Questão
ID 1061046Disciplina: Língua Portuguesa
Assunto: Correção
Ano: 2003 Banca: SENASP - Serviço Nacional de Seleção Pública Órgão: Prefeitura Municipal de Salvador
Texto I
Cuidado com a língua
Não diga para o chefe que você vai estar lendo este texto
Ao receber de seus funcionários um relatório incompleto, o diretor da empresa tem o direito de pedir maiores esclarecimentos, certo? Segundo a consultora carioca Miriam Gold, a resposta é não. O problema não envolve hierarquia, mas português. “Uma informação não pode ser maior, em termos de crescimento. O correto é mais ou melhores esclarecimentos”, diz Miriam no livro Redação empresarial, que acaba de ter sua segunda edição publicada pela Makron Books.
Miriam, que já trabalhou para companhias como Gerdau e Accenture, dá palestras sobre linguagem em empresas e realiza programas de treinamento para executivos. Seu trabalho é apontar e corrigir impropriedades na comunicação. “Um documento mal escrito ou confuso pode significar o fracasso numa negociação, diz. Formada em letras vernáculas, com pós-graduação em educação e qualidade da empresa, ela só passou a ser procurada por homens engravatados e de pastinha no início da década de 90 (até então a maioria de seus clientes se preocupava apenas com a redação do vestibular). “Com a globalização, a linguagem também virou um produto da empresa, pois começou a influir na sua imagem”.
A partir daí, o modelo americano de comunicação escrita foi adotado: claro e direto, sem formalidade exagerada. Expressões como “destarte” e “subscrevemo-nos, que faziam a alegria dos eruditos de plantão, começaram a ser abandonadas. “ Em vez de causar uma boa impressão, elas desacreditam a empresa e a fazem parecer antiquada”, diz Miriam. Mas a busca de objetividade não pode ser confundida com desleixo ou rudeza.
Para a consultora, o vocabulário empresarial deve ser simplificado, mas continuar formal, elegante e – claro – gramaticalmente correto.
Miriam também tenta ajudar a melhorar a comunicação interna nos escritórios. Isso porque, acredita, a falta de diálogo claro pode diminuir a sinergia e afetar a produtividade. Ela conta que, certa vez, os funcionários de uma empresa receberam um memorando do departamento de recursos humanos sobre o recadastramento no plano de saúde. O texto estava tão truncado que as pessoas não entenderam exatamente que tipo de informação teriam de enviar. Resultado: o processo de utilização dos dados, que deveria levar dois meses para ser concluído, levou seis.
Segundo a consultora, há dois problemas freqüentes na linguagem empresarial nos dias de hoje. Um é o gerundismo – aquele corriqueiro (sobretudo nas centrais de atendimento telefônico) eu vou estar te enviando e suas variantes. “ Isso se espalhou como um vírus”, diz. “ O pessoal de recursos humanos, por exemplo, usa muito”. Outro, os textos de correio eletrônico. Miriam passa parte de seu tempo tentando convencer as pessoas de que escrever um e-mail é diferente de bater papo. “Muita gente se senta ao micro e escreve sem planejamento algum”, diz. Se as informações não forem claramente compreensíveis, de nada adianta trocá-las em alta velocidade.
FÁBIO PEIXOTO
De acordo com o texto, é lícito afirmar
I - As informações obedecem à hierarquia da Comunicação.
II - "Mais ou melhores" denotam quantidade e qualidade.
III - Segundo Miriam Gold, a comunicação precisa ser clara, coesa e objetiva.
IV - "Homens engravatados e de pastinha" conota nível profissional visto com afetividade, conforme expressa a palavra no diminutivo.
V - A globalização impõe a atualização.
VI - "Destarte" e "subscrevemo-nos" são expressões ultrapassadas e revelam arcaísmo vocabular.
VII - Para Miriam Gold, a simplificação vocabular deve ser inversamente proporcional à coerência gramatical.
VIII - Um texto prolixo pode causar transtornos irreparáveis à empresa.
IX - Uma locução verbal desnecessária deve ser evitada.
X - A rapidez na comunicação não significa precisão de informação.
Estão incoerentes com o texto