Questão
ID 1745804Disciplina: Filosofia
Assunto: Felicidade
Ano: 2016 Banca: CONSULTEC Órgão: Prefeitura Municipal de Ilhéus
TEXTO:
Presencia-se, na atualidade, uma concepção
difundida de que a lógica capitalista, com o auxílio da
publicidade, especula a felicidade como dependente da
satisfação dos desejos materiais do homem.
5 Tal fato contraria a ótica do início do século 20,
como observa o sociólogo Max Weber no livro A ética
protestante e o espírito do capitalismo, quando eram as
leis suntuárias que mostravam ao ser humano o que
deveria ser consumido e o que era preciso fazer para
10 ser feliz. Isso mostra como a sociedade moderna, por
influência ou não da publicidade comercial, pode se
organizar diante da felicidade. Nisso não parece haver
implícita ideia religiosa que prometa o paraíso na vida
eterna. Pelo contrário, como evidencia o pai da
15 psicanálise, Sigmund Freud, talvez a felicidade consista
em poder do narcisismo.
Nesse contexto, podemos deduzir que o discurso
publicitário leva, muitas vezes, o indivíduo a acreditar
naquilo que é dito e a lutar e buscar todo o prazer
20 proporcionado pelo consumo daquilo que é anunciado.
O significado das mercadorias associadas como valor
de uso passa a ser disseminado como dizendo respeito
a características que representam o ideal de felicidade
da sociedade, por exemplo. Para a publicitária e mestre
25 em Sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco,
(UFPE) Lívia Valença da Silva, “esta felicidade abrange
uma realização pessoal e profissional que envolve boa
aparência e desenvoltura, aprovação social, conforto e
bem-estar, estabilidade econômica, status, sucesso no
30 amor e no mercado de trabalho, entre tantos outros
elementos”.
Seguindo essa linha de raciocínio, o psicanalista
Jurandir Freire Costa, na obra A ética e o espelho da
cultura, enfatiza que o homem tem, muitas vezes,
35 a tendência de acompanhar as metamorfoses sociais,
e com todas as mudanças no cotidiano, acaba moldando-se
a elas, sem, muitas vezes, se questionar. Mas, segundo
o psicanalista, quando o sujeito se apercebe num
emaranhado de atribuições disseminadas pela
40 publicidade que nem sempre foram pensadas e
analisadas, é que chegam os conflitos e desamparos,
porque perdem, muitas vezes, a noção de singularidade
para serem mais um na multidão.
Com efeito, o sociólogo Jean Baudrillard frisa
45 que na cultura do consumo, na qual o homem
contemporâneo se encontra inserido: “Como a
‘criança-lobo’ se torna lobo à força de com ele viver,
também nós, pouco a pouco, nos tornamos funcionais.
Vivemos o tempo dos objetos; quero dizer que existimos
50 segundo seu ritmo e em conformidade com sua
sucessão permanente”.
Ademais, atualmente o pensamento mais
comumente evocado parece com um gozo excessivo
proporcionado pela conquista do desejo de consumo
55 aspirado pelo indivíduo. Isso tem tornado os homens
vivenciadores de crises de referências, como bem
atestam alguns psicanalistas, à medida que percebem
que não só a mídia (publicidade), mas o meio que o
cerca tem muitas vezes a capacidade de artificializar
60 as relações humanas, fazendo com que não tenha
vontade própria, realizando o desejo e a vontade dos
outros e não as suas.
[...]
Nesse contexto, Freud se refere aos “mal-estares”
da nossa civilização, como nada mais que uma economia
65 libidinal baseada no gozar. Enquanto, por exemplo, a
mais-valia sustenta a economia capitalista em Karl Marx,
o gozo sustenta a economia libidinal no sujeito em
Freud. Argumenta que o indivíduo enquanto goza, não
só no concernente à sexualidade, mas também na
70 aquisição de bens de consumo, considera-se feliz.
Tendo em vista o anúncio cobiçoso como
disseminador da felicidade e, levando em consideração
o desenvolvimento tecnocientífico que promete a
felicidade através do Prozac, do apartamento à
75 beira-mar, entre outras possibilidades, o psicólogo
Martin Seligman, no livro Felicidade Autêntica, expressa
algo muito interessante. Diz que o homem, aceitando
suas limitações diante da felicidade, pode estruturar-se,
entre outras possibilidades, na interface entre o
80 prazer, o engajamento e o significado.
Prazer, em se tratando da situação agradável de
quando se ouve uma boa música ou se faz sexo. Já o
engajamento é a profundidade de envolvimento da pessoa
com sua vida. Finalmente o significado, como a sensação
85 de que a vida faz parte de algo maior. Salienta também,
em suas pesquisas, que um dos maiores erros das
sociedades contemporâneas é concentrar a busca da
felicidade em apenas um dos três pilares, esquecendo
os outros. Sendo que as pessoas escolhem justo o mais
90 fraco deles. Enfatiza que o engajamento e o significado
são elos indispensáveis na vida do ser humano frente à
felicidade.
BARBOSA, A. Ronaldo. Como a sociedade moderna se organiza diante da felicidade. Disponível em: <http://ivonaldo-leite.blogspot.com.br/2014/11/a-vida-felicidade-e-as-escolhas-o.html>. Acesso em:1ºmar. 2016.
Para o psicólogo Martin Seligman, a felicidade não é alcançada em virtude da