Questão
ID 1517301Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Anáfora
Ano: 2021 Banca: IDECAN - Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistencial Nacional Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará
Texto para as questões 1 a 9
Epidemias e comportamentos: quem muda o quê?
- Importantes vetores de nosso comportamento, os grandes desafios – como a pandemia da covid-19 – nos incitam
- a discutir o que provocou os cenários de conflagração e inspiram mudanças profundas, tanto em escala individual quanto
- social. Hoje, o que aplicamos na tentativa de contornar os impasses reflete um conjunto de conhecimentos e experiências
- de um tempo muitas vezes não tão remoto.
- Resgatar medidas e enfrentamentos do passado pode favorecer estratégias mais eficazes no presente, daí a
- importância de relembrar crises sanitárias já enfrentadas – não só no Brasil, mas também no mundo.
- Em 1910, um surto de uma doença misteriosa – que ficaria conhecida como praga da Manchúria – assolou o
- nordeste da China, somando 60 mil óbitos num período de quatro meses. Foi graças ao médico malaio Wu Lien-teh que
- uma ideia inovadora foi lançada, baseada em conclusões de que essa peste, causada pela bactéria Yersinia pestis (sim,
- você já ouviu falar dela na peste bubônica) poderia se transmitir de pessoa a pessoa, possivelmente por gotículas
- respiratórias. A partir de então, o médico aconselhou que se usassem máscaras para tratar pacientes infectados, protocolo
- que se estendeu a todos os profissionais de saúde, estivessem ou não às voltas com essa praga. E também recomendou
- a criação de centros de quarentena, bem como insistiu que as autoridades decretassem medidas de restrição da
- movimentação das pessoas. Lembra alguma coisa?
- Logo depois, em 1918, o mundo conheceu a gripe espanhola, provocada pelo vírus influenza, responsável por
- cerca de 35 mil óbitos só no Brasil. Diante de todas as dificuldades e desafios para esse enfrentamento, a sociedade
- brasileira passou por uma transformação profunda e necessária envolvendo a saúde pública no país, uma vez que, em
- muitos lugares (no Brasil e no mundo), indivíduos de classe média ou alta detinham o privilégio de consultas médicas.
- Nossa história com os vírus influenza teve outros capítulos, um dos quais em 2009, com a tal “gripe suína” que deve estar
- na memória de muita gente. Foi então que se disseminou o uso do álcool gel, não mais um alien oferecido na entrada de
- um restaurante ou local público. Ao longo da epidemia dessa gripe, fechamos escolas e reduzimos a circulação das
- pessoas para enfrentar esse agente infeccioso. De novo, lembra alguma coisa?
- Grandes pandemias apresentam um fator em comum: a transmissão alta e generalizada de um agente infeccioso
- que passa a infectar nossa espécie, e para o qual ainda não temos alternativa terapêutica. Mas experiências anteriores
- nos revelam que medidas não farmacológicas, às quais podemos aderir tanto individual quanto socialmente, são críticas
- para conter a propagação. Por outro lado, modificações significativas na sociedade precisam ser um legado do pós-
- pandemia. Não devemos temê-las ou enxergá-las como uma tentativa de sequestro do que costumávamos entender como
- “normal” antes desse evento. São, antes, uma oportunidade de trilhar novos caminhos capazes de driblar situações futuras
- passíveis de se transformarem em grandes desafios, evitando assim incorrer em erros do passado. É possível ainda que
- muitas das mudanças daqui para frente, no comportamento da sociedade, já estivessem sendo preparadas, e acabaram
- sendo antecipadas como resposta à crise.
- Nosso estilo de vida nos levou a grandes avanços tecnológicos, bem como a uma forte expansão territorial da
- nossa presença, todavia nos revelou o quanto precisamos amadurecer enquanto sociedade, entendendo nossa
- responsabilidade para com o planeta e todas as espécies que nele habitam. Mostrou-nos que talvez precisemos revisitar
- os conceitos de “viver em sociedade” e refletir como a evolução dessa sociedade está intrinsecamente relacionada às
- maneiras como o grupo trabalha de forma cooperativa, na saúde ou na doença.
(Mellanie Fontes-Dutra. https://cienciafundamental.blogfolha.uol.com.br/2021/10/30/epidemias-e-comportamentos-quem-muda-o-que/. 30.out.2021)
Assinale a alternativa em que o termo indicado NÃO exerça, no texto, papel anafórico.