Questão 1739286

Língua Portuguesa · 2023

Questão

ID 1739286

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2023 Banca: IBAM - Instituto Brasileiro de Administração Municipal Órgão: Prefeitura Municipal de Guaxupé


TEXTO 2

A onça valentona e o raio poderoso

Povo Taulipang

Os velhos do povo Taulipang contam que, antigamente, lá no início dos tempos, (...) a onça era muito metida a besta. Gostava de aparecer e amedrontar todo mundo, todos os animais. Fazia isso para poder se alimentar, mas fazia também para convencer a todos que ela era a mais poderosa do lugar.

Um dia ela encontrou um moço muito formoso à beira de um rio. Ele estava preparando um bastão. Sua distração era tanta que nem percebeu a onça aproximar-se às suas costas.

Ela chegou, então, de supetão e lançou-se sobre o estranho. Embora ela quisesse devorá-lo, não o fez naquele momento, pois antes queria humilhar sua presa. Por isso a onça apenas passou por cima do moço que permaneceu impassível. Ele apenas levantou os olhos e a cumprimentou.

- Olá, meu cunhado - disse a onça - queria saber se você é tão forte quanto eu. Eu quebro tudo o que vejo na minha frente. Você quer ver?

Nem esperou a resposta de Raio, como se chamava o moço. Imediatamente subiu na árvore carimbé e a quebrou totalmente. Foi sobre a árvore paricá e a estraçalhou com sua força descomunal. Desceu ao chão e cavou com suas garras, destruindo tudo à sua frente.

- Viu como sou forte, meu cunhado? Sou forçuda. Nada pode me deter. Agora eu quero ver sua força.

Raio permaneceu imóvel onde estava. Apenas comentou:

- Não sou forte como você, cunhada. Não tenho a força.

Não convencida, a onça mostrou mais uma vez sua força soltando fortes urros que foram ouvidos por toda a terra. Subiu em outras árvores e as destruiu sem dó nem piedade. Quando acabou sua demonstração e em prova de sua coragem, sentou-se de costas para Raio. Ele levantou-se de seu lugar e passou a agitar seu bastão produzindo faíscas, trovões, trovoadas, coriscos e toda sorte de barulho. Atordoada, a onça despencou no chão. Raio a pegou pelas pernas e a atirou bem longe dali.

Não sabendo o que pensar, a onça começou a fugir tentando encontrar um abrigo para se esconder. No entanto, para onde quer que corresse, Raio ia até ela e a descobria: ela correu para esconder-se nos rochedos, Raio foi lá e partiu os rochedos ao meio; ela subia nas árvores, Raio mandava seus raios sobre elas e as queimava inteiras obrigando a onça a procurar novos lugares. Ela enfiou-se no buraco do tatu gigante, Raio abriu a terra com seus raios poderosos e a fez fugir.

Eram tantos os poderes daquele jovem que apareceram chuvas, ventos, coriscos e deixaram tudo muito frio. Tão frio que a onça não podia mais correr para lugar nenhum.

Quando Raio viu a onça toda encolhida e medrosa, deitada sobre o próprio rabo, encaminhou-se para ela e ergueu as mãos como se fosse mandar um raio direto no coração do bichano. Mas não foi o que aconteceu. Na verdade, Raio parou diante do bicho todo acuado.

- Você viu, minha cunhada? Eu tenho a força muito maior do que a sua e nada pode me parar. E melhor que você não queira se achar toda poderosa antes de conhecer seu adversário. Agora eu vou embora, mas você sempre vai lembrar de mim.

Já toda envergonhada e cabisbaixa, a onça foi para sua casa.

Dizem os velhos desse povo, que é por isso que, até hoje, a onça tem tanto medo de trovoada. E que dentro dela mora a lembrança da existência do poderoso Raio.

(MUNDURUKU, Daniel. Contos indígenas brasileiros. 2.

ed. São Paulo, Global, 2005)



Releia o 13º parágrafo do texto:

“- Você viu, minha cunhada? Eu tenho a força muito maior do que a sua e nada pode me parar. É melhor que você não queira se achar toda poderosa antes de conhecer seu adversário. Agora eu vou embora, mas você sempre vai lembrar de mim."

Um ditado popular brasileiro coerente com a lição presente nesse trecho do mito é:

Alternativas da questão 1739286
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