Questão
ID 1076107Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Assunto: Educação
Ano: 2016 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Prefeitura Municipal de São Leopoldo
Instrução: As questões de números 36 a 45 referem-se ao texto abaixo.
Desigualdade na Educação
- O tema desta coluna é de interesse essencial e permanente, sobretudo para quem de
- verdade pensa no povo brasileiro, no progresso desta nação e em uma saída para as misérias,
- insegurança, aflição e falta de rumo em que de momento se encontra. Pois na educação, só nela,
- está a base de tudo isso: um povo educado é um povo informado, que saberá ter consciência de
- suas responsabilidades e escolher seu destino. Já escrevi várias vezes, e disse, e repito aqui, que
- educação é da maior importância para mim, pois sou de uma família de professores universitários,
- e tenho netos e netas em todos os níveis de escolaridade. Portanto, além de ser uma brasileira
- mais ou menos pensante, esse assunto me toca de perto, e a fundo.
- Acredito firmemente que um governo é benfazejo para seu povo quando acima e antes de
- tudo aposta e investe em educação para todos, em todos os rincões do território, ainda que seja
- grande e complexo como este nosso. Com a educação de todos, sem exceção, virão os demais
- benefícios necessários a um povo digno, como saúde, infraestrutura, segurança, economia
- equilibrada e florescente, ótimas relações com os países estrangeiros, e lugar de destaque entre
- as nações civilizadas.
- Penso, porém, que a maior parte das transformações realizadas na educação brasileira
- tem sido um desastre. Só para dar um exemplo simples e concreto: décadas atrás, havia nove
- anos do chamado "primeiro grau", mais três do "segundo grau", e aí se estava preparado para,
- após o vestibular, ingressar numa universidade. Mas suprimiram um ano do "primeiro grau",
- reduziu-se o estudo a oito anos, naturalmente retirando matérias e conteúdos. Era a onda do
- mais fácil, do não traumatizar a meninada, do aprender brincando. Era (continua sendo) quase
- proibido reprovar, corrigir, em suma, educar, nessa fase de fracos psicologismos. Mais despreparo
- para a profissão, e a vida, pois aprendemos também com trabalho, crescimento pessoal e
- discernimento.
- Recentemente, devolveram o ano roubado dos meninos no chamado "primeiro grau":
- agora, estudam outra vez por nove anos antes de entrar no segundo grau, o antigo científico ou
- clássico. Mas descubro, com assombro, que em muitas escolas esse nono ano passa a ser uma
- repetição do oitavo: as mesmas matérias, os mesmos programas, até os mesmos passeios e
- visitas a museus ou outros locais de interesse. Portanto, nesse ano que lhes foi devolvido, em
- vez de aproveitar, a meninada boceja de tédio e desinteresse.
- Agora, a novidade impensável, que de início considerei brincadeira ou pegadinha: um
- projeto que pretende reduzir os estudos a um conteúdo reles, minúsculo, que — só para dar um
- exemplo — abrangerá na história unicamente Brasil, África e Ameríndias (parece que os índios
- americanos também estão fora, vai ver já eram capitalistas...). Toda a história ocidental, Idade
- Média, Renascimento, Grécia (onde nasceu a base de tudo o que sabemos e somos), ficará de
- fora. Mais absurdamente isolados do que já estamos do mundo civilizado seria impossível — como
- será impossível estarmos mais desligados dos valores essenciais de um ser humano pensante,
- consciente, produtivo.
- Não podemos ficar ainda mais atrasados, mais obtusos, mais desprezados do que já
- estamos. Fragilizados, alienados, despreparados, num obscurantismo patético, não saberemos
- de nossas raízes, ignorantes dos grandes tesouros do pensamento ocidental, porque, além de
- semianalfabetos, teremos cérebro atrofiado, esperanças empalidecidas, reduzidos a verdadeiros
- mendigos, primos pobres no chamado "concerto das nações". Reduzir o nível da educação que
- proporcionamos a nossas crianças e jovens (os que têm o privilégio de ir à escola) será mais uma
- tragédia sem nome para este país já tão aviltado.
Fonte: Lya Luft, Revista Veja, 03-fev-2016 – texto adaptado
Analise as assertivas a seguir, relativamente às ideias contidas no texto:
I. Segundo a autora, educação é fator fundamental para o desenvolvimento de um país, visto que dela decorre tudo aquilo que faz digno um povo.
II. A inserção recente de um ano a mais no ensino fundamental veio de encontro àquilo que já acontecia há décadas atrás, quando os jovens cursavam o primeiro e o segundo graus.
III. A autora defende que a compreensão da história da humanidade prescinde do estudo aprofundado das civilizações e dos fatos que nos antecederam, tais como o Renascimento, a Grécia Antiga, a Idade Média.
Quais estão corretas?