Questão
ID 1667775Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Ironia
Ano: 2010 Banca: FADESP - Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa Órgão: Câmara Municipal de Alenquer
Com base na leitura do texto de Millôr Fernandes, assinale a alternativa que completa corretamente as questões de 01 a 09.

Millôr Fernandes
1 Quando os eruditos descobriram a língua, ela já estava
2 completamente pronta pelo povo. Os eruditos tiveram apenas que proibir o
3 povo de falar errado.
4 No princípio era o verbo. Defectivo, naturalmente.
5 Como não é machista, sempre que a frase tem maioria de mulheres o
6 autor usa o pronome feminino [comentando a frase: "Ivan Pinheiro Machado,
7 com as editoras Fernanda Veríssimo e Jó Saldanha tomaram para elas
8 próprias..."].
9 Entre o porque e o por quê há mais bobagem gramatical do que
10 sabedoria semântica.
11 Por quê? É filosofia. Porque é pretensão.
12 Está bem, lingüista, se dois é ambos, por que três não é trampos?
13 As palavras nascem saudáveis e livres, crescem vagabundas e
14 elásticas, vivem informes, informais e dinâmicas. Morrem quando contraem o
15 câncer do significado definitivo e são recolhidas ao CTI dos dicionários.
16 Devemos ser gratos aos portugueses. Se não fossem eles estaríamos
17 até hoje falando tupi-guarani, uma língua que não entendemos.
18 É evidente que no princípio foi a interjeição, insopitável pelo espanto
19 diante do fogo, do raio. Depois foi o substantivo para designar a pedra e a
20 chuva. E logo o adjetivo, que fazia tanta falta para ofensas. Mas eles
21 continuam insistindo em que no princípio era o verbo.
22 Que língua, a nossa!
23 A palavra oxítona é proparoxítona.
Extraído do livro:
Millôr definitivo: a bíblia do caos.
Porto Alegre: LP&M, 2000. 524 p.
Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=10877.
Pode-se afirmar que o objetivo principal do autor é