Questão
ID 1105791Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Casos Especiais de Regência Verbal
Ano: 2011 Banca: FUNCAB - Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt Órgão: Prefeitura Municipal de Vitória
Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.
Saúde dez, educação zero
Numa era em que a etiqueta é cada vez mais considerada como firula de grã-fino e os garotos mal-educados (mas divertidos) do desenho americano South Park foram elevados à categoria de super-heróis da criançada, cultivar bons modos virou um pesadelo para pais, mães e professores. Não se está falando aqui de coisa muito refinada, como esgrimir garfo e faca com eficiência na hora de desossar uma escorregadia codorna. Fala-se do ritual simples do “por favor”, “obrigado” e “até logo”, palavrinhas em desuso no vocabulário mirim.Aflições desse tipo levaram uma das mais respeitadas consultoras em etiqueta para empresários e executivos, Suzana Doblinski, a descobrir um novo filão de trabalho. Fundadora de um instituto que leva seu nome e atende à demanda de cursos e palestras em corporações, ela está lançando o livro Não Fale de Boca Cheia, em parceria com Albertina Costa Ruiz, pela Editora Mundo Cristão.
O título resume bem aquele que talvez seja um dos preceitos mais elementares repetidos pelos adultos para a garotada. Verificando o comportamento de seus filhos com um olhar um pouquinho crítico, você mesmo pode atestar que esse é um mercado promissor. (...) Esse crescente interesse pela etiqueta infantil tem explicação. De acordo com a educadora Tania Zagury (...), a falta de tempo é um dos responsáveis pela procura de complementos à educação dos filhos. “Hoje em dia os pais têm menos contato com as crianças, por causa da correria diária. Antigamente, quando as mães ficavam em casa, elas mesmas ensinavam boas maneiras aos filhos, o que tem ficado difícil com a maior parte delas no mercado de trabalho”, avalia. “As crianças estão se tornando mal-educadas por falta de tempo dos pais”, comprova a professora Rosália Alvim Saraiva, mestre em educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio Grande do Sul.
Atentas à tendência, algumas escolas particulares passaram a se preocupar com os bons modos dos alunos (...).
De maneira geral, nesses livros e cursos, os ensinamentos não estão restritos ao manuseio correto dos talheres, às formas polidas de tratamento ou como se comportar na festinha do amigo, embora esses temas também sejam abordados.As lições vão além e dão bastante ênfase às noções de relacionamento, à socialização e até aos hábitos de higiene das crianças. O objetivo é resgatar algumas atitudes valiosas de convivência que estão sendo esquecidas. “Muitas crianças não são capazes de pedir licença ou desculpas”, observa a educadora Rosália Saraiva, de Porto Alegre. Nessa categoria de atitudes civilizadas entram orientações sobre a importância da pontualidade, de respeitar filas, não fazer barulho em lugares que exigem silêncio, como cinema, teatro e biblioteca, organizar a bagunça em casa e conviver de maneira amistosa com irmãos, professores e amigos. Sinal dos tempos, estão incluídas regras importantes sobre segurança, como não fornecer endereço, número de telefone ou localização da escola ao conhecer pessoas pela Internet. Ou ainda não se aproximar de desconhecidos na rua e não reagir a assalto. A consultora Célia Ribeiro explica que, para aprender realmente a se comportar de maneira adequada, a garotada tem de ser estimulada pelos pais, que devem dar o exemplo em casa e mostrar a utilidade prática daquilo. “Não adianta a criança aprender que não é educado gritar ou falar palavrões se quando chega em casa é exatamente o que vê os pais fazerem”, explica. (COLAVITTI, Fernanda. – 21/ 03/ 2001).
De acordo com o que ainda preceitua a norma culta da língua, uma das frases do texto, embora muito usada na linguagem oral, apresenta desvio do padrão quanto à regência verbal.Assinale-a.