Questão
ID 17503Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Função Textual dos Vocábulos
Ano: 2022 Banca: INSTITUTO BAHIA Órgão: Prefeitura Municipal de Malhada de Pedras
TEXTO PARA AS QUESTÕES DE 01 A 05
Paradoxalmente, rádio e televisão podem
oferecer-nos o mundo inteiro em um instante, mas o
fazem de tal maneira que o mundo real desaparece,
restando apenas retalhos fragmentados de uma realidade
desprovida de raiz no espaço e no tempo. Como, pela
atopia das imagens, desconhecemos as determinações
econômico-territoriais (geográficas, geopolíticas etc.) e como,
pela acronia das imagens, ignoramos os antecedentes
temporais e as consequências dos fatos noticiados, não
podemos compreender seu verdadeiro significado.
Essa situação se agrava com a TV a cabo, com
emissoras dedicadas exclusivamente a notícias,
durante 24 horas, colocando em um mesmo
espaço e em um mesmo tempo (ou seja, na tela) informações
de procedência, conteúdo e significado completamente
diferentes, mas que se tornam homogêneas pelo modo
de sua transmissão. O paradoxo está em que há uma
verdadeira saturação de informação, mas, ao fim, nada
sabemos, depois de termos tido a ilusão de que fomos
informados sobre tudo. Se não dispomos de
recursos que nos permitam avaliar a realidade e
a veracidade das imagens transmitidas, somos
persuadidos de que efetivamente vemos o mundo
quando vemos a TV. Entretanto, como o que
vemos são as imagens escolhidas, selecionadas,
editadas, comentadas e interpretadas pelo transmissor
das notícias, então é preciso reconhecer que a TV
é o mundo. É este o significado profundo da atopia
e da acronia, ou da ausência de referenciais concretos
de lugar e tempo – ou seja, das condições materiais,
econômicas, sociais, políticas, históricas dos acontecimentos.
Em outras palavras, essa ausência não é uma falha ou
um defeito dos noticiários e sim um procedimento
deliberado de controle social, político e cultural.
(Marilena Chauí, Simulacro e poder – uma análise da mídia. 2006)
No que se refere à análise linguística do texto, julgue as assertivas abaixo:
I. O vocábulo “como”, em “como o que vemos são as imagens escolhidas”
(linha 25 e 26) apresenta o valor semântico de comparação.
II. O termo “se”, em “se não dispomos” (linha 22) apresenta o mesmo
valor morfossintático de “se”, em “mas que se tornam homogêneas”
(linha 16 e 17), expressando uma circunstância de condição
em relação a oração anterior, caracterizando-se como conjunção
subordinativa integrante.
III. “(...) mas, ao fim (...)” (linha 19) garante a progressão temática
das ideias, introduzindo uma comparação por contraste.
IV. Em “(...) essa ausência não é uma falha ou um defeito
dos noticiários e sim um procedimento deliberado de
controle social, político e cultural” (linha 34 a 36) o
termo em destaque tem valor adversativo.
V. O vocábulo “e” em “colocando em um mesmo
espaço e em um mesmo tempo” (linha 13 e 14)
apresenta o mesmo valor semântico de “e” em “que
nos permitam avaliar a realidade e a veracidade
das imagens transmitidas” (linha 22 a 24).
Está correto o que se afirma: