Questão 1122606

Língua Portuguesa · 2013

Questão

ID 1122606

Disciplina: Língua Portuguesa

Assunto: Relação de Causa e Consequência

Ano: 2013 Banca: FCC - Fundação Carlos Chagas Órgão: Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo


Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 13 a 21.

1____No tempo de Lavinia Fontana, na efervescência da Bolonha do século XVI, uma pintura, fosse um retrato ou uma cena,

fosse religiosa ou alegórica, histórica ou privada, era criada com a intenção de ser lida. Essa era uma característica inerente e

essencial do ato estético: a possibilidade, por meio de um vocabulário compartilhado, da comunicação entre o ponto de vista do

artista e o ponto de vista do público. Um quadro podia ser venerado pela sua arte ou seu conteúdo, mas acima da veneração estava

5 a promessa de algo a ser aprendido ou pelo menos reconhecido. Ainda no século VI, o papa Gregório, o Grande, havia declarado:

"Uma coisa é adorar um quadro, outra é aprender em profundidade, por meio dos quadros, uma história venerável. Pois aquilo que

a escrita torna presente para o leitor as pinturas tornam presente para os iletrados, para aqueles que só percebem visualmente,

porque nas imagens os ignorantes veem a história que devem seguir, e aqueles que não conhecem o alfabeto descobrem que

podem, de certa maneira, ler. Portanto, especialmente para o povo comum, as pinturas são o equivalente da leitura”.

10__[...] na nossa época, quando as imagens ganham novamente proeminência sobre a palavra escrita, falta-nos esse

vocabulário visual compartilhado. Temos permitido que a propaganda e a mídia eletrônica privilegiem a imagem para transmitir

informações instantaneamente ao maior número de pessoas; esquecemos que a própria velocidade as converte na ferramenta ideal

de comunicação para toda sorte de propaganda, porque, manipuladas pela mídia, essas imagens não nos dão tempo para uma

crítica ou reflexão pausada. "Adoramos as imagens”, mas não “aprendemos em profundidade, por meio delas”. Superficialmente,

15 temos em comum certas imagens básicas − de eficiência e lucro, de sexualidade e satisfação − , cada uma com seu lugar-comum

nas propagandas completamente banais para a Ralph Lauren ou a Volvo, ou para o Homem de Marlboro, com sua tendência ao

câncer. Um carro comumente significa sucesso, um cigarro, auto-afirmação; as praias oferecem um paraíso perdido, e as roupas de

um estilista definem a identidade. Mas a leitura de imagens mais antigas e mais sábias nos escapa. Falta-nos uma linguagem

comum, que seja profunda e significativamente rica. Vivemos, mais uma vez, na Torre de Babel inacabada.

Obs.: Lavinia Fontana (Bolonha (1552); Roma (1614)), pintora italiana. Seu pai e professor, Prospero Fontana, era o principal pintor da Escola de Bolonha.

(Alberto Manguel, Lendo imagens: uma história de amor e ódio. Trad. Rubens Figueiredo, Rosaura Eichemberg, Cláudio Strauch, São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 143 e 144)



O termo inicial do segundo parágrafo foi omitido, como o indica o uso dos colchetes. A coerência do texto exige que essa lacuna seja preenchida com a seguinte formulação, seguida da necessária vírgula:

Alternativas da questão 1122606
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