Questão
ID 1586355Disciplina: Medicina
Assunto: Humanização e Cuidado Integral
Ano: 2024 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de Venâncio Aires
Adoecer pode ser uma experiência de vida
Por J. J. Camargo
- Não se trata do desejo de que alguém adoeça para fazer da sua experiência pessoal um
- contraponto para nossa rotina de médicos saudáveis, mas sim de considerar que se possa
- transformar uma experiência originalmente assustadora numa forma didática de aprendizado.
- Habituados a décadas de atividade médica, sempre no lado bom da relação médico/
- paciente, protegidos pelo cercadinho da saúde, é compreensível que tenhamos uma visão
- distorcida do adoecer quando ficamos inesperadamente no centro dos acontecimentos e, pela
- primeira vez, impedidos de transferir para alguém o protagonismo de uma doença
- exclusivamente nossa.
- Como o medo do desconhecido é inerente mesmo ao ser humano mais primitivo, não faz o
- menor sentido a intenção do médico de convencer-nos do contrário. Mas como essa não é hora
- de ostentar prepotência, não custa nada valorizarmos o esforço que o profissional faz para nos
- tranquilizar. Na mesma medida, é adequado que tenhamos um comportamento receptivo ___
- mensagens otimistas dos amigos, relevando a en....urrada de clichês, porque, afinal, antipatia
- nessa hora não é recomendável, e ninguém vai adivinhar que suas mensagens cheias de
- esperança tiveram impacto zero nas nossas noites de insônia.
- A primeira percepção que temos é que todas as doenças, quando nossas, parecerão
- gravíssimas, e é bobagem tentar convencer o portador do contrário. A caminho do hospital,
- recomenda-se silêncio total ___ tropa de apoio emocional, porque não há tarefa mais inglória do
- que tentar distrair um sofredor. A intolerância ao papo tranquilizador é absoluta, acrescentando
- irritação ___ quem tenta administrar os surtos recorrentes de pânico.
- A tentativa do paciente de racionalizar seu próprio medo, que se apresenta de permeio com
- espasmos de valentia, também é contraditória, e pensamentos racionais como, por exemplo,
- fornecer o segredo do cofre ao filho mais velho são imediatamente neutralizados pela consciência
- de que essa providência, de aparência racional, poderia ter dupla interpretação, nenhuma delas
- lisonjeira, e a conclusão silenciosa é previsível: “Danem-se! Se der tudo errado, que arrombem
- o cofre!”.
- Como o hospital em que serão tratados passará a fazer parte da memória afetiva deles, é
- melhor que valorizemos os detalhes, porque esses farão toda a diferença nos seus registros
- emocionais, e então comecemos pela admissão, confiando que a primeira impressão é a que fica.
- E aqui a primeira constatação positiva: é possível banir a burocracia da internação
- hospitalar, desde que as pessoas sejam objetivas e bem treinadas. A descoberta de que é
- possível chegar ao leito da internação em tempo menor do que a muitos acessos ao teatro desfaz
- o estigma de que o processo é inevitavelmente lento.
- A rotina tecnicamente perfeita, que obriga o paciente a repetir seu nome completo e a data
- do nascimento umas 20 vezes por dia, carrega a noção da importância da checagem constante
- como prevenção do erro. Mas, sem dúvida, a mais eficiente estratégia para conquistar o cliente
- é a sensação permanente de que ele está sendo cuidado por pessoas selecionadas por
- inteligência emocional e empenhadas em dar ao paciente, não importa quem ele seja, a certeza
- de que seu médico ter escolhido aquele hospital não teve nada de causalidade.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/jj-camargo – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que indica uma atitude que, segundo o autor do texto, produz resultados positivos no paciente no momento de uma internação.