Conectivos para redação do Enem: lista e como usar

Conectivos para redação do Enem: lista e como usar
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação
Atualizado em 27/10 às 14h

A competência 4 vale 200 dos 1.000 pontos da redação do Enem, e é nela que o conectivo mal escolhido custa caro.

Conectivos para redação são as palavras e expressões que ligam orações, períodos e parágrafos e deixam explícita a relação lógica entre as suas ideias. No Enem, esse uso é avaliado na competência 4, que mede o domínio dos mecanismos linguísticos de coesão. Usar poucos deixa o texto truncado; usar sempre os mesmos sinaliza repertório limitado.

Infográfico com as oito funções de conectivos para redação do Enem e exemplos de cada uma
As oito funções de conectivo que cobrem a redação do Enem inteira.

Neste guia você encontra:

O que são conectivos e por que eles pesam na nota?

Conectivo é qualquer elemento que costura o texto: conjunções, preposições, advérbios, pronomes e expressões como nesse contexto ou por conseguinte. A função dele não é enfeitar a frase, e sim informar ao leitor qual é a relação entre o que veio antes e o que vem depois. Quando essa sinalização falta, o corretor precisa adivinhar a sua lógica. Quando ela aponta para o lado errado, ele entende outra coisa.

Coesão e coerência não são a mesma coisa.

Coerência é o sentido do texto se sustentar: a tese se defende, os argumentos conversam com ela, nada se contradiz. Coesão é a amarração visível entre as partes. Dá para escrever um texto coerente e mal costurado, com frases curtas emendadas sem ligação, e dá para escrever um texto bem costurado que defende uma ideia furada. O Enem avalia as duas coisas em competências diferentes, e o conectivo mora na competência 4. Se você quiser ver como as cinco se distribuem, vale ler o guia das cinco competências da redação do Enem antes de seguir.

O conectivo é a placa de trânsito do seu texto.

Pense em cada conectivo como uma placa na estrada. Além disso avisa que vem mais do mesmo. Entretanto avisa que a direção muda. Portanto avisa que chegou o fim do trajeto. O leitor que encontra as placas certas anda rápido; o que encontra uma placa de curva numa reta estranha o percurso. É por isso que trocar portanto por contudo não é um detalhe de estilo, e sim um erro de informação.

Os 8 tipos de conectivos que mais aparecem na redação:

Dominar oito funções resolve praticamente qualquer texto dissertativo argumentativo. Em cada grupo, guarde duas ou três opções, nunca a lista inteira.

Adição: somar argumentos na mesma direção.

Servem para acrescentar informação que reforça o que você já disse. São os mais usados e, justamente por isso, os mais repetidos. Exemplos: além disso, ademais, outrossim, somado a isso, igualmente, bem como. O além disso é correto e aceitável, mas aparece em quase toda redação do país. Se você já o usou no primeiro desenvolvimento, troque por somado a isso no segundo.

Oposição: marcar o contraste entre duas ideias.

Entram quando a segunda informação limita, nega ou contraria a primeira. Exemplos: entretanto, todavia, contudo, no entanto, em contrapartida, por outro lado, apesar disso. Cuidado com o uso decorativo: se as duas frases concordam entre si, um todavia no meio cria uma contradição que não existe e o corretor registra a inadequação.

Causa: explicar a origem do problema.

São decisivos na redação do Enem, porque o tema quase sempre pede que você explique por que algo acontece. Exemplos: porque, visto que, uma vez que, já que, em virtude de, devido a, por conta de. Note que devido a e em virtude de pedem complemento nominal, não oração completa: escreva devido à ausência de políticas públicas, nunca devido que faltam políticas.

Consequência: mostrar o efeito do que você apontou.

Fecham o raciocínio causal e dão densidade ao parágrafo. Exemplos: por conseguinte, de modo que, tanto que, consequentemente, como resultado, o que acarreta. Um par bem armado de causa e consequência no mesmo parágrafo vale mais do que três argumentos soltos.

Conclusão: sinalizar o fechamento.

Devem aparecer uma vez só, no último parágrafo. Exemplos: portanto, logo, dessa forma, assim, em suma, diante do exposto. Usar portanto no meio do desenvolvimento e de novo na conclusão enfraquece as duas aparições.

Explicação e exemplificação: aterrar o argumento.

Introduzem o dado, a citação ou o caso concreto que sustenta a sua afirmação. Exemplos: isto é, ou seja, a saber, por exemplo, a título de exemplificação, como demonstra. São os conectivos que fazem a ponte com o seu repertório sociocultural dentro do parágrafo.

Comparação: pôr duas realidades lado a lado.

Úteis quando o tema envolve desigualdade, recorte regional ou mudança no tempo. Exemplos: assim como, tal qual, da mesma forma que, em comparação com, menos que, mais que. Funcionam bem para contrastar dado histórico e cenário atual no mesmo período.

Finalidade: apontar o objetivo de uma ação.

Ficam especialmente úteis na proposta de intervenção, em que você precisa dizer para que serve cada medida. Exemplos: a fim de, para que, com o propósito de, com o intuito de, visando a. Na hora de montar o último parágrafo, os cinco elementos exigidos aparecem detalhados no guia da proposta de intervenção do Enem com exemplos prontos.

Lista de conectivos para redação por parágrafo:

A dúvida mais comum não é qual conectivo existe, e sim onde ele entra. A tabela abaixo distribui as funções pela estrutura clássica de quatro parágrafos.

ParágrafoFunção principalConectivos recomendados
IntroduçãoContextualizar e apresentar a tesenesse contexto, diante disso, sob essa ótica, nesse cenário
Desenvolvimento 1Abrir o primeiro argumentoem primeiro lugar, inicialmente, convém analisar, nota-se que
Desenvolvimento 1Ligar repertório e análisesegundo, como demonstra, isto é, a título de exemplificação
Desenvolvimento 2Somar ou contrapor o segundo argumentosomado a isso, ademais, em contrapartida, por outro lado
Desenvolvimento 2Fechar a relação de causa e efeitouma vez que, por conseguinte, de modo que, o que acarreta
ConclusãoRetomar e proporportanto, diante do exposto, dessa forma, a fim de, com o intuito de

Repare que nenhuma linha traz mais de cinco opções. Vinte conectivos bem distribuídos cobrem a redação inteira, e é exatamente esse recorte que o passo a passo de como fazer a redação do Enem usa na prática.

Como a competência 4 avalia o uso de conectivos?

A competência 4 cobra o conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação e vale de 0 a 200 pontos, em faixas de 40. O que o avaliador observa são duas coisas somadas: se as partes do texto estão articuladas sem inadequação e se o repertório de recursos coesivos é variado. Dá para ter nota alta sem palavra difícil, e dá para perder pontos com vocabulário sofisticado usado fora de lugar.

As seis faixas de nota da competência 4:

NotaO que caracteriza o texto
200Articula bem as partes e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos
160Articula as partes com poucas inadequações e repertório diversificado
120Articula as partes com inadequações e repertório pouco diversificado
80Articulação insuficiente, muitas inadequações e repertório limitado
40Articulação precária entre as partes
0Não articula as informações do texto

O detalhe que muda o resultado está na diferença entre 160 e 200: nas duas faixas o repertório é diversificado, e o que separa uma da outra é a ausência de inadequação. Em outras palavras, trocar um conectivo errado por um adequado pode valer 40 pontos. O enunciado completo de cada faixa aparece na cartilha do participante que o Inep divulga na página oficial do Enem a cada edição.

O corretor lê a ligação entre parágrafos, não só dentro deles.

Existem dois níveis de coesão, e o segundo é o mais esquecido. A coesão intraparagrafal liga as frases dentro do mesmo parágrafo. A coesão interparagrafal liga um parágrafo ao seguinte, e é ela que faz o texto parecer um só raciocínio em vez de quatro blocos empilhados. A regra prática é simples: todo parágrafo, do segundo em diante, começa com um elemento que retoma o anterior.

Antes e depois: o mesmo parágrafo com e sem conectivo adequado.

O exemplo abaixo foi construído para ilustrar o efeito da coesão e não reproduz redação de nenhuma edição específica do exame.

Versão sem coesão. A falta de saneamento afeta milhões de brasileiros. Muitas cidades não têm rede de esgoto. Crianças adoecem. O gasto com internações aumenta. O poder público precisa investir mais.

Versão com coesão. A falta de saneamento afeta milhões de brasileiros, uma vez que muitas cidades ainda não contam com rede de esgoto tratado. Como resultado, crianças expostas a água contaminada adoecem com mais frequência, o que acarreta aumento do gasto com internações evitáveis. Diante disso, o investimento em infraestrutura deixa de ser despesa e passa a ser economia.

As duas versões têm quase o mesmo conteúdo. A segunda tem causa, consequência e fechamento marcados, e por isso o avaliador não precisa reconstruir nada. Esse é o trabalho do conectivo: tornar o raciocínio visível. Treinar a leitura dessa amarração em textos de outras pessoas também ajuda nas questões objetivas, como mostra o guia de interpretação de texto no Enem com questões comentadas.

Seis erros com conectivos que derrubam a nota:

  • Repetir o mesmo conectivo em todos os parágrafos. Três além disso no mesmo texto já caracterizam repertório pouco diversificado.
  • Usar conectivo de oposição entre ideias que concordam. O entretanto solto é o erro mais frequente de todos e conta como inadequação.
  • Começar a frase com porém e mas na sequência. A dupla marcação de contraste cria redundância e trava a leitura.
  • Trocar a regência do conectivo. Devido que, visto a e a fim que são desvios de norma e ainda pesam na competência 1.
  • Abrir o parágrafo com conectivo de conclusão no meio do texto. Um portanto no segundo desenvolvimento anuncia um fim que não chegou.
  • Encher o texto de outrossim e destarte para parecer formal. Palavra rara mal empregada chama mais atenção do que a simples bem empregada.

Nenhum desses erros anula a prova, e vale saber disso para não escrever com medo. As situações que realmente zeram o texto são outras, e estão reunidas no levantamento sobre o que zera a redação do Enem com cada hipótese explicada.

Como treinar conectivos até eles virarem automáticos?

Ninguém escolhe conectivo com calma na hora da prova. A escolha precisa estar automatizada, e automatizar exige repetição com correção, não leitura de lista.

Monte um banco pessoal de vinte conectivos.

Escreva no caderno as oito funções desta página e escolha duas ou três opções para cada uma, de preferência as que você usa sem travar. Vinte palavras no total. Esse banco pequeno e seu rende mais do que uma tabela de duzentas opções salva no celular e nunca aberta.

Reescreva parágrafos que você já escreveu.

Pegue uma redação antiga sua, marque cada conectivo com caneta colorida e troque todos por outros da mesma função. O exercício obriga você a perceber a relação lógica de cada ponto, em vez de encaixar a palavra por hábito.

Treine com propostas de edições anteriores.

Escrever sobre tema real, dentro do tempo da prova, é o único treino que reproduz a pressão do dia. As provas e os espelhos de redação dos anos anteriores ficam disponíveis na página de provas e gabaritos do Inep para download gratuito.

Leia em voz alta antes de passar a limpo.

O ouvido pega o que o olho deixa passar. Se a frase soa estranha ao ser lida em voz alta, quase sempre o problema está na ligação, e não no vocabulário. Esse teste de trinta segundos por parágrafo evita boa parte das inadequações.

Resumo rápido dos conectivos para redação:

  • Conectivos são avaliados na competência 4 do Enem, que vale até 200 pontos.
  • Oito funções cobrem o texto inteiro: adição, oposição, causa, consequência, conclusão, explicação, comparação e finalidade.
  • Vinte conectivos bem distribuídos bastam, e repertório diversificado vale mais do que palavra rara.
  • Adequação pesa mais do que quantidade: conectivo de oposição entre ideias que concordam conta como erro.
  • Todo parágrafo, do segundo em diante, deve começar retomando o anterior.
  • Conectivo de conclusão aparece uma vez só, no último parágrafo.
  • O treino que funciona é reescrever e cronometrar, nunca decorar listas.

Perguntas frequentes:

O que são conectivos na redação?

São as palavras e expressões que ligam orações, períodos e parágrafos e deixam explícita a relação lógica entre as ideias, como adição, oposição, causa e conclusão. Na redação do Enem, esse uso é avaliado na competência 4, que trata dos mecanismos linguísticos de coesão.

Quais conectivos usar na introdução da redação do Enem?

Na introdução funcionam melhor os conectivos de contextualização e de encadeamento, como nesse contexto, diante disso e sob essa ótica, porque levam o leitor do cenário geral até a sua tese. Reserve os de oposição e de conclusão para o desenvolvimento e o fechamento.

Posso repetir o mesmo conectivo na redação?

Repetir uma vez não compromete o texto, mas usar o mesmo conectivo em três parágrafos sinaliza repertório limitado de recursos coesivos e puxa a competência 4 para baixo. O caminho é ter duas ou três opções para cada função e alternar entre elas.

Usar muitos conectivos aumenta a nota da redação?

Não aumenta. A competência 4 avalia a adequação, não a quantidade. Um parágrafo entupido de portanto e todavia em frases que não têm essa relação lógica conta como inadequação e pesa contra você.

Preciso decorar uma lista de conectivos para redação?

Decorar cem palavras não ajuda. Vale mais dominar de quinze a vinte conectivos distribuídos entre as funções principais e saber exatamente qual relação cada um expressa, porque é essa precisão que o corretor lê.

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