Questão
ID 1289981Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Citação
Ano: 2007 Banca: CESPE CEBRASPE - Centro de Seleção e de Promoção de Eventos UnB Órgão: Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
Texto I — para as questões de 22 a 24
1 “É preciso ressaltar que, através dos tempos, as
pessoas reduziram Machado de Assis ao classificá-lo com um
rótulo de irônico muito restrito. Sua ironia é algo maior, não
4 se trata apenas de um jogo de palavras, de uma troca
inteligente de colocações em um diálogo, por exemplo. Sua
ironia está na atmosfera na qual seus personagens e o próprio
7 autor se movem. (...)
Machado pode ser considerado, no contexto histórico
em que surgiu, um espanto e um milagre, mas o que me
10 encanta de forma mais particular é o fato de que ele estava,
o tempo todo, pregando peças nos leitores e nele mesmo.”
Foi assim que o mais importante crítico literário do
13 mundo, o norte-americano Harold Bloom, 77, classificou
Machado de Assis quando elencou, em Gênio — Os 100
Autores Mais Criativos da História da Literatura (Ed.
16 Objetiva, 2002), os melhores escritores do mundo segundo
seus critérios e gosto particular.
Sylvia Colombo. In: Folha de S.Paulo, caderno Mais!, 27/1/2008 (com adaptações).
Texto II — para as questões de 24 a 28
1 Às vésperas do centenário de sua morte (29 de
setembro de 1908), Machado de Assis continua a ser uma
presença inquietante. Embora ocupe lugar central e mais ou
4 menos indisputado na história da literatura produzida no
Brasil, o escritor e sua obra ainda hoje guardam algo do
caráter excêntrico, inclassificável e surpreendente que
7 assombrou seus primeiros críticos.
Quem era Machado de Assis no século XIX? Um
grande poeta, homem de teatro e crítico, que também se
10 dedicou à crônica, ao conto e ao romance, mantendo em seus
escritos uma postura indiferente às grandes questões do seu
tempo. Fino ironista que, do alto de sua torre de marfim,
13 expedia escritos em linguagem levemente arcaizante e
estrangeirada, mais condizente com a literatura de outros
séculos do que com o que então se produzia nas capitais
16 literárias do mundo.
Quem é Machado de Assis hoje? O maior contista e
romancista brasileiro do século XIX, não só profundamente
19 interessado pelas questões de seu tempo e lugar, mas talvez o
mais agudo e radical crítico das instituições sociais e políticas
do Brasil do Segundo Reinado. Um escritor que nunca se
22 furtou ao corpo-a-corpo com seus leitores, colaborando com
jornais e revistas, participando ativamente dos círculos
literários, e que teria antecipado na sua escrita procedimentos
25 das vanguardas do século XX, se é que não foi um pós-
moderno avant la lettre.
Entre aquele escritor alienado e retrógrado do século
28 XIX e o escritor engajado e quase “vanguardista” de algumas
leituras de hoje, uma pequena multidão de críticos procurou
entender esse fenômeno improvável no acanhado ambiente
31 literário e cultural do Brasil — tão improvável que até os mais
materialistas falaram em milagre.
Hélio de Seixas Guimarães. Presença inquietante. In: Folha de S.Paulo, 27/1/2008 (com adaptações).
Cada uma das opções abaixo reproduz trechos dos textos I e II, respectivamente. Assinale a opção em que os trechos apresentados evidenciam que um texto é, explicitamente, o intertexto do outro.