Questão 1411989

Língua Portuguesa · 2013

Questão

ID 1411989

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Inferência Textual

Ano: 2013 Banca: UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro Órgão: Universidade Federal do Rio de Janeiro


Pedro da Silva Nava – Pedro Nava –, talvez o mais notável memorialista da literatura brasileira, dedicou-se originalmente à medicina. Graduado em 1928, em Belo Horizonte, o autor de Baú de Ossos fez brilhante carreira acadêmica. Foi Livre-Docente de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da então Universidade do Brasil (atual UFRJ), Catedrático e professor Emérito do Centro de Ciências Biológicas da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), professor Honoris Causa da Faculdade de Medicina de Barbacena. Pioneiro da Reumatologia no Brasil, Nava, certa vez, assim se definiu: “Aprendi e ensino. Para servir, aceitei por três vezes encargos de administração médica - o que é ato heroico... equivalente ao daquele que se dispuser a caminhar descalço num serpentário! Clínico da roça, fui médico, operador e parteiro.”



Considere a Foto da FIGURA 1, os TEXTOS 1, 2 e 3 a seguir, e responda a questão proposta.

FIGURA 1

Pedro Nava. Foto de Ricardo Chaves.

TEXTO 1

“(...) peço, entretanto, que me recebam como quem tem procurado suprir o que lhe míngua de talento pelo que conservou de coração. Como quem tem sido Médico e tem exercido a Medicina na certeza absoluta das suas possibilidades de sedar a Dor e retardar a morte.”

Pedro Nava, Discurso de posse como membro titular

da Academia Nacional de Medicina

TEXTO 2

I

(...)

era preciso que um antigo rapaz de vinte anos,

preso à tua pantomima por filamentos de ternura e riso dispersos no tempo,

viesse recompô-los e, homem maduro, te visitasse

para dizer-te algumas coisas, sobcolor de poema.

Para dizer-te como os brasileiros te amam

e que nisso, como em tudo mais, nossa gente se parece

com qualquer gente do mundo - inclusive os pequenos judeus

de bengalinha e chapéu-coco, sapatos compridos, olhos melancólicos,

vagabundos que o mundo repeliu, mas zombam e vivem

nos filmes, nas ruas tortas com tabuletas: Fábrica, Barbeiro, Polícia,

e vencem a fome, iludem a brutalidade, prolongam o amor

como um segredo dito no ouvido de um homem do povo caído na rua.

(...)

Falam por mim os que estavam sujos de tristeza e feroz desgosto de tudo,

que entraram no cinema com a aflição de ratos fugindo da vida,

são duas horas de anestesia, ouçamos um pouco de música,

visitemos no escuro as imagens - e te descobriram e salvaram-se.

(....)

Falam por mim os abandonados da justiça, os simples de coração,

os parias, os falidos, os mutilados, os deficientes, os indecisos, os líricos, o

s cismarentos, os irresponsáveis, os pueris, os cariciosos, os loucos e os patéticos.

(....)

II

(...)

E já não sentimos a noite,

e a morte nos evita, e diminuímos

como se ao contato de tua bengala mágica voltássemos

ao país secreto onde dormem os meninos.

Já não é o escritório e mil ichas,

nem a garagem, a universidade, o alarme,

é realmente a rua abolida, lojas repletas,

e vamos contigo arrebentar vidraças,

e vamos jogar o guarda no chão,

e na pessoa humana vamos redescobrir

aquele lugar - cuidado! - que atrai os pontapés: sentenças

de uma justiça não oicial.

(...)

Fragmentos de Canto ao Homem do Povo - Charles Chaplin, um dos 55 poemas de Carlos Drummond de Andrade que integram a obra A rosa do Povo, de 1945.

TEXTO 3

Sorria, embora seu coração esteja doendo

Sorria, mesmo que ele esteja partido

Quando há nuvens no céu,

Você conseguirá...

Se você sorrir

Com seu medo e tristeza

Sorria e talvez amanhã

Você veja o sol brilhando, para você

Ilumine seu rosto com alegria

Esconda qualquer traço de tristeza

Embora uma lágrima possa estar tão próxima

Esse é o tempo que você tem que continuar tentando

Sorria, o que adianta chorar?

Você descobrirá que a vida ainda continua

Se você apenas sorrir

Este é o momento que você tem que continuar tentando

Sorria, de que adianta chorar?

Você descobrirá que a vida ainda continua

Se você apenas sorrir.

Tradução da letra de Smile, canção composta, em 1936, por Charles Chaplin, para seu filme Tempos Modernos.

Compare os textos dados com a foto da figura 1 bem como o texto inicial da questão e assinale a alternativa que expressa a relação coerente entre eles:

Alternativas da questão 1411989
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