Questão
ID 1526946Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Metáfora
Ano: 2018 Banca: VUNESP - Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista Órgão: Prefeitura Municipal de São José dos Campos
Leia o texto para responder às questões de números 12 a 15.
O oi é importante. É o mínimo de civilidade e pode ser legal, também, se a pessoa não for mala. Você encontra o conhecido na festa. Há uma surpresa genuína, “Ah, você!”, “Olha só!”, “Há quanto tempo!”. Vocês pensam um pouco: quanto, mesmo? “Foi na casa do Ricardo, aquele churrasco?”.
“Não, depois do churrasco a gente se trombou na Virada Cultural.” “A Virada Cultural não foi antes da casa do Ricardo?!”. “Não sei. Na casa do Ricardo você contou que tinha acabado de tirar o aparelho, tava reclamando que precisou usar aparelho, adulto”. “Ah, então foi depois da Virada. Eu tava de aparelho na Virada. Foi 2011!”. “E o Ricardo? Tem visto o Ricardo?”. Ele diz que não. O Ricardo separou. Agora mora em Natal.
O tchau não é assim. O tchau é mentira do começo ao fim. Você se despede e em vez da surpresa do encontro surge uma pequena culpa por estar partindo. Aí você fala, depois do abraço, “Ah, a gente precisa se ver mais!”. Balela.
Se o oi te deixou com uma sensação boa, o tchau é emissão de papel moeda afetivo sem lastro e a inflação que começa ali desvaloriza até a alegria produzida pelo oi.
(Antonio Prata, Contra o tchau. Folha de S.Paulo. 03.06.2018. Adaptado)
Há expressão empregada em sentido figurado na passagem: