Primeiros socorros para concurso: o que cai
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 07/10 às 11h

O protocolo de reanimação usado pelos serviços públicos de saúde pede de 100 a 120 compressões por minuto. Quem troca esse intervalo por "cerca de 60" perde a questão mais previsível da prova de primeiros socorros.

Primeiros socorros para concurso cobra protocolo, não improviso: sequência de atendimento, acionamento do SAMU pelo 192, reanimação cardiopulmonar com números exatos, desobstrução de vias aéreas, controle de hemorragia e condutas em queimadura, fratura e convulsão. A disciplina aparece sobretudo em seleções de guarda municipal, polícia, bombeiro e área da saúde.

Infográfico com os parâmetros de reanimação cardiopulmonar cobrados em prova de primeiros socorros
Os cinco parâmetros de reanimação que a banca repete.

Atualizado em 7 de outubro de 2026.

Neste guia:

Em quais concursos a disciplina cai?

Primeiros socorros não é matéria de prova generalista. Ela entra quando o cargo coloca o servidor diante de uma emergência real, e é isso que explica onde ela aparece.

  • Guarda municipal, cargo em que a disciplina é praticamente padrão nos editais recentes.
  • Polícia militar e bombeiro militar, com peso ainda maior no corpo de bombeiros.
  • Agente de trânsito e agente de defesa civil.
  • Cargos da área de saúde, de técnico de enfermagem a socorrista e condutor de ambulância.
  • Professor de educação física, monitor escolar e cuidador, pelo contato com crianças.

Se você está mirando uma dessas carreiras, vale olhar o conteúdo completo exigido. Nosso guia sobre o que estudar para concurso de guarda municipal mostra como a disciplina se encaixa ao lado de legislação e legislação do SUS em cargos de saúde, e quem está escolhendo entre as carreiras de segurança encontra o panorama em carreiras policiais.

Os blocos de conteúdo que a banca cobra.

O conteúdo programático de primeiros socorros é curto e repetitivo entre editais, o que é uma vantagem enorme para quem estuda. Cinco blocos cobrem quase tudo.

BlocoConteúdo centralFrequência
Avaliação da cena e da vítimaSegurança do socorrista, resposta, respiração, pulsoMuito alta
Reanimação cardiopulmonarCompressões, ventilação, sequência, uso do desfibriladorMuito alta
Obstrução de vias aéreasEngasgo parcial e total, manobra de desobstruçãoAlta
Hemorragias e choqueCompressão direta, elevação, sinais de choqueMédia
Trauma e emergências clínicasFratura, queimadura, convulsão, desmaio, intoxicaçãoMédia

Avaliação antes de qualquer manobra.

A primeira regra do atendimento não é técnica, é de segurança. O socorrista avalia a cena antes de entrar nela, porque socorrista acidentado vira segunda vítima. Depois verifica se a pessoa responde ao chamado e se respira. Só então decide a conduta. Bancas cobram essa ordem com frequência, justamente porque o candidato ansioso pula para a manobra.

O papel do leigo e o limite da atuação.

Primeiros socorros são medidas iniciais prestadas até a chegada do atendimento especializado. Não substituem o serviço médico e não autorizam procedimento invasivo. Deixar de prestar socorro quando é possível fazê-lo sem risco pessoal, por outro lado, é conduta tipificada como crime no Código Penal brasileiro em vigor, e esse ponto aparece em prova de legislação com certa constância.

Reanimação cardiopulmonar: os números que caem.

Este é o bloco que mais rende ponto, porque a cobrança é numérica e objetiva. O protocolo operacional padrão de reanimação cardiopulmonar publicado pela Secretaria de Saúde de Sorocaba traz os parâmetros que as bancas usam como referência.

ParâmetroValor de referência
Frequência das compressões100 a 120 por minuto
Profundidade no adultoNo mínimo 5 cm, sem passar de 6 cm
Relação compressão e ventilação30 compressões para 2 ventilações
Sequência de atendimentoC-A-B, compressão antes da via aérea
Acionamento do serviçoSAMU pelo 192, antes de iniciar a manobra

Por que a compressão vem primeiro?

A ordem C-A-B existe porque o atraso para iniciar a compressão custa perfusão cerebral. A ventilação é aplicada depois do primeiro ciclo de 30 compressões. Quando a banca inverte e apresenta a sequência A-B-C como correta, está cobrando exatamente essa atualização de protocolo.

Condutas por tipo de emergência.

Engasgo e obstrução de vias aéreas.

A conduta muda conforme a obstrução. Se a pessoa tosse com força e consegue falar, a obstrução é parcial e o socorrista estimula a tosse sem intervir. Se não consegue falar nem tossir, a obstrução é total e exige a manobra de desobstrução. Essa distinção entre parcial e total é a pegadinha preferida nessa parte da matéria.

Hemorragia e sinais de choque.

Em sangramento externo, a conduta inicial é compressão direta sobre o ferimento com material limpo. Torniquete é recurso de exceção, não de primeira escolha. Palidez, pele fria e úmida, pulso rápido e confusão mental são sinais de choque e pedem acionamento imediato do serviço de emergência.

Queimadura.

Água corrente em temperatura ambiente sobre a área atingida é a conduta recomendada. O que não se faz é aplicar pasta de dente, manteiga, pó de café ou qualquer substância caseira, nem estourar bolha. Em queimadura extensa, o risco de perda de líquido e de hipotermia passa a ser prioridade.

Fratura e suspeita de fratura.

O princípio é imobilizar na posição encontrada, sem tentar alinhar o osso. Em suspeita de lesão na coluna, a vítima não deve ser movimentada, salvo risco iminente no local. Esse ponto aparece muito em prova de guarda municipal e de agente de trânsito, pela natureza do serviço.

Convulsão e desmaio.

Durante a convulsão, a conduta é proteger a cabeça, afastar objetos e marcar o tempo do episódio, nunca conter os movimentos nem colocar algo na boca. Após a crise, posicionar a pessoa de lado. No desmaio simples, elevar os membros inferiores e manter a via aérea livre resolve a maior parte dos casos.

Como as bancas cobram primeiros socorros?

O formato é quase sempre objetivo e factual, com três padrões recorrentes. Entender o padrão do seu edital vale mais do que ler material extra, e nosso guia sobre o que a banca examinadora decide detalha esse raciocínio.

  1. Pergunta direta pelo número: frequência de compressão, profundidade, relação com ventilação.
  2. Pergunta pela ordem correta de procedimentos, em que a alternativa errada troca duas etapas de lugar.
  3. Pequeno caso prático, com uma situação descrita em duas linhas e a conduta correta entre as alternativas.

Um modelo de afirmação comentado.

Veja o formato típico: "Em vítima adulta inconsciente e sem respiração, o socorrista deve iniciar compressões torácicas na frequência de 100 a 120 por minuto, com profundidade mínima de 5 centímetros". A afirmação está correta. Agora a versão alterada, que troca só o número do fim: "com profundidade mínima de 2 centímetros". O conteúdo inteiro permanece certo e só o número final muda, que é a estrutura mais usada para derrubar quem leu rápido. Ler o trecho numérico primeiro, antes do restante da frase, resolve boa parte dessas questões.

Os erros que mais custam ponto.

  1. Confundir a sequência C-A-B com a ordem antiga A-B-C.
  2. Decorar a frequência de compressão e esquecer a profundidade, ou o contrário.
  3. Tratar torniquete como primeira conduta em hemorragia.
  4. Responder que se deve conter os movimentos de quem está convulsionando.
  5. Ignorar a etapa de avaliação da segurança da cena, que abre o protocolo.
  6. Estudar por vídeo solto da internet em vez do conteúdo programático do edital.

Como estudar a matéria em duas semanas?

Primeiros socorros é uma das poucas disciplinas que cabem de verdade em duas semanas, porque o conteúdo é fechado. A tabela abaixo encaixa no seu cronograma de estudos atual.

SemanaFocoQuestões
1Avaliação da cena, reanimação cardiopulmonar e vias aéreas40
2Hemorragia, trauma, queimadura, convulsão e intoxicação40

Como o conteúdo é numérico, ele esquece rápido. Revisar os parâmetros de reanimação três dias depois e outra vez na semana da prova é o que segura o dado, lógica que explicamos em curva do esquecimento e revisão ativa e em revisão espaçada.

Material e treino.

Um resumo de uma página com os números de referência, mais questões por assunto, já cobre a disciplina. O banco de questões mostra em poucos minutos quais parâmetros a banca repete, e o simulado testa se você acerta sob tempo. Para montar o conjunto sem exagero, use o critério de as quatro funções do material de estudo na prática, e para revisar no transporte vale apoiar em aplicativo de estudo.

Resumo rápido para revisar.

  • Compressões: 100 a 120 por minuto.
  • Profundidade no adulto: mínimo de 5 cm, sem exceder 6 cm.
  • Relação compressão e ventilação: 30 para 2.
  • Sequência: C-A-B, compressão primeiro.
  • SAMU: 192, acionado antes de iniciar a manobra.
  • Hemorragia: compressão direta primeiro, torniquete por exceção.
  • Convulsão: proteger a cabeça e marcar o tempo, nunca conter o corpo.
  • Queimadura: água corrente, sem substância caseira e sem estourar bolha.
  • Fratura: imobilizar na posição encontrada, sem alinhar.

Perguntas frequentes:

Em quais concursos caem primeiros socorros?

A disciplina aparece principalmente em seleções de guarda municipal, polícia militar, bombeiro militar, agente de trânsito, socorrista e cargos da área de saúde. Também surge em concursos de professor de educação física e de monitor escolar. Sempre que o cargo prevê contato direto com o público, o edital tende a incluir o conteúdo.

Qual a frequência correta de compressões na reanimação?

O protocolo de reanimação cardiopulmonar adotado pelos serviços públicos de saúde indica de 100 a 120 compressões por minuto. A profundidade deve ser de no mínimo 5 centímetros no adulto, evitando passar de 6 centímetros. Esses dois números são os mais cobrados em prova objetiva.

O que significa a sequência C-A-B?

C-A-B é a ordem de atendimento em parada cardiorrespiratória: compressões torácicas primeiro, depois abertura das vias aéreas e por último a ventilação. A lógica é não atrasar o início das compressões, porque é elas que mantêm o sangue circulando para os órgãos vitais. A banca gosta de inverter a ordem para testar o candidato.

Qual o número do SAMU e quando acionar?

O SAMU atende pelo 192, serviço público e gratuito em todo o país. O acionamento deve ser imediato diante de parada cardiorrespiratória, desmaio sem resposta, suspeita de infarto ou de acidente vascular cerebral, engasgo com obstrução total e trauma grave. Ligar antes de iniciar a manobra é parte do protocolo.

Preciso de curso prático para acertar as questões?

Para a prova objetiva, não. As questões cobram protocolo, ordem de procedimentos e números de referência, tudo isso estudável em material escrito. O curso prático importa quando a seleção prevê etapa de prova prática ou quando o cargo exige certificação, o que o edital informa expressamente.

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Primeiros socorros tem conteúdo fechado e cobrança numérica, o que faz dela a matéria com melhor retorno por hora estudada no edital de guarda municipal, polícia e área da saúde. No Portal Concursos, o plano de estudos integrado encaixa essa disciplina no roteiro diário junto das questões do assunto e da revisão no intervalo certo, e o banco de questões permite filtrar exatamente os parâmetros que a sua banca repete. Conheça o curso do seu concurso e confira o conteúdo do edital, ou comece pelo banco de questões.

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