Questão
ID 106802Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Uso de Sinônimos
Ano: 2025 Banca: FUNDATEC - Fundação Universidade Empresa de Tecnologia e Ciências Órgão: Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
E se...
Por Adriana Antunes
- \(\quad\) E se eu não tivesse brigado, discutido, me entregue? E se eu tivesse feito diferente, dito
- de outra forma, me retirado em silêncio? E se eu não tivesse aceitado o conselho, tivesse
- tomado uma decisão por mim mesmo ou ainda, se tivesse escutado o que me diziam, talvez hoje
- fosse diferente? Talvez eu não estaria aqui escrevendo e você não estivesse aí lendo. Não nos
- damos conta de que se não tivéssemos feito o que fizemos, dentro do possível que éramos na
- época, não teríamos chegado até aqui do jeito que chegamos. O “e se” é suspenso. O agitamos
- feito um papel-manteiga que se dobra diante do vento. Tentar prever algo, saber de antemão é
- congelar a vida.
- \(\quad\) Construímos tensões ao longo do tempo. Ficamos tristes, desapontados, frustrados.
- Somos uma espécie de taças sendo preenchidas e esvaziadas constante e silenciosamente.
- Talvez pudéssemos pensar que o “e se” funciona como ruínas que carregamos dentro de nós.
- Somos tão cheios de impossibilidades e nos demoramos nelas feito crianças birrentas que
- insistem em algo que já passou. Pensar no que poderia ter acontecido se tivéssemos feito de
- outro modo é ficar velando ossos. O tempo revira a vida todos os dias. Precisamos aprender a
- passar por nossas ruínas internas sabendo por onde pisamos, aceitando o que se perdeu. Temos
- tanto medo de morrer, entretanto nem nos damos conta de que ao ficarmos fixados no “e se”,
- flertamos com o que já não tem mais vida alguma e nos assombra feito fantasmas. Alimentamos
- fantasmas pela escuridão que projetamos.
- \(\quad\) Estar vivo é errar. Vamos inventando aos poucos. Acertando aqui, nos queimando logo
- ali. Pisando em falso numa memória, tropeçando numa escolha equivocada, correndo atrás
- dos sonhos. Se conseguirmos olhar para o que passou e pensar que hoje faríamos de outro jeito,
- eis a constatação de que estamos nos movimentando. Mesmo que estejamos andando em
- círculos, repetindo, repetindo. Até que um dia nos damos conta de que já passamos por esta
- mesma paisagem muitas vezes. Agora podemos reconhecer por onde andam os buracos que nos
- machucam.
- \(\quad\) Invocar o “e se” é permanecer voltado para trás. É ficar olhando para lápides e estátuas
- trincadas cobertas de musgo. Talvez pudéssemos nos permitir a perguntar: “e agora?” Todos
- carregamos coisas mal resolvidas dentro de nós, mas para quê? Nossos cacos da infância, restos
- de histórias interrompidas compõem nosso chão, é fato, mas mais do que sermos metamorfoses
- ambulantes, somos trajetórias e trajetos que se fazem e desfazem e se refazem o tempo todo.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/adriana-antunes/noticia/2025/08/e-secmergkio500bq0149wrai06p6.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta uma possibilidade de substituição da palavra “eis” (l.22) que NÃO cause alterações significativas ao sentido e à correção do trecho em que ocorre.