Questão
ID 1586235Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Pressupostos e Subentendidos
Ano: 2023 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de Venâncio Aires
Pouso e decolagem
Por Martha Medeiros
- Tenho lido matérias que defendem a ideia de que viajar não é tão fundamental e que os
- turistas deveriam parar com tanta andança sem sentido. Alguns italianos concordam. “Não
- venham mais!”, têm gritado das janelas os nativos que ainda moram em Veneza, cidade que
- recentemente foi considerada pela Unesco um patrimônio em risco. Não demorará para Veneza
- ser ocupada só por visitantes, e aí não será mais uma cidade, e sim uma Disney para adultos,
- uma cenografia.
- Ainda que eu concorde que alguns lugares precisam controlar a entrada de tanta gente,
- como faz Fernando de Noronha, jamais defenderei que viajar é uma banalidade dispensável. Sei
- que é possível ser muito feliz sem jamais colocar os pés em um _______ – não eu.
- Por que viajar precisa ser um estado de e....eção? Passamos grande parte da vida morando
- no mesmo endereço, com alguns intervalos de fuga. Imagine o inverso: viajar constantemente,
- com alguns intervalos de permanência. Eu sei, o ser humano é gregário, precisa manter vínculos
- emocionais e ter um emprego a fim de ganhar dinheiro para sobreviver, não é prudente se
- aventurar (palavrinha tentadora, aventura: injustamente associada a algo temporário).
- Porém, morar para sempre numa única cidade, em geral a que nascemos, é que parece um
- desatino. Pense no que o planeta oferece. Ilhas. Florestas. Desertos. Montanhas. Geleiras.
- Canyons. Santuários. Templos. Pirâmides. Vulcões. Savanas. Praias. Ruínas. Aldeias. Caminhos
- sagrados. Metrópoles futuristas. Vilarejos históricos. E pessoas. Pessoas de todas as raças e
- culturas, pessoas que pensam, comem e agem de forma diferente da nossa. Cartões-postais
- e....istenciais.
- Não consigo chamar de aventureiro aquele que se dedica a conhecer o planeta em sua vasta
- representação, em vez de comprar uma geladeira, um fogão e formar família. Como eu fiz, e
- você, provavelmente, também. A gente não se arrepende, mas, no fundo, sabemos que estamos
- cumprindo ordens. A sociedade costuma ser intran...igente com os nômades.
- Não fomos educados para a experiência in loco, para as possibilidades de conexão com
- _______ variadas, para uma expansão geográfica que nos transforme de fato em cidadãos do
- mundo. A segurança nos atrai na mesma medida que a liberdade nos assusta. Compensamos
- nosso comodismo com livros, que são mais baratos que passagens aéreas. E, quando dá,
- fazemos turismo.
- Cada viagem de 10 dias ou de um mês é um jeito de colocar a cabeça para fora da gaiola.
- Depois, voltamos para casa ainda mais comprometidos com nossas raízes: condicionados ou
- não, _______ pelo amor romântico, pela criação de filhos, pelos cuidados com os pais. Confirmar,
- de tempos em tempos, que existe muito mais do que isso, é nosso ato de bravura. Mas aventura
- mesmo é ficar.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/donna/colunistas/martha-medeiros/noticia/2023/11/a-seguranca-nos-atrai-na-mesma-medida-que-a-liberdade-nos-assusta-clohbtgjp0044014yc9y0cw6h.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas abaixo:
I. A autora acredita que viajar é uma prática dispensável.
II. Veneza foi considerada pela autora um patrimônio em risco.
III. A autora acredita que não demorará para Veneza ser ocupada apenas por visitantes.
Quais estão corretas?