Questão
ID 1224124Disciplina: Filosofia
Assunto: Maquiavel
Ano: 2018 Banca: CESPE CEBRASPE - Centro de Seleção e de Promoção de Eventos UnB Órgão: Superior Tribunal Militar
Texto 6A2BBB
1 A obra de Maquiavel causou bastante polêmica por
romper com a visão usual da atividade política. Na tradição
cristã, a política era vista como uma forma de preparar a
4 Cidade de Deus na terra. Na Antiguidade, era uma maneira de
“promover o bem comum”. Havia sempre a referência a um
objetivo transcendente, a um padrão implícito ou explícito de
7 justiça. Para Maquiavel, o que importa, na política, é o poder
real. Não é uma questão de justiça ou de princípios, mas de
capacidade de impor-se aos outros.
10 N’O Príncipe, Maquiavel ensina que a meta de toda
ação política é ampliar o próprio poder em relação aos outros.
É necessário reduzir o poder dos adversários: semear a
13 discórdia nos territórios conquistados, enfraquecer os fortes e
fortalecer os fracos; em suma, dividir para reinar.
Os Discorsi são uma longa glosa dos dez primeiros
16 livros da História de Roma, de Tito Lívio, vistos como um
documento histórico incontestável, embora hoje se saiba que o
autor não se furtava a alterar os fatos para robustecer seu
19 caráter alegórico ou exemplar — procedimento, aliás, que
Maquiavel também adotaria em suas Histórias Florentinas.
Na obra, ele procura, nos costumes dos antigos, elementos
22 que possam ser utilizados na superação dos problemas de
sua época.
Ao buscar as causas da grandeza da Roma antiga,
25 Maquiavel acaba por encontrá-las na discórdia entre seus
cidadãos, naquilo que tradicionalmente era estigmatizado como
“tumultos”. Trata-se de uma visão revolucionária, já que o
28 convencional era fazer o elogio da harmonia e da unidade. Até
hoje, a busca do “consenso” e o sonho de uma sociedade
harmônica, sem disputa de interesses, estão presentes no
31 discurso político e, mais ainda, alimentam a desconfiança com
que são vistas as lutas políticas. Para Maquiavel, porém, o
conflito é sempre um sintoma de equilíbrio de poder. Na
34 sociedade, uma parte sempre quer oprimir a outra — nobres e
plebeus, ricos e pobres ou, na linguagem que ele prefere usar,
o povo e os “grandes”. Se o conflito persiste, é porque
37 nenhuma parte conseguiu atingir sua meta de dominar a outra.
Portanto, permanece um espaço de liberdade para todos.
L. F. Miguel. A moral e a política. In: L. F. Miguel. O nascimento da política moderna. De Maquiavel a Hobbes. Brasília: Editora da UnB, 2015, p. 21, 23-4 (com adaptações).
Com relação às ideias do texto 6A2BBB, julgue os itens seguintes.
O autor do texto apresenta uma visão idealizadora de Maquiavel, priorizando arbitrariamente, em sua análise, as obras que considera inovadoras.