Questão
ID 1232310Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Conjunções Subordinativas Concessivas
Ano: 2004 Banca: Fundação CESGRANRIO Órgão: Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco
Texto II
NUNCA DESCUIDANDO DO DEVER
Jamais permitiria que seu marido fosse para o
trabalho com a roupa mal passada, não dissessem os
colegas que era esposa descuidada. Debruçada so-
bre a tábua com olho vigilante, dava caça às dobras,
desfazia pregas, aplainando punhos e peitos, afiando
o vinco das calças. E à poder de ferro e goma, envolta
em vapores, alcançava o ponto máximo da sua arte
ao arrancar dos colarinhos liso brilho de celulóide.
Impecável, transitava o marido pelo tempo. Que,
embora respeitando ternos e camisas, começou sub-
repticiamente a marcar seu avanço na pele do rosto.
Um dia notou a mulher um leve afrouxar-se das pálpe-
bras. Semanas depois percebeu que, no sorriso, fran-
ziam-se fundos os cantos dos olhos.
Mas foi só muitos meses mais tarde que a pre-
sença de duas fortes pregas descendo dos lados do
nariz até a boca tornou-se inegável. Sem nada dizer,
ela esperou a noite. Tendo finalmente certeza de que
o homem dormia o mais pesado dos sonos, pegou um
paninho úmido e, silenciosa, ligou o ferro.
COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgados.
Assinale a opção em que, ao transcrever a oração "embora respeitando ternos e camisas," (l. 10), o sentido permanece.