Português para concursos: 12 pegadinhas que fazem perder pontos

Português para concursos: 12 pegadinhas que fazem perder pontos
Luan Loureiro
Luan Loureiro Redação

Você pode saber a matéria e, mesmo assim, tropeçar em uma palavra pequena. Um acento, uma preposição ou uma vírgula muda a resposta. A boa notícia? Muitas dessas armadilhas ficam mais fáceis quando você aprende a raciocinar em vez de decorar frases soltas.

Quais são as principais pegadinhas de Português para concursos?

Resposta direta: entre as dúvidas que merecem revisão estão os quatro porquês, perda ou perca, mal ou mau, há ou a, onde ou aonde, crase, concordância com fazer e haver, concordância com se, regência verbal, emprego de cujo e uso da vírgula. O ponto decisivo é observar a função das palavras dentro da frase.

Este guia traz 12 pegadinhas, exemplos resolvidos e um minissimulado autoral. Você pode usá-lo como revisão geral ou para descobrir quais assuntos precisam de mais atenção no seu plano de estudos.

Tabela rápida: 12 erros para reconhecer antes da prova

Salve este quadro para a revisão de véspera. Os exemplos corretos seguem a norma-padrão geralmente exigida em questões de gramática.

Assunto

Armadilha

Forma correta

Porquês

Não sei porque ele faltou.

Não sei por que ele faltou.

Perda / perca

A perca de pontos preocupa.

A perda de pontos preocupa.

Mal / mau

Ele foi mau na avaliação.

Ele foi mal na avaliação.

Há / a

Estudo a três meses.

Estudo há três meses.

Onde / aonde

Aonde fica a sala?

Onde fica a sala?

Crase

Entreguei o recurso a diretora.

Entreguei o recurso à diretora.

Fazer

Fazem dois anos que estudo.

Faz dois anos que estudo.

Haver

Houveram mudanças.

Houve mudanças.

Uso do se

Divulga-se os resultados.

Divulgam-se os resultados.

Regência

Prefiro Português do que Matemática.

Prefiro Português a Matemática.

Cujo

A candidata cuja a inscrição...

A candidata cuja inscrição...

Vírgula

Os candidatos, chegaram cedo.

Os candidatos chegaram cedo.

As 12 pegadinhas de Português explicadas

1. Por que, porque, por quê ou porquê: a posição e a função importam

A banca pode trocar um único espaço e transformar uma frase correta em incorreta.

Por que aparece em perguntas diretas e indiretas:

  • Por que a inscrição foi indeferida?

  • Quero saber por que a inscrição foi indeferida.

Porque introduz uma explicação ou causa: “O candidato recorreu porque identificou um erro”.

Quando a expressão aparece no fim de uma pergunta, usa-se por quê: “A inscrição foi indeferida por quê?”.

Já porquê funciona como substantivo: “O candidato explicou o porquê do recurso”.

Teste rápido: “Ela não explicou ___ desistiu.”

Resposta: por que, porque a frase contém uma pergunta indireta: não explicou por qual motivo desistiu.

2. Perda ou perca: as duas formas existem, mas não fazem o mesmo trabalho

“Perda” é substantivo: “A perda de um ponto mudou a classificação”.

“Perca” é forma do verbo perder, como em “Espero que você não perca pontos por desatenção” e “Não perca o prazo”.

O segredo é perguntar: a frase fala de uma perda, isto é, de um acontecimento ou resultado, ou apresenta o verbo perder conjugado?

Teste rápido: “A ___ do prazo impediu o recurso.”

Resposta: perda.

Esse tema já tem um guia específico no Portal: Perda ou perca? Veja a diferença e como pode cair na prova.

3. Mal ou mau: um teste simples evita a troca

Mau é normalmente adjetivo e se opõe a bom: “Ele teve um mau desempenho”.

Mal pode funcionar como advérbio e se opõe a bem: “Ele respondeu mal à questão”.

Na pressa, o candidato pode olhar apenas para o som. Faça a substituição:

  • Um bom desempenho → um mau desempenho.

  • Respondeu bem → respondeu mal.

Teste rápido: “A equipe explicou ___ as instruções.”

Resposta: mal, porque modifica a ação de explicar.

4. Há ou a: tempo passado não é tempo futuro

Quando a frase indica tempo decorrido, use há, do verbo haver: “Ela estuda há seis meses”.

Se você consegue substituir por faz sem alterar o sentido, esse é um sinal útil: “Faz seis meses que ela estuda”.

Para distância ou tempo futuro, usa-se a:

  • A prova será daqui a duas semanas.

  • O prédio fica a três quilômetros.

Evite também a redundância “há dois anos atrás” em redação formal; prefira “há dois anos” ou “dois anos atrás”.

Teste rápido: “O edital foi publicado ___ três dias.”

Resposta: há, pois a publicação aconteceu no passado.

5. Onde ou aonde: movimento não basta, observe a preposição exigida

Onde indica lugar e é adequado, por exemplo, em “Onde fica o local de prova?”.

Aonde combina a preposição a com onde e pode aparecer com verbos que expressam movimento com destino regido por essa preposição: “Aonde o candidato se dirigiu?”.

Há outro cuidado: em redação formal, onde deve retomar preferencialmente um lugar físico.

A frase “A situação onde tudo mudou” é pouco adequada nesse registro; prefira “A situação em que tudo mudou”.

Teste rápido: “Você sabe ___ será aplicada a prova?”.

Resposta: onde, pois a pergunta é sobre o lugar em que ela acontecerá.

6. Crase: nem todo “a” leva acento grave

A crase normalmente representa a união da preposição a com o artigo feminino a.

Veja: “O candidato entregou o recurso à diretora”. O verbo entregar, nesse contexto, pede a preposição a; “diretora” admite o artigo feminino.

Um teste prático é trocar o termo feminino por masculino. Se o resultado for ao, costuma haver crase na construção feminina:

  • Entregou o recurso ao diretor.

  • Entregou o recurso à diretora.

Mas não transforme o teste em regra mecânica para todo contexto. Não se usa crase antes de verbo no infinitivo: “O candidato começou a estudar”.

Teste rápido: “Os candidatos assistiram ___ palestra”.

A forma recomendada na regência formal de assistir, com sentido de presenciar, é à palestra.

7. Faz ou fazem: tempo decorrido deixa o verbo no singular

Na indicação de tempo transcorrido, o verbo fazer é impessoal e fica na terceira pessoa do singular: “Faz cinco anos que ele estuda”.

O mesmo acontece em “Vai fazer cinco anos que ele iniciou a preparação”: o auxiliar da locução permanece no singular.

Isso é diferente do verbo fazer com sujeito: “Os alunos fazem questões todos os dias”. Aqui, os alunos é o sujeito, e a concordância ocorre normalmente.

Teste rápido: “___ três semanas que não reviso Direito Administrativo.”

Resposta: Faz.

8. Houve ou houveram: haver e existir se comportam de modo diferente

Quando significa existir ou ocorrer, haver é impessoal e fica no singular:

  • Houve alterações no cronograma.

  • Pode haver retificações.

Por isso, em uma questão sobre esse uso, “houveram alterações” não segue a norma-padrão.

Já existir tem sujeito e concorda com ele:

  • Existiram alterações.

  • Podem existir retificações.

Note que as frases têm sentido próximo, mas estruturas diferentes. A banca pode propor uma substituição e perguntar se a concordância precisa mudar.

Teste rápido: “___ dúvidas sobre o edital.”

Se o verbo escolhido for haver, escreva Há. Com existir, escreva Existem.

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9. Divulga-se ou divulgam-se: descubra o papel do “se”

Compare duas estruturas:

  • Divulgam-se os resultados.

  • Precisa-se de servidores.

Na primeira, o se funciona como partícula apassivadora, e os resultados é sujeito paciente. Por isso, o verbo vai ao plural: “Os resultados são divulgados”.

Na segunda, precisar de é verbo transitivo indireto e a construção apresenta sujeito indeterminado. O verbo fica no singular: “Precisa-se de servidores”.

Não copie a concordância de uma frase para a outra sem verificar a transitividade verbal.

Teste rápido: “___ novas orientações no site”.

Na construção de voz passiva com publicar, use Publicam-se novas orientações.

10. Regência verbal: preferir não pede “do que” na construção formal

Na norma-padrão tradicional cobrada em exercícios de regência, a construção é preferir uma coisa a outra: “Prefiro revisar Gramática a decorar respostas”.

Evite, nesse registro, “prefiro mais Gramática do que Matemática”, pois a formulação combina intensificação redundante e uma comparação diferente da regência tradicional de preferir.

Outra armadilha é obedecer: “O candidato deve obedecer ao edital”, porque o verbo rege a preposição a.

Em provas, não basta entender a frase; é preciso perceber a relação entre verbo e complemento.

Teste rápido: “Prefiro questões comentadas ___ resumos sem exemplos.”

Resposta: a.

11. Cujo, cuja, cujos e cujas: não coloque artigo depois do relativo

Cujo estabelece relação de posse entre dois nomes e concorda com aquilo que é possuído:

  • A candidata cujo recurso foi aceito comemorou.

  • O edital cujas regras foram alteradas exige atenção.

O erro clássico é inserir um artigo logo depois: “cujo o recurso” e “cujas as regras” não seguem a norma-padrão.

Também não confunda a concordância: em “O candidato cujas notas foram divulgadas”, cujas acompanha notas, não candidato.

Teste rápido: “A professora ___ aulas foram elogiadas participou do projeto.”

Resposta: cujas.

12. Vírgula entre sujeito e verbo: a pausa na fala não decide a pontuação

Um erro frequente é separar o sujeito do verbo por vírgula: “Os candidatos, chegaram cedo”.

O correto é “Os candidatos chegaram cedo”. A vírgula não deve aparecer só porque alguém faria uma pausa ao ler a frase.

Isso não proíbe vírgulas em qualquer trecho próximo ao sujeito. Uma expressão intercalada pode ser isolada: “Os candidatos, depois do comunicado, chegaram cedo”.

As duas vírgulas marcam a intercalação, não uma separação arbitrária entre sujeito e verbo.

Teste rápido: “A equipe de fiscalização, publicou o resultado”.

Correção: “A equipe de fiscalização publicou o resultado”.

Como essas pegadinhas podem aparecer nas provas?

As questões não precisam perguntar “qual é a regra?”. Elas podem apresentar um texto e pedir uma reescrita, avaliar a correção gramatical de um trecho ou perguntar se a substituição de um verbo mantém a concordância.

Por isso, treine a aplicação da regra na frase completa, não apenas a definição isolada.

Formato

O que conferir

Exemplo de treino

Julgar certo ou errado

Concordância, regência e pontuação

“Houveram recursos” está correto?

Completar lacunas

Ortografia e relação entre termos

Há ou a? Mal ou mau?

Reescrever

Manutenção da norma e do sentido

Trocar “houve” por “existir”.

Interpretar em contexto

Função e referência da palavra

Qual termo “cujas” retoma?

Antes de montar a lista, confira o edital específico e resolva provas anteriores da banca escolhida.

Os exemplos deste artigo são autorais e didáticos; não foram apresentados como questões reais de FGV, FCC, Vunesp ou Cebraspe.

Minissimulado: você consegue escapar de 8 armadilhas?

Resolva sem olhar o gabarito. Marque a opção que completa corretamente cada frase ou responda ao comando de correção.

  1. Não entendi ______ o prazo foi alterado. (a) porque (b) por que

  2. A ______ de um documento pode impedir a inscrição. (a) perca (b) perda

  3. A prova acontecerá daqui ______ dez dias. (a) há (b) a

  4. ______ duas semanas que comecei a revisão. (a) Faz (b) Fazem

  5. ______ candidatos interessados na vaga. (a) Houveram (b) Houve

  6. ______ novas orientações para o exame. (a) Publicaram-se (b) Publicou-se

  7. A candidata ______ documentos foram aceitos prosseguiu no concurso. (a) cujos (b) cujo os

  8. Qual pontuação está correta? (a) Os fiscais, chegaram cedo. (b) Os fiscais chegaram cedo.

Gabarito comentado

  1. 1-B. “Por que” introduz uma pergunta indireta: não entendi por qual motivo.

  2. 2-B. “Perda” é substantivo; “perca” é uma forma verbal.

  3. 3-B. “Daqui a” indica intervalo até um momento futuro.

  4. 4-A. “Fazer” indicando tempo decorrido é impessoal e fica no singular.

  5. 5-B. “Haver”, com sentido de existir, é impessoal: “houve candidatos”.

  6. 6-A. Na voz passiva sintética, “novas orientações” é sujeito plural: “publicaram-se”.

  7. 7-A. “Cujos” concorda com “documentos”; não se acrescenta artigo depois dele.

  8. 8-B. Não se separa “os fiscais” do verbo “chegaram” por vírgula.

Se você acertou todas, ótimo: avance para questões inéditas de maior complexidade.

Se errou algumas, melhor ainda para o planejamento: agora você sabe por onde começar a próxima revisão. Uma nota isolada nesse minissimulado não mede sua probabilidade de aprovação.

Plano de 7 dias para melhorar sua revisão de Português

Em vez de tentar memorizar as 12 regras de uma vez, organize blocos curtos e observe quais erros voltam a aparecer.

Dia

Foco

Tarefa prática

1

Porquês, perda/perca e mal/mau

Revisar regras e produzir seis frases próprias.

2

Há/a e onde/aonde

Resolver questões de emprego contextual.

3

Crase e regência

Identificar o termo regente em cada frase.

4

Fazer, haver e concordância com “se”

Transformar e reescrever frases.

5

Cujo e vírgula

Analisar relações sintáticas e pontuação.

6

Questões da banca do seu edital

Resolver um bloco cronometrado e registrar erros.

7

Reteste

Refazer os temas fracos com questões diferentes.

O detalhe que ajuda a evoluir: registre o motivo de cada erro.

“Confundi as palavras” é pouco específico. Melhor: “Usei houveram porque confundi haver com existir”.

Uma anotação assim orienta a revisão seguinte e evita reestudar tudo sem necessidade.

Perguntas frequentes sobre Português para concursos

O que mais vale a pena estudar em Português para concursos?

O conteúdo programático varia por edital. Como base geral, vale diagnosticar seu desempenho em interpretação de textos, pontuação, concordância, regência, crase e classes de palavras. Priorize o que o edital exige e o que seus erros mostram.

Como aprender gramática sem decorar todas as regras?

Associe cada regra a uma pergunta prática: qual é o sujeito? Qual preposição o verbo exige? A palavra funciona como verbo ou substantivo? Depois, resolva questões e explique por que as alternativas incorretas estão erradas.

Resolver questões é melhor do que assistir a aulas?

As duas estratégias são complementares. A aula pode esclarecer a estrutura; as questões mostram se você consegue aplicar o conhecimento. Use os erros das questões para decidir quando rever uma explicação, sem substituir todo o estudo por tentativas aleatórias.

As pegadinhas são iguais em todas as bancas?

Não necessariamente. Editais e estilos de cobrança variam. Por isso, identifique a banca organizadora, confira o programa oficial e priorize provas anteriores pertinentes ao seu cargo e à sua seleção.

Como parar de errar a mesma regra?

Classifique o tipo de erro, escreva uma explicação curta com suas palavras e faça um reteste com frases diferentes alguns dias depois. Se o erro persistir, volte à estrutura da frase em vez de decorar apenas o gabarito.

Você não precisa acertar tudo hoje. Precisa saber o que corrigir.

Português para concursos fica mais administrável quando cada questão deixa uma informação útil.

Errou crase? Investigue a regência e a presença do artigo. Errou concordância? Procure o sujeito e a função do verbo. Confundiu perda com perca? Descubra a classe gramatical.

O caminho é transformar dúvida em método.

Seu próximo acerto começa na revisão que você faz depois do erro. Escolha duas pegadinhas deste artigo, resolva questões do seu edital e acompanhe a evolução. Estudar com direção não elimina o desafio do concurso, mas torna o esforço mais consistente.

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Fontes e leitura complementar

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