la découverte de

10 L'Amérique sur le bonheur du genre humain, e soube en-

tão que a curiosa questão havia sido proposta seriamente

para um prêmio pela Academia de Lyon, antes da Revo-

lução Francesa, e que estava formulada do seguinte mo-

do: "Tem sido útil ou prejudicial ao gênero humano a des-

15 coberta da América?". O trabalho de Genty não passa,

em seu conjunto, de uma declamação oca, onde não há

nada a colher além da esperança que o autor exprime na

regeneração da humanidade pela nova nação americana.

Na independência dos anglo-americanos, vê "o sucesso

20 mais apto a apressar a revolução que reconduzirá a felici-

dade à face da Terra". E acrescenta: "É no seio da Repú-

blica recém-nascida que se acham depositados os verda-

deiros tesouros destinados a enriquecer o mundo". O li-

vro merece por isso ser conservado, mas a época em

25 que foi escrito, 1787, não permitia ainda que se pudesse

avaliar a contribuição do Novo Mundo para o bem-estar

da humanidade. Era já a aurora do dia da América, mas

nada mais senão a aurora. George Washington presidia à

Convenção Constitucional, porém a influência desse

30 grande acontecimento ainda não fora além do choque

causado ao Velho Mundo. Ainda não produzira a Revolu-

ção Francesa. Sua importância não podia por enquanto

ser imaginada.

Há na vida das nações um período em que ainda

35 não lhes foi revelado o papel que deverão desempenhar.

O feitio que a influência romana tomaria não podia ser

previsto nem nos grandes dias da República. Uma con-

versa entre César e Cícero sobre o papel histórico da

Gália ou da Bretanha não poderia levar em conta a

40 França ou a Inglaterra. Hoje mesmo, quem poderia dizer

algo de essencial sobre o Japão ou a China? Do Japão,

pode-se afirmar que, para o mundo exterior, está apenas

na aurora. Quanto à China, continua velada na sua longa

noite, brilhando apenas para si própria. Na história da

45 humanidade, a impressão de qualquer um deles poderá

sequer imaginar-se? Mas já se pode estudar a parte da

América na civilização. Podemos desconhecer suas

possibilidades no futuro, como desconhecemos as da

eletricidade; mas já sabemos o que é eletricidade, e

50 também conhecemos a individualidade nacional do vosso

país. As nações alcançam em época determinada o

pleno desenvolvimento de sua individualidade; e parece

que já alcançastes o vosso. Assim podemos falar com

mais base que o sacerdote francês nas vésperas da

Revolução Francesa.

(A parte da América na civilização. In Essencial Joaquim Nabuco. org. e introd. Evaldo Cabral de Mello. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2010, p. 531/532)



Viajando uma vez da Europa para o Brasil, ouvi o finado William Gifford Palgrave, meu companheiro de mesa, escritor inglês muito viajado no Oriente, perguntar ao comandante do navio que vantagem lhe parecia ter advindo da descoberta da América. Por sua parte, não lhe ocorria nenhuma, salvo, apenas, o tabaco.

Considerada a passagem acima, o texto legitima o comentário expresso em:

Alternativas da questão 1766972
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