Questão
ID 136896Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Oração Subordinada
Ano: 2023 Banca: Instituto ACCESS - ACCESS Órgão: Consórcio de Saúde do Triângulo Mineiro
Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10
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Entenda a corrida pelo hidrogênio verde e por que o Brasil pode ser uma potência
\(\quad\)
O elemento mais abundante do universo vive uma espécie de corrida do ouro. Com potencial para reduzir a pegada ambiental de setores intensivos em carbono e alavancar o processo de transição energética, o
5 hidrogênio é visto por muitos como o combustível do futuro, com ares de superstar.
Mas não é todo tipo de hidrogênio que empolga o mercado. O entusiasmo é pela versão sustentável – chamada de hidrogênio verde – e cuja produção o Brasil
10 tem condições de liderar globalmente.
É que, embora exista em grande quantidade na natureza, raramente ele é encontrado em sua forma elementar. A extração precisa ser feita a partir de alguma matéria-prima, que hoje é principalmente de origem
15 fóssil, como gás natural, petróleo ou carvão.
O hidrogênio verde (H2V), por sua vez, é derivado da água, num processo de extração que usa energia elétrica renovável para quebrar a molécula e separar o hidrogênio gasoso do oxigênio.
20 \(\quad\) Segundo a Agência Internacional de Energia, apenas a substituição do hidrogênio "cinza" pelo verde ajudaria a economizar cerca de 830 milhões de toneladas de carbono por ano, o equivalente às emissões de Reino Unido e Indonésia somadas.
25\(\quad\) Se considerar o potencial para substituir outros combustíveis poluentes – na siderurgia e na aviação, por exemplo –, o impacto positivo para o meio ambiente pode ser ainda maior.
O problema é que as tecnologias de produção em
30 larga escala não estão 100% consolidadas. Além disso, transportar hidrogênio é desafiador, pois exige que o armazenamento seja feito em baixas temperaturas e alta pressão, dificultando a logística.
No entanto, como o mercado é promissor,
35 empresas estão apostando no desenvolvimento da indústria de H2V. Num momento em que a crise climática se mistura com a crise energética na Europa, a corrida ganhou senso de urgência.
Para o Brasil, o setor pode ser uma oportunidade.
40 O país tem condições de se tornar um dos principais produtores e exportadores de hidrogênio verde, por apresentar condições climáticas favoráveis à geração de energia solar e eólica.
Atualmente, o Brasil é o terceiro país que mais
45 produz energia renovável no mundo, atrás apenas de EUA e China. A alta oferta também coloca o país entre os mais competitivos em termos de preço.
Um estudo da BloombergNEF projeta o Brasil como
um dos únicos capazes de oferecer hidrogênio verde a um
50 custo inferior a US\$ 1 por quilo até 2030. Considerando o longo prazo (2050), a cifra pode cair para US\$ 0,55/kg.
Mas, para viabilizar esse cenário, o país precisará investir alto na indústria, algo em torno de US\$ 200 bilhões (R\$ 1,04 trilhão) até 2040, segundo estimativas da
55 consultoria McKinsey.
Franceli Jodas, líder global de energia da
consultoria KPMG, diz que o Brasil já começou a se movimentar nessa direção. Os projetos, ela ressalta, ainda são pilotos, mas isso é algo que está acontecendo
60 globalmente.
"O hidrogênio verde é uma tecnologia nova e muito cara. Ainda não é tão competitivo", afirma.
Segundo Jodas, é preciso passar por um período de maturidade não só da tecnologia em si, mas de questões
65 de mercado internacional também. "Todo mundo quer ser o grande exportador de hidrogênio verde, todos querem atender às demandas de energia da Europa, mas o fato é que precisamos de desenvolvimento tecnológico ainda."
70\(\quad\) (...)
Atualmente, o Nordeste concentra a maior movimentação em torno do H2V no Brasil. A região quer se posicionar como um polo produtor, devido ao alto potencial para geração de energia solar e eólica, além da
75 localização estratégica dos portos em relação ao mercado europeu.
O Ceará é o estado com o maior número de projetos já anunciados, mas Bahia, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte vêm logo atrás.
80 \(\quad\) Segundo Joaquim Rolim, coordenador de energia na Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará), o estado possui mais de 24 memorandos de entendimento feitos com empresas nacionais e estrangeiras, o que representa uma sinalização de investimento superior a
85 US\$ 29,7 bilhões (R\$ 154,9 bilhões).
"Nós temos condições de produzir no Brasil, no Nordeste e, particularmente, no Ceará, o hidrogênio verde mais barato do mundo", diz Rolim, acrescentando que a complementaridade da produção de energia eólica
90 e solar é um fator diferencial da região.
Mas é na Bahia que a primeira fábrica de H2V está sendo construída. Em julho de 2022, a Unigel anunciou o projeto, com investimento inicial de US\$ 120 milhões (R\$ 626 milhões). A usina ficará no Polo Industrial de Camaçari
95 e deve entrar em operação até o final de 2023.
Luiz Felipe Fustaino, diretor-executivo da Unigel, explica que o interesse da companhia na indústria está na amônia verde, que é um dos subprodutos do H2V.
A empresa atua no setor químico e petroquímico, e
100 é grande consumidora do composto, que hoje é produzido principalmente através da sintetização do gás natural.
Após assumir as fábricas de fertilizantes da Petrobras, em 2020, a Unigel passou a ser produtora de amônia e viu que fazia sentido entrar no mercado de
105 hidrogênio verde.
Segundo Fustaino, a usina na Bahia vai converter todo o H2V em amônia, que pode ser usada como fonte de energia, combustível marítimo e para a fabricação de fertilizantes e acrílicos com menor pegada de carbono. No
110 entanto, o produto também pode ajudar a resolver uma dificuldade técnica relevante: o transporte e armazenamento.
"Hidrogênio é um gás extremamente volátil. Para armazená-lo, é preciso que a temperatura esteja na casa
115 de -300°C ou sob muita pressão. Já a amônia é um produto mais fácil", diz. "Então transporta-se a amônia e o cliente reverte o processo."
A expectativa é que no fim de 2023, a Unigel já tenha a usina pronta para fabricar as primeiras toneladas
120 de hidrogênio verde. A previsão inicial é produzir 10 mil toneladas por ano, que serão convertidas em 60 mil toneladas de amônia verde. A segunda fase prevê expandir a produção em dez vezes.
(...)
\(\quad\)
(Thiago Bethônico. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/01/entenda-a corrida-pelo-hidrogenio-verde-e-por-que-o-brasil-pode-ser-uma-potencia.shtml.
10.jan.2023)
O problema é que as tecnologias de produção em larga escala não estão 100% consolidadas. (L.29-30)
A segunda oração do período acima se classifica como