Questão
ID 1594597Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Função Textual dos Vocábulos
Ano: 2024 Banca: Legalle Concursos Órgão: Prefeitura Municipal de Cerro Largo
Para responder às questões 01 a 08, leia o texto abaixo.
Amores maduros
- Participei de um evento em São Paulo em que foi
- debatida a sexualidade nos dias atuais. Para não
- chegar lá com um blá blá blá muito pessoal, fiz o tema
- de casa: lio que psicanalistas e ensaístas tinham a dizer
- sobre o assunto. Encontrei muita coisa interessante,
- mas um aspecto me chamou a atenção: ao falar de
- amor e sexo, a visão da maioria dos teóricos abrange
- apenas o jovem e suas expectativas, principalmente no
- que diz respeito à importância da procriação na escolha
- do parceiro. O assunto é visto pela ótica de quem
- planeja construir um relacionamento e tudo o que isso
- inclui: a herança emocional deixada pelos pais, a
- pressão social de formar uma família, a influência da
- religião, a interferência dos filhos no convívio do casal,
- as regras impostas pela coletividade, a necessidade de
- firmar-se profissionalmente para alcançar estabilidade,
- enfim, todo o projeto de vida de quem está dando os
- primeiros passos nesse admirável mundo das
- convenções e ética comportamental.
- Tudo muito bem fundamentado, mas há um
- personagem que fica de fora desses estudos: é a
- pessoa de meia-idade que já se apaixonou algumas
- vezes, que já casou e descasou, teve filhos e talvez
- netos e que hoje está livre para iniciar um novo
- relacionamento, e de um jeito bem mais desestressado
- do que qualquer jovem de 20 anos. Ora, esse homem
- ou essa mulher já atravessou o desfiladeiro: pulou para
- o lado de lá. Os filhos estão criados, a vida estabilizada,
- as expectativas do tipo “até que a morte os separe” já
- foram arquivadas, não carece mais de aprovação
- externa e está dando uma banana para as convenções:
- chegou a hora de aliar amor e diversão. Quem escreve
- sobre eles? Melhor dizendo: quem escreve sobre nós?
- Circulam por aí muitas interrogações sobre amor e
- sexo que pessoas vividas já responderam para si
- mesmas. Depois de terem cumprido boa parte das
- regras pré-estabelecidas, agora é o momento de viver
- 24 horas de cada vez, sem idealizações. Querem um
- amor descomplicado e sem amarras.
- Estamos com pouco suporte teórico, mas
- existimos. Não fazemos questão de endereço
- compartilhado, troca de alianças, contrato assinado.
- Não nos debulhamos diante de juras de amor eterno
- porque já entendemos “que o pra sempre, sempre
- acaba”. Não precisamos de um ninho de amor
- financiado para pagar a perder de vista, nem de vestido
- de noiva, nem de anel de compromisso, nem de muitos
- planos. Estamos quites com nossa juventude, já
- gastamos as ilusões, agora nos restou o melhor da vida:
- ela própria, simplesmente. A vida que temos na mão
- para consumo imediato. Sem discussões excessivas
- sobre moral, sem excesso de argumentações
- psicológicas, sociológicas ou com qualquer lógica.
- São poucos os que escrevem sobre nós e sobre
- a relação que queremos construir hoje. Pensando
- bem, talvez seja melhor. Quanto mais livre de teorias,
- mais solto o amor.
Autora: Martha Medeiros.
Relativamente à expressão blá blá blá (I.3), analise as assertivas.
I. Consiste em um substantivo, utilizado de forma figurativa para descrever um discurso genérico ou superficial que a autora deseja evitar ao se preparar para o evento mencionado.
Il. Funciona como uma onomatopeia que simboliza a natureza repetitiva e sem significado do discurso.
Pode-se afirmar que: