Questão
ID 1114761Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Viés
Ano: 2006 Banca: CESPE CEBRASPE - Centro de Seleção e de Promoção de Eventos UnB Órgão: Procuradoria-Geral do Estado do Amapá
1 ____ Quando o noticiário inicia, somos endereçados por
um locutor que olha diretamente para a câmera e apresenta
os “fatos”. Cada espectador é colocado no papel de
4 destinatário direto. O locutor introduz uma entrevista
filmada. Nossa posição muda. Não somos mais endereçados
diretamente, mas espiamos, vemos e julgamos. As diferentes
7 posições nos asseguram que alguns aspectos da experiência
devem ser aceitos (fatos), enquanto outros (opiniões) exigem
nosso julgamento. A distinção jornalística, altamente
10 questionável, entre fato e opinião está embutida nas maneiras
pelas quais somos posicionados em relação a diferentes
aspectos da experiência.
13 ___ O que se está sugerindo é que, para compreender os
filmes ou programas de TV, o espectador deve ser capaz de
adotar — nem que seja apenas imaginária e temporariamente
16 — os interesses sociais, políticos e econômicos que são as
condições para o conhecimento que eles constroem.
Assim, parte da experiência e da relação de um
19 garoto de 12 anos com um filme como Jurassic Park não é
apenas uma resposta ao seu estilo e à sua história, mas
também uma resposta às formas pelas quais a estrutura de
22 endereçamento solicita ou, até mesmo, exige dele uma certa
leitura.
Elizabeth Ellsworth. Modo de endereçamento: uma coisa de cinema; uma coisa de educação também. In: Tomaz Tadeu da Silva (Org.). Nunca fomos humanos. Belo Horizonte: Autêntica, 2001, p. 18-9 (com adaptações).
Com base no texto acima, julgue os próximos itens.
No terceiro parágrafo, apesar de se valer de um exemplo relacionado a texto ficcional, a autora retoma o julgamento de que é questionável a distinção jornalística entre fato e opinião, expresso no último período do primeiro parágrafo.