Questão 1703649

Língua Portuguesa · 2017

Questão

ID 1703649

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: 3ª Geração (Condoreira)

Ano: 2017 Banca: Instituto Federal Brasilia Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília


Leia o poema e responda às questões 12, 13, 14 e 15

SAUDADES DO ESCRAVO

Escravo – não, não morri

Nos ferros da escravidão;

Lá nos palmares vivi,

Tenho livre o coração!

Nas minhas carnes rasgadas,

Nas faces ensaguentadas

Sinto as torturas de cá;

Deste corpo desgraçado

Meu espírito soltado

Não partiu – ficou-me lá!...

Naquelas quentes areias

Naquela terra de fogo,

Onde livre de cadeias

Eu corria em desafogo...

Lá nos confins do horizonte...

Lá nas alturas do céu...

De sobre a mata florida

Esta minh’alma perdida

Não veio – só parti eu.

A liberdade que eu tive

Por escravo não perdi-a;

Minh’alma que lá só vive

Tornou-me a face sombria,

O zunir do fero açoite

Por estas sombras da noite

Não chega, não, aos palmares!

Lá tenho terras e flores...

Nuvens e céus... os meus lares!

[...]

Escravo – não, ainda vivo,

Inda espero a morte ali;

Sou livre embora cativo,

Sou livre, inda não morri!

Meu coração bate ainda

Nesse bater que não finda;

Sou homem – Deus o dirá!

Deste corpo desgraçãdo

Meu espírito soltado

Não partiu – ficou-me lá!

São Paulo, 1850.

(GAMA, Luiz. Primeiras trovas burlescas e outros poemas. Edição preparada por Lígia Fonseca Ferreira. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p. 162-164. Fragmento.)



Assinale a alternativa que NÃO corresponde às ideias sugeridas no poema:

Alternativas da questão 1703649
Pular para o conteúdo principal