Questão
ID 1282409Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Dois-pontos
Ano: 2014 Banca: CESPE CEBRASPE - Centro de Seleção e de Promoção de Eventos UnB Órgão: Tribunal de Justiça de Sergipe
1 No imaginário Livro das Espécies, que, teimosamente,
repousa na estante da história do futebol, os brasileiros figuram
como macacos no mínimo há mais de noventa anos. Em 1920, ao
4 disputarem o campeonato sul-americano no Chile, os integrantes da
equipe nacional foram chamados de “macaquitos” por um jornal
argentino. O Brasil se indignou, porém pelos motivos errados: para
7 o governo, conforme se lê no apêndice do livro de Mario Filho
(1908-1966), O Negro no Futebol Brasileiro, “a questão passava
pela imagem que a República precisava construir de si própria,
10 deixando para trás os vestígios ligados à escravidão e à
miscigenação, em um momento em que os discursos em torno da
eugenia eram imperativos”. O escritor carioca Lima Barreto
13 (1881-1922), mulato e pobre, para quem o futebol era
“eminentemente um fator de dissensão”, destacou, com ironia, em
uma famosa crônica, que “a nossa vingança é que os argentinos não
16 distinguem, em nós, cores; todos nós, para eles, somos
macaquitos”. No domingo 27, o tal Livro das Espécies ganhou,
infelizmente, uma nova edição ― mas, pelo menos, revista e
19 atualizada. E, com isso, uma versão 2014 do “todos somos macaquitos”.
Eram trinta minutos do segundo tempo do jogo Villareal
versus Barcelona quando o brasileiro Daniel Alves, titular da
22 equipe azul e grená, se encaminhou para bater um escanteio. Uma
banana, então, foi atirada em sua direção. O lateral ― um baiano
de trinta anos de idade, pardo, como se diz nos censos, e de olhos
25 verdes ― reagiu de forma inesperada para o público e certamente
também para o agressor: pegou a fruta, descascou-a e a pôs na
boca.
28 Aquele era o oitavo caso de racismo nos gramados
espanhóis somente na atual temporada. Teria sido alvo de tímidos
protestos não fosse a reação irreverente do jogador brasileiro ― e
31 a entrada em cena do craque Neymar, seu companheiro de
Barcelona e da seleção brasileira. Na noite do próprio domingo, o
atacante postou três imagens em sua conta no Instagram. Na última
34 delas, aparecia empunhando uma banana ao lado de seu filho, Davi
Lucca ― que, por sua vez, segurava uma providencial banana de
pelúcia. Na legenda, o ex-santista escreveu a hashtag
37 #somostodosmacacos em quatro idiomas: português, inglês,
espanhol e Catalão. Até a última quinta-feira, essa postagem havia
recebido quase 580.000 curtidas, enquanto uma legião de
40 celebridades ― dos esportes, das artes, da política etc. ― repetia
o gesto em apoio a Daniel Alves.
Rinaldo Gama. Como Daniel Alves derrotou o racismo.
Internet: <[email protected]> (com adaptações).
Considerando as ideias e estruturas linguísticas do texto acima, julgue os itens de 9 a 15.
O trecho “Até a última quinta feira (...) em apoio a Daniel Alves” (l.38 a 41) pode ser reescrito, sem prejuízo da coerência e da correção gramatical do texto, da seguinte maneira: Até a última quinta-feira, a postagem havia recebido quase 580.000 curtidas; ao mesmo tempo, uma legião de celebridades ― dos esportes, das artes, da política etc. ― repetia o gesto em apoio a Daniel Alves.