Questão 176201

Língua Portuguesa · 2025

Questão

ID 176201

Disciplina: Língua Portuguesa

Assuntos: Compromisso Social da Leitura, Conto, Ensino de Literatura

Ano: 2025 Banca: Instituto Legatus - Legatus Órgão: Prefeitura Municipal de Antônio Almeida


Leia o texto e responda as questões de 01 a 05.


"O Alienista"


No vilarejo de Itaguaí, o renomado Dr. Simão Bacamarte decide construir a Casa Verde, um espaço dedicado ao estudo da mente humana. Sua intenção é diagnosticar e acolher os chamados "loucos", buscando delimitar os domínios da razão e da loucura.

Inicialmente, são internados indivíduos com comportamentos realmente anômalos, mas logo o alienista amplia os critérios, incluindo sutis excêntricas. Isso provoca estranhamento na comunidade, que passa a questionar sua sanidade e autoridade científica.

A Casa Verde logo se enche, e a população local começa a temer o poder arbitrário do médico. O barbeiro Porfírio, figura influente na vila, lidera manifestações contra aqueles que são internados sem justificativa clara.

Em resposta, Bacamarte reafirma seu compromisso com a ciência e a seriedade de seus atos, recusando justificações a leigos. Isso intensifica o atrito entre a prática científica e a sensibilidade social dos moradores.

As tensões culminam na chamada "Revolta dos Canjicas", organizada por Porfírio, que deseja destruir a Casa Verde para retomar o controle cívico do vilarejo. No entanto, o conflito expõe a fragilidade da racionalidade em meio à mobilização popular.

Curiosamente, Bacamarte não recua, e sua dedicação extrema reforça tanto a crítica ao cientificismo quanto o questionamento da própria sanidade do alienista - afinal, quem define o padrão da normalidade?

Em seguida, a maioria da população é acometida por critérios diagnósticos flexíveis e internada, demonstrando o absurdo do método. A Casa Verde se torna símbolo de controle e opressão travestida de ciência.

Por fim, Bacamarte conclui que a sanidade é praticamente impossível - ele decide internar a si mesmo, isolando-se, até o fim de seus dias. O leitor é deixado a refletir sobre os limites do saber humano e seu potencial opressivo.


(Machado de Assis. Fonte: ASSIS, M. de. O Alienista. ln: Papéis Avulsos. Rio de Janeiro: Garnier, 1882. Adaptado.)

O conflito entre o barbeiro Porfírio e Simão Bacamarte simboliza, principalmente,

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