Questão
ID 1250990Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Vírgula
Ano: 2005 Banca: OFFICIUM - Assessoria, Seleção, Habilitação Órgão: Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul
Instrução: As questões de números 11 a 24 referem-se ao texto abaixo.
Prodigalidade
01 Nós vivemos na sociedade do desperdício.
02 Esse comportamento simplesmente passou a ser parte inquestionável de nosso cotidiano. Desde que produzimos
03 o primeiro .........., lá na idade das cavernas, reservamos um lugar de destaque para o desperdício.
04 Desperdiçamos não só porque a publicidade nos torna ansiosos em busca do belo e do novo. Também porque
05 "ter", hoje, se sobrepõe a "ser". E muito mais porque a indústria progrediu, ficou moderna e eficiente.
06 Simplesmente desperdiçamos porque não temos noção de como sermos diferentes.
07 Esse capítulo começa com as pragas que brotam e infestam as lavouras, destruindo grande parte das safras.
08 Continua pelo terreiro das fazendas nas colheitas e deixa um rastro .......... de alimentos apodrecendo nos caminhões,
09 estradas, armazéns, mercados, pias e geladeiras, até que desembarca nas mesas e produz sobras.
10 E este não é um privilégio do campo − ou do setor primário, para usar um termo mais técnico.
11 Desperdiçamos com erros nas fábricas e burocracia nos escritórios.
12 Aprendemos com júbilo a vender mais, estimulando o consumo e induzindo ao desperdício. É um clássico do
13 ensino de marketing o caso das pastas de dente. Seus fabricantes descobriram, depois de muitas pesquisas, que
14 aumentar o diâmetro de saída dos tubos ampliava as vendas sem que fosse preciso duplicar a população nem criar
15 novos hábitos de uso.
16 Nós repetimos, a todo o tempo, que o que abunda não prejudica.
17 Não questionamos as quantidades ofertadas. Por que todo mundo tem que comprar leite em múltiplos de litro ou
18 remédios em doses maiores que a da .......... médica?
19 Também não questionamos a obsolescência programada que condena à morte produtos ainda nas mesas de
20 projeto. Nem a invasão dos descartáveis, das embalagens recheadas com alumínio aos cartões telefônicos.
21 Acumulamos excessos. E gastamos com filas, engarrafamentos e refazeres constantes.
22 Quem nunca assistiu ao xampu escorrendo pelo ralo através de um gargalo muito maior que o necessário? Onde
23 estão as embalagens econômicas? É assim que a indústria produz.
24 Não é lindo um presente embalado e reembalado em quilos de papel e fita colorida? Não é tão bom dar e receber
25 no Natal, no dia das mães, dos namorados, pais, crianças e mestres? Quem passa impune pelos crediários, promoções
26 e vitrines? É assim que o comércio vive.
27 O modo de produção industrial se alimenta da escala. O lucro vem da diferença entre o preço de custo e de
28 venda. Preço é determinado pela lei da oferta e da procura. A medida de nosso sucesso está no que temos.
29 Esses são os principais ingredientes de uma sociedade que não se importa com o desperdício e celebra o novo.
30 Tudo novo é melhor. Tudo é descartável. Carro, computador, celular, emprego, relacionamentos...
31 Afinal, como chamamos as pessoas que economizam energia, fecham as torneiras e reaproveitam as sobras?
(Adaptado de Prado, Jason. Leituras Compartilhadas, fascículo 8)
As vírgulas que ocorrem no trecho Carro, computador, celular, emprego, relacionamentos (linha 30) se justificam pela mesma regra que prescreve seu uso em