Questão 147182

Língua Portuguesa · 2023

Questão

ID 147182

Disciplina: Língua Portuguesa

Assuntos: Discurso Indireto, Inferência Textual, Personagem, Sentidos do texto

Ano: 2023 Banca: COPEVE/UFAL - FUNDEPES Órgão: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas


Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada? Não bastavam as humilhações recebidas em público? No relógio oficial, nas ruas, nos cafés, viraram-me as costas. Eu era um cachorro, um ninguém.

— “É conveniente escrever um artigo, seu Luís”. Eu escrevia. E pronto, nem um muito obrigado. Um Julião Tavares me voltava as costas e me ignorava. Nas relações na repartição, no bonde, eu era um trouxa, um infeliz, amarrado...


RAMOS, Graciliano. Angústia. 59. ed. São Paulo: Record, 2004. p. 236.


Analise as afirmativas que seguem, considerando alguns dos elementos da construção narrativa.


I. No texto, a postura do personagem-tipo é de um ressentimento individual, que, embora explicite as relações de poder entre os dominantes e seus subalternos, não reivindica uma mudança das relações de exploração em geral.

II. O personagem-tipo pertence à classe dominante que, necessariamente, não tem condições de uma consciência plena como classe.

III. O personagem Luís quer ser apenas prestigiado e, se possível, chegar ao mesmo patamar da classe que o oprime; por isso, reivindica uma mudança das relações de exploração.

IV. No trecho: “Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada?”, é possível reconhecer que são palavras ditas pelo personagem Luís, mas não há verbo de dizer, não há travessão nem aspas. Isso está integrado ao discurso indireto do narrador.


verifica-se que está/ão correta/s apenas

Alternativas da questão 147182
Pular para o conteúdo principal