Quanto custa um cursinho para concurso público?

Quanto custa um cursinho para concurso público?
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 07/10 às 10h

A taxa de inscrição costuma ser a menor linha da conta, e para muita gente ela nem existe: a Lei 13.656/2018 isenta quem está no CadÚnico com renda per capita de até meio salário mínimo e quem é doador de medula óssea.

Não existe preço único para um cursinho de concurso. O custo real da preparação é a soma de seis linhas: curso, material de estudo, banco de questões, taxas de inscrição, exames exigidos no edital e deslocamento. A faixa muda conforme a modalidade escolhida, e a variável que mais pesa é o tempo até a aprovação.

Infográfico com as seis linhas de custo de quem se prepara para concurso público
O custo real da preparação é a soma destas seis linhas.

Atualizado em 7 de outubro de 2026.

Neste guia você encontra:

Quanto custa um cursinho para concurso, afinal?

A pergunta não tem resposta em um número porque o mercado trabalha com modelos muito diferentes entre si. Existem assinaturas que liberam todo o catálogo por um valor mensal, cursos fechados para um único concurso com preço cheio e pacotes avulsos por disciplina. Cada modelo cobra de um jeito, e comparar só pelo preço de etiqueta leva a conclusões erradas.

O critério que funciona é outro: calcule o custo por mês de preparação, não o valor da compra. Um curso de preço mais alto que acompanha você por dois anos pode sair mais barato por mês do que três compras pequenas feitas em sequência porque a primeira não resolveu.

E há uma conta que quase ninguém faz: cada ano a mais de preparação custa um ano de salário que você deixou de receber no cargo. Essa é, de longe, a linha mais cara do orçamento, e é ela que justifica investir em qualidade no começo.

Antes de qualquer escolha, vale ler os oito critérios para avaliar um curso para concurso, porque eles organizam a comparação melhor que a tabela de preços.

As seis linhas que formam o custo real:

Em vez de procurar um valor pronto, monte a sua própria conta. A tabela abaixo mostra o que entra em cada linha e o que faz o valor subir ou descer.

LinhaO que entraO que faz variar
CursoAssinatura, curso direcionado ou aulas avulsasModalidade, prazo de acesso e serviços incluídos
MaterialLivros, resumos, legislação comentada, impressãoQuantidade de disciplinas e preferência por papel
QuestõesBanco de questões e simuladosSe já vem incluso no curso ou é compra separada
InscriçõesTaxa de cada concurso em que você se inscreveNível do cargo, quantidade de certames e isenção
ExamesExames médicos, toxicológico e documentos da posseTipo de cargo e exigências do edital
DeslocamentoTransporte e hospedagem no dia da provaCidade de aplicação e número de etapas presenciais

A linha que mais engana é a do material.

Material parece barato porque cada compra é pequena, e justamente por isso ele se acumula sem aparecer. Dez livros comprados ao longo de um ano somam um valor relevante, e boa parte deles acaba lida pela metade. Antes de comprar o próximo, confira as quatro funções que o seu conjunto de material precisa cobrir, porque material repetido é dinheiro parado.

A linha das inscrições depende de uma decisão estratégica.

Quem se inscreve em tudo o que abre gasta mais e rende menos, porque fragmenta o estudo. Quem escolhe dois ou três alvos compatíveis gasta menos em taxa e aproveita a mesma base de conteúdo. A economia aqui vem de foco, não de deixar de concorrer.

O que muda entre curso on-line e presencial?

A diferença de preço entre as duas modalidades existe, mas ela é menos importante do que a diferença de adequação à sua rotina. Um curso presencial barato que você falta metade das aulas custa caro; um on-line caro que você assiste inteiro sai barato.

O presencial carrega custos que não aparecem na mensalidade: transporte diário, alimentação fora de casa e tempo de deslocamento, que é tempo que você não está estudando. O on-line elimina esses três e acrescenta a necessidade de disciplina própria, porque ninguém vai notar a sua ausência.

Há ainda o fator de cobertura. Cursos presenciais costumam preparar para concursos regionais, enquanto o on-line dá acesso a conteúdo de certames do país inteiro, o que amplia o número de alvos possíveis com o mesmo gasto. Para decidir, compare aula gravada, ao vivo e presencial e veja como escolher um curso preparatório on-line.

Os custos escondidos que ninguém coloca na planilha.

  • Impressão de PDFs e apostilas, que vira um gasto mensal silencioso em quem estuda por material digital.
  • Internet e equipamento, porque videoaula exige banda estável e um dispositivo que não trave.
  • Exames da posse, que incluem avaliações médicas e, em muitos cargos, o exame toxicológico de larga janela.
  • Documentação, certidões e autenticações exigidas na fase de posse.
  • Deslocamento para etapas presenciais além da prova objetiva, como avaliação psicológica e testes físicos.
  • Reposição de renda, quando a preparação exige reduzir jornada ou recusar hora extra.

Nenhum desses itens é grande sozinho. Juntos, costumam representar uma fatia maior que a taxa de inscrição, e são justamente os que pegam o candidato de surpresa porque chegam todos no mesmo mês.

Como montar o seu orçamento em uma folha:

Esse exercício leva vinte minutos e evita o erro mais comum, que é começar uma preparação sem saber se ela cabe no seu mês.

Passo 1: defina o horizonte realista.

Escolha o número de meses que você pretende estudar antes da primeira prova séria. Esse número é o denominador de tudo. Um cronograma de estudos ajuda a chegar a um horizonte que não seja chute.

Passo 2: liste os concursos-alvo e some as taxas.

Dois ou três alvos com conteúdo parecido. Pegue a taxa de inscrição do último edital de cada um como referência e some. Depois verifique se você se enquadra na isenção, porque isso pode zerar a linha inteira.

Passo 3: escolha o modelo de curso e divida pelo horizonte.

Transforme o preço em valor por mês de preparação. Compare os modelos nessa unidade, nunca no valor cheio. A comparação entre assinatura e curso específico fica muito mais clara assim.

Passo 4: reserve uma linha para imprevistos.

Prova adiada, segundo concurso que aparece no meio do caminho, exame extra. Uma reserva pequena evita que o orçamento quebre no primeiro desvio e você precise parar a preparação.

Passo 5: revise a conta a cada três meses.

Orçamento de concurseiro envelhece rápido, porque o calendário de editais muda. Revisar a cada trimestre permite cortar o que não está sendo usado antes que o gasto se repita.

O que dá para fazer de graça, e até onde isso leva?

Dá para avançar bastante sem gastar, e é honesto dizer isso. A primeira economia real está na isenção da taxa. O texto da Lei 13.656/2018 garante isenção, nos concursos federais, a quem pertence a família inscrita no CadÚnico com renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo e a quem é doador de medula óssea em entidade reconhecida pelo Ministério da Saúde. Veja quem tem direito à isenção e como pedir e entenda por que tantos pedidos são negados.

Depois disso, o material gratuito mais valioso é a prova anterior da banca, disponível nos sites das organizadoras e dos órgãos. Resolver provas anteriores ensina o padrão de cobrança melhor que qualquer resumo pago. A legislação seca também é gratuita e oficial.

O limite dessa estratégia aparece em três pontos: correção de redação, que exige leitor humano; dúvida que trava o estudo por dias e precisa de alguém para destravar; e organização de trilha, que é o que evita estudar muito e render pouco. Quem estuda sem curso precisa resolver esses três de outro jeito, e o guia de como estudar sozinho mostra como.

Quando pagar um curso compensa?

A resposta depende de onde está o seu gargalo, não do tamanho da sua vontade. Vale fazer a conta em três cenários.

Vale a pena quando o gargalo é tempo:

Se você tem poucas horas por semana, pagar por uma trilha pronta economiza justamente o recurso mais escasso. Montar edital verticalizado, caçar material e escolher ordem de disciplinas consome semanas que você não tem. Quem concilia trabalho e estudo sente essa diferença logo no primeiro mês.

Vale a pena quando a prova tem discursiva ou redação:

Redação não melhora com leitura, melhora com correção. Esse é o serviço que menos se substitui com material gratuito, e é também o que mais separa aprovados em provas que têm segunda fase.

Não vale a pena antes de decidir o alvo:

Comprar curso específico de um concurso antes de escolher a carreira é a forma mais rápida de desperdiçar dinheiro. Primeiro decida, com a ajuda de materiais como vale a pena fazer concurso público hoje e qual curso escolher para começar do zero, e só depois compre.

Checklist do orçamento antes de começar.

  • Horizonte de preparação definido em meses, não em sensação.
  • Dois ou três concursos-alvo escolhidos, com conteúdo compatível entre si.
  • Verificação de isenção feita antes de pagar qualquer taxa.
  • Custo do curso convertido em valor por mês de preparação.
  • Banco de questões e simulados conferidos: inclusos ou compra separada?
  • Linha de exames e documentos prevista para a fase de posse.
  • Reserva para imprevistos separada do valor principal.
  • Data marcada para revisar a conta daqui a três meses.

Para fechar o planejamento, vale olhar também o prazo de validade de um concurso, que influencia quanto tempo o seu investimento continua valendo depois da aprovação, e como usar um banco de questões de verdade, já que essa costuma ser a linha de maior retorno por real gasto.

Perguntas frequentes:

Dá para passar em concurso sem pagar cursinho?

Dá, e acontece com frequência, principalmente em cargos de nível médio com conteúdo programático enxuto. O que esses aprovados têm em comum não é economia, é método: trilha definida, muita questão resolvida e revisão organizada. A dificuldade cresce quando a prova tem discursiva, porque correção de texto é o item mais difícil de substituir sem apoio.

Qual é a linha mais cara da preparação?

No papel, costuma ser o curso. Na prática, é o tempo: cada ano a mais até a aprovação equivale a um ano de salário do cargo que você não recebeu. É por isso que encurtar a preparação com um apoio adequado costuma sair mais barato do que prolongá-la economizando.

Como pedir isenção da taxa de inscrição?

A solicitação é feita dentro do prazo específico previsto no edital, quase sempre anterior ao prazo normal de inscrição, com o número de identificação social do CadÚnico ou o comprovante de doador de medula óssea. Perder esse prazo significa pagar, mesmo tendo direito, então ele precisa estar no seu calendário desde a publicação do edital.

Vale mais a pena assinatura ou curso de um concurso só?

A assinatura rende mais quando você ainda vai prestar vários certames ou quando a sua área tem editais frequentes, porque o custo se dilui em mais alvos. O curso específico rende mais quando já existe um edital publicado e a prova está próxima, porque o conteúdo chega recortado para aquela banca.

Faça a conta com tudo em um lugar só:

Boa parte do custo de uma preparação vem de comprar em pedaços aula, questão, simulado e correção de redação em lugares diferentes. Na plataforma do Portal Concursos esses itens ficam juntos, com banco de questões de provas reais, simulados ilimitados com relatório de desempenho e mentoria individual para destravar o que está parando você. Conheça os planos e confira o conteúdo.

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