Questão
ID 16596Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Possibilidades de Paralelismo
Ano: 2023 Banca: IDECAN - Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional Órgão: Polícia Militar do Estado do Ceará
Metano pode ser a chave para detectar vida alienígena em um planeta distante
Para a humanidade, a descoberta de provas de que existe vida
fora da Terra provavelmente não acontecerá de maneira dramática, por exemplo
com a aterrissagem de uma espaçonave alienígena do lado da Torre Eiffel em
Paris. É muito mais provável que ela ocorra por meio de observações via
telescópio de um planeta distante cuja atmosfera contenha produtos químicos
indicativos de atividade biológica.
Na última segunda-feira (28), pesquisadores disseram que o
metano pode vir a ser o primeiro sinal detectável de vida extraterrestre, caso
seja descoberto na atmosfera de um planeta rochoso que orbite na "zona
habitável" – uma área nem fria demais nem quente demais para a existência
de água em forma líquida na superfície do planeta – de uma estrela semelhante
ao Sol.
Os cientistas estão trabalhando para compreender os indicadores
de vida – bioassinaturas – que podem estar presentes nas observações de
planetas em outros sistemas solares, os chamados exoplanetas, sabendo que
telescópios de capacidade cada vez maior em breve estarão disponíveis.
Em um estudo publicado na revista científica Proceedings of the
National Academy of Sciences, os pesquisadores demonstraram que a abundância de
metano na atmosfera pode ser um sinal persuasivo de vida, no contexto
planetário correto. O metano é um importante gás residual na atmosfera da
Terra, presente em volume de menos de duas partes por milhão.
Diferentemente de outras potenciais bioassinaturas tais como o
oxigênio atmosférico, o metano é um dos poucos gases que poderia ser detectado
com facilidade por meio do James Webb Space Telescope, lançado em dezembro pela
Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) americana e que está
sendo preparado para entrar em operação dentro de alguns meses.
"Na Terra, a vasta maioria do metano é produzido pela
vida", disse Maggie Thompson, a principal autora do artigo, estudante de
pós-graduação em astronomia e astrofísica na Universidade da Califórnia em
Santa Cruz. A maior parte do gás é gerada diretamente pela vida: micróbios
produtores de metano em terras úmidas, arrozais ou nos aparelhos digestivos de
animais de grande porte. O metano também é gerado por atividades humanas como a
queima de combustíveis fósseis, entre os quais carvão e petróleo, que são remanescentes
de organismos mortos. A proporção de metano gerado de forma não biológica na
Terra é minúscula.
Os pesquisadores apresentaram um argumento triplo em favor do
metano como bioassinatura promissora.
"Primeiro, não seria surpreendente que a vida produzisse
metano em outros ambientes. Mesmo que a bioquímica da vida alienígena seja
radicalmente diferente da que existe na biosfera da Terra, a metanogênese é uma
estratégia metabólica óbvia e fácil para qualquer vida baseada em carbono,
dadas as fontes de energia provavelmente presentes em exoplanetas
rochosos", disse Joshua Krissansen-Totton, coautor do estudo e pesquisador
Nasa-Sagan no departamento de astronomia e astrofísica da Universidade da
Califórnia em Santa Cruz.
Em segundo lugar, eles disseram, o metano não persistiria por
muito tempo na atmosfera de planetas rochosos habitáveis sem um reabastecimento
constante, possivelmente por meio de organismos vivos. Na Terra, o metano
atmosférico é instável – os efeitos químicos da luz o destroem –, mas existe um
reabastecimento biológico constante.
Terceiro, segundo os pesquisadores, seria difícil para processos
não biológicos, como o vulcanismo ou as reações químicas em cadeias montanhosas
oceânicas e fontes hidrotermais, manter o reabastecimento sem deixar
"impressões digitais" indicando que o metano não foi gerado
biologicamente.
Os vulcões emissores de gases, por exemplo, liberariam monóxido
de carbono em companhia do metano, mas a atividade biológica tende a devorar
monóxido de carbono e reduzir sua concentração atmosférica. Assim, eles
disseram, processos não biológicos não são capazes de produzir facilmente, em
planetas rochosos, atmosferas ricas tanto em carbono quanto em metano, como
acontece na Terra, mas com pouco ou nenhum monóxido de carbono.
Os cientistas estão na expectativa de que novas percepções sobre
a atmosfera dos exoplanetas serão oferecidas pelo James Webb e outros novos
telescópios, examinado a química quando esses planetas distantes passarem
diante das estrelas cujos sistemas eles ocupam, da perspectiva da Terra.
O oxigênio, mais abundante que o metano na atmosfera terrestre,
é outra bioassinatura potencial. Ele também é inserido na atmosfera terrestre
via processos biológicos – no caso, a fotossíntese de plantas e micróbios. Mas
o James Webb não terá capacidade de detectar oxigênio.
"O metano não é uma bioassinatura hipotética. Sabemos que a
vida na Terra vem produzindo metano por essencialmente toda sua história, e as
concentrações atmosféricas de metano podem ter sido elevadas no começo da
Terra, antes que houvesse oxigênio na atmosfera", disse Krissansen-Totton.
"Mas é importante apontar que a diversidade de ambientes
planetários em outros sistemas é provavelmente vasta, e pode haver outros
processos não biológicos de produção de metano que ninguém considerou até
agora."
(Will Dunham.
https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2022/03/metano-pode-ser-a-chave-para-detectar-vida-alienigena-em-um-planeta-distante.shtml.
31.mar.2022)
"Mas é importante apontar que a diversidade de ambientes planetários em outros sistemas é provavelmente vasta, e pode haver outros processos não biológicos de produção de metano que ninguém considerou até agora." (linhas 50 e 51)
Assinale a alternativa em que a estrutura indicada pode substituir corretamente, do ponto de vista da norma culta, o sublinhado no período acima. Não leve em conta alterações de sentido.