Questão 173925

Arquitetura · 2018

Questão

ID 173925

Disciplina: Arquitetura

Assuntos: Arquitetura Colonial Brasileira, Radicais Gregos e Radicais Latinos

Ano: 2018 Banca: Fundação CESGRANRIO Órgão: Liquigás Distribuidora S.A.


Velhas casas


\(\quad\) \(\quad\) Tenho um amigo arquiteto que gosta de me falar

de velhas casas brasileiras, da simplicidade e do gosto dos antigos mestres de obra, dos homens práticos

que encheram o Brasil de casarões, de igrejas, de

5 cidades.

\(\quad\) \(\quad\) O meu amigo vê a casa como um técnico, um

especialista, o homem que ama a sua profissão. Com

ele andei pelos solares de Vassouras. E vi e senti o

seu entusiasmo diante dos velhos sobrados do café.

10 As soluções encontradas pelos antigos, a sobriedade,

a solidez, a marca do lusitano transplantado, sempre

mereciam dele uma crítica de quem admirava tudo e,

às vezes, se espantava. Havia, de fato, grandeza no

que aquela gente fizera.

15\(\quad\) \(\quad\) Sérgio Buarque de Hollanda fala no caráter empírico das cidades portuguesas da América. Em confronto com os espanhóis, os portugueses fundaram

as suas cidades com liberdade, dando mais vida,

mais força aos seus criadores. O instinto, a intuição,

20 a necessidade de viver comandava-os. Não seriam

conduzidos por urbanistas, seriam levados pela necessidade, pelo arrojo, pelos fatos. Mas esta energia

nunca se desmandou. As casas portuguesas nunca

seriam um despropósito. Havia na arquitetura que

25 eles nos legaram um toque de sobriedade que é uma

maravilha de equilíbrio. O barroco, que se excedera

nos interiores das igrejas, contivera-se nos exterio-

res. Era até aí de uma simplicidade tocante. Na arquitetura

residencial quase que ele não se fez sentir. A

30 pureza de linhas, o gosto, o chão dos nossos sobrados

falam de homens que amavam mais a solidez do

que o ornato. Os mestres de obras não eram individualistas, artistas que quisessem dar um sinal de sua

personalidade. Eles edificavam, construíam.


REGO, José Lins do. In: O Cravo de Mozart é eterno: crônicas e ensaios. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004, p. 303-4. Adaptado

Uma das virtudes na construção dessas casas tão elogiadas no texto é que seus criadores eram “levados pela necessidade, pelo arrojo, pelos fatos” (l. 21-22).


Essa afirmação serve como argumento para criticar os

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