Questão
ID 108622Disciplina: Língua Portuguesa
Assuntos: Sentidos do texto, Viés
Ano: 2025 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de Porto Alegre
Talvez uma das ignorâncias que temos, quando o assunto é o futuro, seja acreditar sobremaneira nele
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Por Mário Corso
\(\quad\)
01 \(\quad\) O tempo é algo tão abstrato que precisamos de suportes espaciais para concebê-lo.
02 Pensamos o passado como estando às nossas costas, pois o futuro estaria à nossa frente, tanto
03 que caminhamos em sua direção. Isso nos parece tão óbvio que nem nos ocorre que possa ser
04 uma construção cultural.
05 \(\quad\) Os Aymaras, a segunda maior etnia ameríndia da América do Sul, pensam de outra forma.
06 Eles percebem o passado estando à frente, logo, o futuro estaria atrás. O argumento deles para
07 esta inversão é muito bom. O passado foi visto, nossos olhos testemunharam-no. Do futuro
08 não sabemos, somos cegos pra ele, da mesma forma que não enxergamos o que está atrás de
09 nós.
10 \(\quad\) O pensamento aymara também usa o apoio espacial, mas o foco está na percepção visual.
11 Na verdade, é mais do que isso, o que sabemos do passado é uma operação cognitiva mais
12 ampla, e é este ponto a que eles se referem. O passado é conhecido (visto); o futuro,
13 desconhecido (invisível).
14\(\quad\) De alguma forma intuímos isso. O escritor inglês Samuel Taylor Coleridge usou mais de
15 uma vez o mote da lanterna de popa para se referir ao modo como experienciamos a vida. Ele
16 pede para imaginarmos um barco viajando na noite, só enxergando por onde passou.
17 \(\quad\) Como a lanterna está atrás (popa), não ilumina o caminho que está à frente (proa). Ele usa
18 a metáfora para dizer que navegamos em direção ao futuro, mas só compreendemos o passado.
19 Em outras palavras, os olhos do entendimento estão na nuca.
20 \(\quad\) A maior vantagem de estudar outras culturas está em entender melhor a nossa. Passamos
21 a perceber que algo que damos como natural pode ser apenas uma convenção cultural. Ou seja,
22 é a nossa forma de entender um ponto, e não a única, e nem sempre a mais rica para ajudar o
23 pensamento.
24 \(\quad\) Como temos uma tecnologia muito mais avançada, olhamos para os povos autóctones com
25 soberba, como se eles não tivessem nada a nos ensinar, ou a nos fazer pensar. Talvez uma das
26 ignorâncias que temos, quando o assunto é o futuro, seja acreditar cegamente nele, a tal ponto
27 de desprezar o que vem do passado. Afinal, é lá que habita a experiência, não só a dos
28 velhos, mas a dos povos antigos, que tantos futuros afoitos apagaram do nosso acervo de
29 saberes.
\(\quad\)
(Disponível em: www.gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/mario-corso/noticia/2024/10– texto adaptado
especialmente para esta prova).
Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) O futuro merece toda a nossa atenção devido, principalmente, ao fato de ser abstrato; entretanto, é preciso olhá-lo com objetividade para obter sucesso, desdenhando de experiências passadas.
( ) Ao citar os conhecimentos do povo Aymara e o escritor inglês Samuel Taylor Coleridge e suas ideias sobre como experienciamos a vida, o autor do texto agrega credibilidade às suas ideias acerca do tema apresentado.
( ) Os povos originários são responsáveis pela falta de conhecimento que hoje enfrentamos na construção do nosso futuro.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: