Questão
ID 1349964Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Possibilidades de Paralelismo
Ano: 2009 Banca: CESPE CEBRASPE - Centro de Seleção e de Promoção de Eventos UnB Órgão: Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais
Texto para as questões 4 e 5
1 ______ O primeiro 1 místico e o primeiro cientista foram uma
mesma pessoa, um Homo sapiens qualquer que, olhando para
o céu noturno há 30.000 anos, viu a lua cheia e se encheu de
4 devoção e conjecturas. Partes diferentes de seu cérebro
processaram à sua maneira a informação visual captada pelos
olhos. Uma delas, o lobo temporal, registrou aquela luz pálida
7 emanada de um disco que parecia flutuar no espaço como
uma experiência sublime, inexplicável, superior, poderosa,
acachapante, religiosa. Ao mesmo tempo, outras regiões do
10 cérebro tentavam avaliar se aquele objeto luminoso oferecia
algum perigo, se podia despencar causando dano, se era
comestível, se sua aparição na abóbada celeste se repetiria
13 ou se poderia ser relacionada com algum outro fenômeno,
como a escassez ou a abundância de caça. Como sugeriu
poeticamente o astrônomo francês Guillaume Bigourdan
16 (1851-1932), o último Homo sapiens do planeta será talvez
surpreendido pela morte quando, entretido com a mesma lua
cheia — por maiores que sejam sua educação e seu treino
19 científico, mais exata sua noção de tamanho, das distâncias e
dos formatos das órbitas —, ela lhe parecerá sublime,
inexplicável, superior, poderosa, acachapante, religiosa. Disse
22 Bigourdan: “Isso é do homem. Contar lunações, medir órbitas,
calcular frequências, mas se prostrar extático diante da
imensidão do universo”.
25 ______ Por muitas eras o lado místico e o científico
conviveram sem conflitos na mente humana. Com o excedente
econômico trazido pelo desenvolvimento tecnológico, as
28 sociedades primitivas deram-se ao luxo de ter indivíduos
dedicados a tarefas específicas. Mesmo depois disso, com as
tarefas práticas entregues a certos indivíduos, enquanto outros
31 se dedicavam a rituais e magia, a fé e a razão continuaram
como campos complementares da experiência humana.
Veja, ano 42, n.º 6, 14/1/2009, p. 88 (com adaptações).
A correção gramatical e o sentido original do texto serão mantidos caso se substitua