Você pode saber a matéria e, mesmo assim, tropeçar em uma palavra pequena. Um acento, uma preposição ou uma vírgula muda a resposta. A boa notícia? Muitas dessas armadilhas ficam mais fáceis quando você aprende a raciocinar em vez de decorar frases soltas.
Quais são as principais pegadinhas de Português para concursos?
Resposta direta: entre as dúvidas que merecem revisão estão os quatro porquês, perda ou perca, mal ou mau, há ou a, onde ou aonde, crase, concordância com fazer e haver, concordância com se, regência verbal, emprego de cujo e uso da vírgula. O ponto decisivo é observar a função das palavras dentro da frase.
Este guia traz 12 pegadinhas, exemplos resolvidos e um minissimulado autoral. Você pode usá-lo como revisão geral ou para descobrir quais assuntos precisam de mais atenção no seu plano de estudos.
Tabela rápida: 12 erros para reconhecer antes da prova
Salve este quadro para a revisão de véspera. Os exemplos corretos seguem a norma-padrão geralmente exigida em questões de gramática.
Assunto | Armadilha | Forma correta |
|---|---|---|
Porquês | Não sei porque ele faltou. | Não sei por que ele faltou. |
Perda / perca | A perca de pontos preocupa. | A perda de pontos preocupa. |
Mal / mau | Ele foi mau na avaliação. | Ele foi mal na avaliação. |
Há / a | Estudo a três meses. | Estudo há três meses. |
Onde / aonde | Aonde fica a sala? | Onde fica a sala? |
Crase | Entreguei o recurso a diretora. | Entreguei o recurso à diretora. |
Fazer | Fazem dois anos que estudo. | Faz dois anos que estudo. |
Haver | Houveram mudanças. | Houve mudanças. |
Uso do se | Divulga-se os resultados. | Divulgam-se os resultados. |
Regência | Prefiro Português do que Matemática. | Prefiro Português a Matemática. |
Cujo | A candidata cuja a inscrição... | A candidata cuja inscrição... |
Vírgula | Os candidatos, chegaram cedo. | Os candidatos chegaram cedo. |
As 12 pegadinhas de Português explicadas
1. Por que, porque, por quê ou porquê: a posição e a função importam
A banca pode trocar um único espaço e transformar uma frase correta em incorreta.
Por que aparece em perguntas diretas e indiretas:
Por que a inscrição foi indeferida?
Quero saber por que a inscrição foi indeferida.
Porque introduz uma explicação ou causa: “O candidato recorreu porque identificou um erro”.
Quando a expressão aparece no fim de uma pergunta, usa-se por quê: “A inscrição foi indeferida por quê?”.
Já porquê funciona como substantivo: “O candidato explicou o porquê do recurso”.
Teste rápido: “Ela não explicou ___ desistiu.”
Resposta: por que, porque a frase contém uma pergunta indireta: não explicou por qual motivo desistiu.
2. Perda ou perca: as duas formas existem, mas não fazem o mesmo trabalho
“Perda” é substantivo: “A perda de um ponto mudou a classificação”.
“Perca” é forma do verbo perder, como em “Espero que você não perca pontos por desatenção” e “Não perca o prazo”.
O segredo é perguntar: a frase fala de uma perda, isto é, de um acontecimento ou resultado, ou apresenta o verbo perder conjugado?
Teste rápido: “A ___ do prazo impediu o recurso.”
Resposta: perda.
Esse tema já tem um guia específico no Portal: Perda ou perca? Veja a diferença e como pode cair na prova.
3. Mal ou mau: um teste simples evita a troca
Mau é normalmente adjetivo e se opõe a bom: “Ele teve um mau desempenho”.
Mal pode funcionar como advérbio e se opõe a bem: “Ele respondeu mal à questão”.
Na pressa, o candidato pode olhar apenas para o som. Faça a substituição:
Um bom desempenho → um mau desempenho.
Respondeu bem → respondeu mal.
Teste rápido: “A equipe explicou ___ as instruções.”
Resposta: mal, porque modifica a ação de explicar.
4. Há ou a: tempo passado não é tempo futuro
Quando a frase indica tempo decorrido, use há, do verbo haver: “Ela estuda há seis meses”.
Se você consegue substituir por faz sem alterar o sentido, esse é um sinal útil: “Faz seis meses que ela estuda”.
Para distância ou tempo futuro, usa-se a:
A prova será daqui a duas semanas.
O prédio fica a três quilômetros.
Evite também a redundância “há dois anos atrás” em redação formal; prefira “há dois anos” ou “dois anos atrás”.
Teste rápido: “O edital foi publicado ___ três dias.”
Resposta: há, pois a publicação aconteceu no passado.
5. Onde ou aonde: movimento não basta, observe a preposição exigida
Onde indica lugar e é adequado, por exemplo, em “Onde fica o local de prova?”.
Aonde combina a preposição a com onde e pode aparecer com verbos que expressam movimento com destino regido por essa preposição: “Aonde o candidato se dirigiu?”.
Há outro cuidado: em redação formal, onde deve retomar preferencialmente um lugar físico.
A frase “A situação onde tudo mudou” é pouco adequada nesse registro; prefira “A situação em que tudo mudou”.
Teste rápido: “Você sabe ___ será aplicada a prova?”.
Resposta: onde, pois a pergunta é sobre o lugar em que ela acontecerá.
6. Crase: nem todo “a” leva acento grave
A crase normalmente representa a união da preposição a com o artigo feminino a.
Veja: “O candidato entregou o recurso à diretora”. O verbo entregar, nesse contexto, pede a preposição a; “diretora” admite o artigo feminino.
Um teste prático é trocar o termo feminino por masculino. Se o resultado for ao, costuma haver crase na construção feminina:
Entregou o recurso ao diretor.
Entregou o recurso à diretora.
Mas não transforme o teste em regra mecânica para todo contexto. Não se usa crase antes de verbo no infinitivo: “O candidato começou a estudar”.
Teste rápido: “Os candidatos assistiram ___ palestra”.
A forma recomendada na regência formal de assistir, com sentido de presenciar, é à palestra.
7. Faz ou fazem: tempo decorrido deixa o verbo no singular
Na indicação de tempo transcorrido, o verbo fazer é impessoal e fica na terceira pessoa do singular: “Faz cinco anos que ele estuda”.
O mesmo acontece em “Vai fazer cinco anos que ele iniciou a preparação”: o auxiliar da locução permanece no singular.
Isso é diferente do verbo fazer com sujeito: “Os alunos fazem questões todos os dias”. Aqui, os alunos é o sujeito, e a concordância ocorre normalmente.
Teste rápido: “___ três semanas que não reviso Direito Administrativo.”
Resposta: Faz.
8. Houve ou houveram: haver e existir se comportam de modo diferente
Quando significa existir ou ocorrer, haver é impessoal e fica no singular:
Houve alterações no cronograma.
Pode haver retificações.
Por isso, em uma questão sobre esse uso, “houveram alterações” não segue a norma-padrão.
Já existir tem sujeito e concorda com ele:
Existiram alterações.
Podem existir retificações.
Note que as frases têm sentido próximo, mas estruturas diferentes. A banca pode propor uma substituição e perguntar se a concordância precisa mudar.
Teste rápido: “___ dúvidas sobre o edital.”
Se o verbo escolhido for haver, escreva Há. Com existir, escreva Existem.
Entendeu a regra? Agora é hora de testar na prática
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9. Divulga-se ou divulgam-se: descubra o papel do “se”
Compare duas estruturas:
Divulgam-se os resultados.
Precisa-se de servidores.
Na primeira, o se funciona como partícula apassivadora, e os resultados é sujeito paciente. Por isso, o verbo vai ao plural: “Os resultados são divulgados”.
Na segunda, precisar de é verbo transitivo indireto e a construção apresenta sujeito indeterminado. O verbo fica no singular: “Precisa-se de servidores”.
Não copie a concordância de uma frase para a outra sem verificar a transitividade verbal.
Teste rápido: “___ novas orientações no site”.
Na construção de voz passiva com publicar, use Publicam-se novas orientações.
10. Regência verbal: preferir não pede “do que” na construção formal
Na norma-padrão tradicional cobrada em exercícios de regência, a construção é preferir uma coisa a outra: “Prefiro revisar Gramática a decorar respostas”.
Evite, nesse registro, “prefiro mais Gramática do que Matemática”, pois a formulação combina intensificação redundante e uma comparação diferente da regência tradicional de preferir.
Outra armadilha é obedecer: “O candidato deve obedecer ao edital”, porque o verbo rege a preposição a.
Em provas, não basta entender a frase; é preciso perceber a relação entre verbo e complemento.
Teste rápido: “Prefiro questões comentadas ___ resumos sem exemplos.”
Resposta: a.
11. Cujo, cuja, cujos e cujas: não coloque artigo depois do relativo
Cujo estabelece relação de posse entre dois nomes e concorda com aquilo que é possuído:
A candidata cujo recurso foi aceito comemorou.
O edital cujas regras foram alteradas exige atenção.
O erro clássico é inserir um artigo logo depois: “cujo o recurso” e “cujas as regras” não seguem a norma-padrão.
Também não confunda a concordância: em “O candidato cujas notas foram divulgadas”, cujas acompanha notas, não candidato.
Teste rápido: “A professora ___ aulas foram elogiadas participou do projeto.”
Resposta: cujas.
12. Vírgula entre sujeito e verbo: a pausa na fala não decide a pontuação
Um erro frequente é separar o sujeito do verbo por vírgula: “Os candidatos, chegaram cedo”.
O correto é “Os candidatos chegaram cedo”. A vírgula não deve aparecer só porque alguém faria uma pausa ao ler a frase.
Isso não proíbe vírgulas em qualquer trecho próximo ao sujeito. Uma expressão intercalada pode ser isolada: “Os candidatos, depois do comunicado, chegaram cedo”.
As duas vírgulas marcam a intercalação, não uma separação arbitrária entre sujeito e verbo.
Teste rápido: “A equipe de fiscalização, publicou o resultado”.
Correção: “A equipe de fiscalização publicou o resultado”.
Como essas pegadinhas podem aparecer nas provas?
As questões não precisam perguntar “qual é a regra?”. Elas podem apresentar um texto e pedir uma reescrita, avaliar a correção gramatical de um trecho ou perguntar se a substituição de um verbo mantém a concordância.
Por isso, treine a aplicação da regra na frase completa, não apenas a definição isolada.
Formato | O que conferir | Exemplo de treino |
|---|---|---|
Julgar certo ou errado | Concordância, regência e pontuação | “Houveram recursos” está correto? |
Completar lacunas | Ortografia e relação entre termos | Há ou a? Mal ou mau? |
Reescrever | Manutenção da norma e do sentido | Trocar “houve” por “existir”. |
Interpretar em contexto | Função e referência da palavra | Qual termo “cujas” retoma? |
Antes de montar a lista, confira o edital específico e resolva provas anteriores da banca escolhida.
Os exemplos deste artigo são autorais e didáticos; não foram apresentados como questões reais de FGV, FCC, Vunesp ou Cebraspe.
Minissimulado: você consegue escapar de 8 armadilhas?
Resolva sem olhar o gabarito. Marque a opção que completa corretamente cada frase ou responda ao comando de correção.
Não entendi ______ o prazo foi alterado. (a) porque (b) por que
A ______ de um documento pode impedir a inscrição. (a) perca (b) perda
A prova acontecerá daqui ______ dez dias. (a) há (b) a
______ duas semanas que comecei a revisão. (a) Faz (b) Fazem
______ candidatos interessados na vaga. (a) Houveram (b) Houve
______ novas orientações para o exame. (a) Publicaram-se (b) Publicou-se
A candidata ______ documentos foram aceitos prosseguiu no concurso. (a) cujos (b) cujo os
Qual pontuação está correta? (a) Os fiscais, chegaram cedo. (b) Os fiscais chegaram cedo.
Gabarito comentado
1-B. “Por que” introduz uma pergunta indireta: não entendi por qual motivo.
2-B. “Perda” é substantivo; “perca” é uma forma verbal.
3-B. “Daqui a” indica intervalo até um momento futuro.
4-A. “Fazer” indicando tempo decorrido é impessoal e fica no singular.
5-B. “Haver”, com sentido de existir, é impessoal: “houve candidatos”.
6-A. Na voz passiva sintética, “novas orientações” é sujeito plural: “publicaram-se”.
7-A. “Cujos” concorda com “documentos”; não se acrescenta artigo depois dele.
8-B. Não se separa “os fiscais” do verbo “chegaram” por vírgula.
Se você acertou todas, ótimo: avance para questões inéditas de maior complexidade.
Se errou algumas, melhor ainda para o planejamento: agora você sabe por onde começar a próxima revisão. Uma nota isolada nesse minissimulado não mede sua probabilidade de aprovação.
Plano de 7 dias para melhorar sua revisão de Português
Em vez de tentar memorizar as 12 regras de uma vez, organize blocos curtos e observe quais erros voltam a aparecer.
Dia | Foco | Tarefa prática |
|---|---|---|
1 | Porquês, perda/perca e mal/mau | Revisar regras e produzir seis frases próprias. |
2 | Há/a e onde/aonde | Resolver questões de emprego contextual. |
3 | Crase e regência | Identificar o termo regente em cada frase. |
4 | Fazer, haver e concordância com “se” | Transformar e reescrever frases. |
5 | Cujo e vírgula | Analisar relações sintáticas e pontuação. |
6 | Questões da banca do seu edital | Resolver um bloco cronometrado e registrar erros. |
7 | Reteste | Refazer os temas fracos com questões diferentes. |
O detalhe que ajuda a evoluir: registre o motivo de cada erro.
“Confundi as palavras” é pouco específico. Melhor: “Usei houveram porque confundi haver com existir”.
Uma anotação assim orienta a revisão seguinte e evita reestudar tudo sem necessidade.
Perguntas frequentes sobre Português para concursos
O que mais vale a pena estudar em Português para concursos?
O conteúdo programático varia por edital. Como base geral, vale diagnosticar seu desempenho em interpretação de textos, pontuação, concordância, regência, crase e classes de palavras. Priorize o que o edital exige e o que seus erros mostram.
Como aprender gramática sem decorar todas as regras?
Associe cada regra a uma pergunta prática: qual é o sujeito? Qual preposição o verbo exige? A palavra funciona como verbo ou substantivo? Depois, resolva questões e explique por que as alternativas incorretas estão erradas.
Resolver questões é melhor do que assistir a aulas?
As duas estratégias são complementares. A aula pode esclarecer a estrutura; as questões mostram se você consegue aplicar o conhecimento. Use os erros das questões para decidir quando rever uma explicação, sem substituir todo o estudo por tentativas aleatórias.
As pegadinhas são iguais em todas as bancas?
Não necessariamente. Editais e estilos de cobrança variam. Por isso, identifique a banca organizadora, confira o programa oficial e priorize provas anteriores pertinentes ao seu cargo e à sua seleção.
Como parar de errar a mesma regra?
Classifique o tipo de erro, escreva uma explicação curta com suas palavras e faça um reteste com frases diferentes alguns dias depois. Se o erro persistir, volte à estrutura da frase em vez de decorar apenas o gabarito.
Você não precisa acertar tudo hoje. Precisa saber o que corrigir.
Português para concursos fica mais administrável quando cada questão deixa uma informação útil.
Errou crase? Investigue a regência e a presença do artigo. Errou concordância? Procure o sujeito e a função do verbo. Confundiu perda com perca? Descubra a classe gramatical.
O caminho é transformar dúvida em método.
Seu próximo acerto começa na revisão que você faz depois do erro. Escolha duas pegadinhas deste artigo, resolva questões do seu edital e acompanhe a evolução. Estudar com direção não elimina o desafio do concurso, mas torna o esforço mais consistente.
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