Questão 1741928

Língua Portuguesa · 2022

Questão

ID 1741928

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2022 Banca: VUNESP - Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista Órgão: Universidade Estadual Paulista


Leia o texto para responder às questões de números 05 e 06.

De pé sobre uma plataforma, o papagaio kea (pronuncia-se “kia”) contempla dois frascos cheios de pedacinhos de madeira (metades de pregadores de roupa) pintados de laranja ou preto. Ele foi treinado para saber que os pretos podem ser trocados por comida, enquanto os cor de laranja não valem nada. Do outro lado dos frascos, duas jovens pesquisadoras, ao mesmo tempo, retiram algo de dentro do frasco e apresentam mãos fechadas ao papagaio, que deve escolher uma delas. Sem ver que cor elas pegaram, ele deve adivinhar. De acordo com um artigo publicado, essas aves neozelandesas são bastante boas no jogo e acertam frequentemente. A surpresa: parecem fazer isso por meio de cálculos estatísticos, algo que só os primatas de cognição mais avançada – seres humanos e chimpanzés – até agora mostraram conseguir.

O experimento envolveu seis machos, em três etapas de crescente complexidade. A primeira envolvia apresentar frascos com diferentes combinações de objetos das duas cores para averiguar se os papagaios estavam avaliando o número de cada um ou sua proporção relativa.

Em outra etapa do experimento, as aves também precisavam reconhecer as intenções das pesquisadoras, em uma demonstração de habilidade social que vai além da própria espécie. Uma delas retirava do frasco um prendedor, ao acaso, ostensivamente olhando para o alto. Outra pesquisadora escolhia, procurando com atenção, os prendedores pretos, mesmo que fossem escassos. Três dos kea perceberam e passaram a optar pela mão da pesquisadora tendenciosa, independentemente do conteúdo do frasco.

Sendo as primeiras aves a demonstrar esse tipo de capacidade cognitiva (não foi o caso para papagaios-do-congo, em estudo anterior por outro grupo), os kea podem inspirar mais do que pesquisadores interessados em inteligência animal, segundo a bióloga. “Eles têm o cérebro do tamanho de uma noz, com neurônios pequenos, leves e muito densos”, explica. É uma estrutura muito diferente da encontrada em mamíferos, que dependem da região chamada córtex para a inteligência complexa. As aves não têm córtex, e por isso foi tradicionalmente pressuposto que tenham limitações cognitivas. “Talvez seja possível se inspirar na estrutura do cérebro delas para desenvolver sistemas de inteligência artificial que consigam fazer esses tipos de julgamento que integrem informações”, propõe a bióloga Amalia Bastos, responsável pelo estudo.

(Maria Guimarães. Papagaios que “calculam”. https://revistapesquisa.fapesp.br, março de 2020. Adaptado)



A partir da leitura do texto, é correta a afirmação:

Alternativas da questão 1741928
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